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Apesar da queda de 11%, bancos seguem otimistas com a Embraer; entenda

Principal pilar dessa confiança é a carteira de pedidos, conhecida por backlog, que encerrou o quarto trimestre no nível recorde de US$ 31,6 bilhões

Embraer: unidade de Defesa continua a ser um dos principais vetores de crescimento. (Embraer/Divulgação)

Embraer: unidade de Defesa continua a ser um dos principais vetores de crescimento. (Embraer/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 13 de março de 2026 às 11h12.

Apesar da volatilidade que levou as ações da Embraer a registrarem sua maior queda diária em quatro anos — um recuo de 11% no fechamento do pregão da quinta-feira, 12, a R$ 74,62 —, o sentimento do mercado financeiro em relação à fabricante brasileira permanece predominantemente otimista.

Um dos pontos centrais da tese de investimento, reforçado pelo JP Morgan, é que a Embraer negocia com um desconto injustificado em relação aos seus pares globais — o múltiplo EV/Ebitda, o qual relaciona o valor total da empresa à sua geração de caixa, está em cerca de 10,2 vezes para 2026 contra 15,7 vezes dos pares.

O Goldman Sachs destacou também que a empresa está ganhando participação de mercado em todos os quatro segmentos e apresenta uma conversão de fluxo de caixa livre (FCF, em inglês) cada vez mais forte.

No mercado internacional, onde a liquidez e a paridade com pares globais são maiores, os preços-alvo para os ADRs — recibos de ações em Nova York sob o ticker EMBJ — apresentam metas ainda mais agressivas. Cerca de 80% das instituições que cobrem o papel mantêm recomendação de "compra".

Analistas do JP Morgan elevaram o preço-alvo para US$ 84 por ADR, mas ressaltam que, se a empresa fosse avaliada sem o desconto histórico e incluindo a participação na subsidiária Eve, o valor justo poderia chegar a US$ 117.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), por outro lado, lidera o otimismo com um preço-alvo de US$ 97, seguido pelo Safra com US$ 92, Morgan Stanley com US$ 90, Bradesco BBI com US$ 89, Santander com US$ 86 e Goldman Sachs com US$ 80.

Já no contexto local, o JP Morgan estabelece o preço-alvo de R$ 109 para as ações, sendo uma das visões mais positivas para o papel na B3. Já a XP Research mantém uma postura mais cautelosa, com preço-alvo de R$ 79, enquanto o Banco do Brasil projeta o valor de R$ 88.

O movimento de queda, segundo analistas, foi impulsionado por uma combinação perfeita de fatores macroeconômicos externos: aversão ao risco em mercados emergentes, escalada das tensões no Irã e a consequente alta no preço dos combustíveis, que pressiona o caixa das aéreas.

"Na nossa visão, a reação do mercado pós-4T parece um tanto exagerada, e acreditamos que a configuração atual oferece uma oportunidade para revisitar o caso de investimento."Relatório do BTG Pactual

No entanto, para o investidor focado em fundamentos, o cenário interno da companhia conta uma história de robustez.

Por que os analistas continuam apostando em Embraer?

O principal pilar dessa confiança é a carteira de pedidos (backlog, em inglês), que encerrou o quarto trimestre no nível recorde de US$ 31,6 bilhões. Esse montante representa um crescimento de 20% em relação ao ano anterior, garantindo previsibilidade de receita para os próximos anos.

"Os resultados do 4T25 da Embraer foram mais fortes do que o esperado."Relatório do Santander

A divisão de Aviação Comercial lidera esse portfólio com US$ 14,5 bilhões, impulsionada por novos pedidos da TrueNoord e Air Côte d’Ivoire. Já a Aviação Executiva atingiu seu próprio recorde histórico, com US$ 7,6 bilhões em pedidos firmes.

A Embraer reportou uma receita líquida recorde de R$ 41,9 bilhões em 2025, superando o limite superior do seu próprio guidance. O Santander indicou, também, que o lucro operacional antes de juros e impostos (Ebit, em inglês) recorrente ficou entre 1% e 4% acima do consenso.

A empresa conseguiu, assim, manejar os custos mesmo diante de tarifas de importação nos Estados Unidos (EUA) durante parte do ano.

Para 2026, a Embraer projetou receitas entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões. Embora o Itaú BBA tenha classificado essas metas como "conservadoras" na frente comercial — devido a gargalos ainda persistentes na cadeia de suprimentos global —, o mercado vê um potencial de ganho não precificado.

Os analistas do Itaú BBA ressaltam que as projeções atuais de rentabilidade ainda não incorporam totalmente o cenário de isenção de tarifas para bens aeroespaciais nos EUA, recentemente anunciado pela administração americana.

A Embraer enfrentou uma tarifa de 10% em grande parte de suas exportações para os EUA em 2025, e o retorno ao regime de tarifa zero deve impactar positivamente as margens.

A geração de fluxo de caixa livre foi um destaque, somando US$ 738 milhões apenas no quarto trimestre, sustentando a rampa de produção de até 255 jatos estimada para 2026.

O segmento de Defesa e Segurança também se tornou um catalisador de valor. O BTG Pactual aponta que o ciclo de rearmamento global e possíveis novos contratos na Índia podem acelerar ainda mais este setor.

Já no horizonte da inovação, a subsidiária Eve continua a ser monitorada de perto. Com foco na certificação de seu eVTOL para 2027, a empresa já acumula uma carteira de intenções de US$ 14 bilhões.

"A Embraer entra agora numa fase diferente, mais centrada na execução e entrega do que na acumulação de encomendas. Tais transições podem por vezes parecer menos excitantes para os investidores... No entanto, os fundamentos continuam sólidos."Relatório do BTG Pactual

Com as ações negociadas com desconto em relação aos pares globais, a aposta dos analistas é que a companhia brasileira ainda tem espaço para uma correção de valor para cima.

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