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Americanas puxa todo o setor para baixo e ações da Via e Magazine Luiza desabam

Analistas temem que 'inconsistências contábeis" encontradas na Americanas sejam praticadas por outras varejistas

Americanas: empresa reportou "inconsistências contábeis" de R$ 20 bi em balanço (Gustavo Lacerda/Reprodução)

Americanas: empresa reportou "inconsistências contábeis" de R$ 20 bi em balanço (Gustavo Lacerda/Reprodução)

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Guilherme Guilherme

Publicado em 12 de janeiro de 2023 às 12h52.

Última atualização em 12 de janeiro de 2023 às 13h40.

As ações da Via (VIIA3) e Magazine Luiza (MGLU3) chegam a cair cerca de 10% nesta quinta-feira, 12, após a Americanas ter encontrado "inconsistências contábeis" avaliadas em R$ 20 bilhões em balanço do terceiro trimestre. As falhas foram reportadas ao mercado pela própria companhia em fato relevante divulgado na noite de quarta-feira, 12. Investidores temem que práticas semelhantes tenham sido empregadas por outras empresas do setor.

Segundo a Americanas, foi identificada a "existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem acima [R$ 20 bilhões], nas quais a Companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta fornecedores nas demonstrações financeiras" do terceiro trimestre de 2022.

O anúncio das inconsistências contábeis foi acompanhado dos pedidos de renúncia de Sérgio Rial ao cargo de CEO e de André Covres, ao de CFO. Ambos os executivos haviam assumido o comando da empresa no início do ano.

Os R$ 20 bilhões, segundo conferência de Rial com investidores nesta quinta, "é o que foi possível estimar com o que vimos em nove dias". O rombo pode ser maior. Segundo ele, a inconsistência está no Risco Sacado relacionado à contabilização de financiamento a fornecedores, o que diz ser um terreno cinzento há anos na contabilidade brasileira.

"Não posso garantir há quanto tempo, mas está mais para nove anos do que para três. Não é algo de 2022", disse o executivo.

O maior impacto, segundo analistas da Genial, deve ser no nível de alavancagem da Americanas, que "subestimou em seu balanço o tamanho do endividamento".

"Entendemos que a companhia deveria reconhecer o valor que negociou em risco sacado dentro da conta de Empréstimos e Financiamentos. Como a Americanas passa a dever as instituições financeiras e não a fornecedores, os números fidedignos não estariam sendo refletidos no balanço", disseram os analistas em relatório.

Medo de impacto setorial

A Genial ainda ressaltou que descoberta deve aumentar o receio do mercado com o varejo de e-commerce, em meio a temores que as outras empresas estejam adotando práticas semelhantes. "Nossa análise é de que outras empresas do setor também realizam operações de Risco Sacado, o que evidência um risco (e, nesse momento, apenas um risco) de ocultação de informações relevantes no balanço dessas companhias."

"O endividamento da Americanas é muito superior ao reportado, o que deve levar à necessidade de aumento de capital", disse Fernando Ferrer, analista da Empiricus.

A insufiência de controle da área financeira, segundo Rial, foi motivado pela necessidade de crescer a parte digital por meio de financiamento a fornecedores. "Isso nos leva a pensar que empresas de grande crescimento, bastante faturamento e margens baixas podem ser levadas a ter uma ideia de contabilidade criativa para que fique fluído o seu balanço. Pode ser que isso não ocorra só com a Americanas", afirmou Ferrer.

Heitor De Nicola, especialista de renda variável e sócio da Acqua Vero Investimentos, acredita que o caso "pode acabar virando uma bola de neve mais para frente". "É algo muito sensível e pode respingar no mercado como um todo, escalando para uma crise de confiabilidade. Temos que acompanhar de perto já que isso pode trazer certa volatilidade para o mercado conforme mais desdobramentos forem saindo."

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