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Americanas fora dos índices, "euro" sul-americano, 4º tri nos EUA e o que mais move o mercado

Varejista ficará fora de 13 índices pela primeira vez nesta segunda-feira; no domingo, acionistas de referência afirmaram que não sabiam de inconsistências contábeis

Americanas: varejista fica fora dos índices, mas ações ainda podem ser negociadas na bolsa (Dado Galdieri/Bloomberg/Getty Images)

Americanas: varejista fica fora dos índices, mas ações ainda podem ser negociadas na bolsa (Dado Galdieri/Bloomberg/Getty Images)

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Karina Souza

Publicado em 23 de janeiro de 2023, 08h00.

Última atualização em 23 de janeiro de 2023, 17h18.

A Americanas (AMER3) estará fora de 13 índices — incluindo o Ibovespa — pela primeira vez nesta segunda-feira (23). O motivo é que empresas em recuperação judicial não podem compor os indicadores da B3. Há um 'cercadinho' especial para empresas nessa situação, conforme as regras da bolsa. 

Vale lembrar que quem tem ações da varejista ainda vai poder negociá-las usando o home broker. O que muda, a partir de agora, é que os papéis deixam de fazer parte de um “grupo” específico de ativos — caso dos índices — uma vez que a empresa declarou recuperação judicial. 

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Desempenho dos indicadores às 7h11 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): + 0,05%
  • S&P 500 futuro (Nova York): -0,01%
  • Nasdaq futuro (Nova York): + 0,06%
  • FTSE 100 (Londres): - 0,23%
  • DAX (Frankfurt): + 0,29%
  • CAC 40 (Paris): - 0,04%
  • Hang Seng (Hong Kong)*: + 1,76%

"Euro" sul-americano

Um artigo assinado de forma conjunta pelos presidentes do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Alberto Fernández, confirma a intenção de criar uma moeda comum sul-americana para transações tanto comerciais quanto financeiras. O texto assinado pelos chefes de Estado, à véspera do primeiro encontro bilateral entre presidentes dos dois países em mais de três anos, foi publicado neste domingo, 22, no diário argentino Perfil.

Ainda neste domingo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad afirmou que o real não deve ser extinto, como mostra o Valor Econômico. A ideia da nova moeda é que seja digital, usada para transações financeiras e comerciais de forma exclusiva. Inclusive, esse é o objetivo da reunião entre os presidentes Lula e Alberto Fernández.

Novo diretor no BC

O mercado vê incertezas na substituição de Bruno Serra na diretoria de política monetária do Banco Central, principalmente depois das críticas do presidente Lula à independência da instituição. A vaga será aberta oficialmente no dia 28 de fevereiro.

Focus e IPCA-15

Ainda no Brasil, o destaque desta segunda-feira é a divulgação do Boletim Focus, que manteve as expectativas de câmbio em R$ 5,28 e a Selic em 12,50%. Já as de IPCA e do PIB tiveram alta, para 5,48% e 0,79%, respectivamente.

Durante a semana, ainda será realizada a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que acontece amanhã às 9h.

Feriado na China

A China comemora, a partir desta segunda-feira, o ano-novo lunar de 4721. Segundo a mitologia, é o ano do coelho, símbolo de paz e de cautela. O país se prepara para um período de pico de viagens e, consequentemente, de aumento da disseminação da covid-19. 

De acordo com o WSJ, a reabertura da economia chinesa depois de anos fechada por causa da covid-19 levanta questões sobre o aumento de preços de forma global. Klaas Knot, presidente do Banco Central Alemão, afirmou em uma entrevista que a recuperação da China, inicialmente, deve impulsionar o aumento de preços, mas que ao longo do tempo deve colaborar para os gargalos nas cadeiras de produção global. Economistas do Societé Generale acreditam que a inflação não seja suficiente para alterar os caminhos da política monetária do Fed e BCE, mas estão de olho na demanda de energia local e em seus impactos para os bancos centrais e aumentos de juros.

Com a paralisação das bolsas locais, os índices futuros norte-americanos se moveram pouco na madrugada.

Expectativas sobre economia norte-americana

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras moedas fortes, amanheceu em queda de 0,25%. De acordo com a Bloomberg, as incertezas em relação à decisão do Fed a ser tomada na próxima semana — levando em consideração posicionamentos como o do governador Christopher Waller, de que um aumento menor, de 0,25 ponto — em meio a uma postura mais “hawkish” do BCE colaboraram para investidores migrarem para a zona do euro. 

Do começo do ano para cá, segundo a Bloomberg, o S&P 500 teve um ganho de 3,5%, ante um de 7% nas ações da Europa. O principal motivo é que a região pode enfrentar a recessão neste ano, enquanto a terra do Tio Sam poderia passar por ela ao longo do segundo semestre de 2023. 

Enquanto a decisão do Fed não vem, nesta semana, os EUA divulgam o PCE, índice de preços de gastos de consumo, o que deve ajudar investidores a terem maior clareza sobre o cenário local.

Microsoft, Tesla e outras grandes empresas divulgam resultados

Também entrará na conta dos analistas o tamanho do efeito da inflação sobre algumas das maiores empresas norte-americanas, que divulgam resultados nesta semana. É o caso de Microsoft, IBM, Tesla, Visa e Mastercard.

Para a empresa co-fundada por Bill Gates, a expectativa é acompanhar o desempenho da companhia em um ano de corte de custos para as empresas (tendo em vista o desempenho positivo da Azure ao longo dos últimos anos). Investidores também vão acompanhar os planos da empresa para o desenvolvimento de inteligência artificial, já que na última semana a big tech anunciou que deve acoplar o ChatGPT na ferramenta de busca Bing. Em relação à Tesla, dados sobre a produção do Cybertruck e sobre a demanda pós-covid 19 também devem entrar na conta. 

De acordo com dados do MarketWatch, a expectativa é de resultados ainda ligeiramente positivos em relação à demanda do fim do ano. John Butters, analista da FactSet, apontou na sexta-feira que, até agora, apenas 11% das empresas no S&P 500 apontaram resultados melhores para o quarto trimestre do que os do ano passado, com apenas um terço se saindo melhor do que as estimativas. É o ponto mais baixo nos últimos dez anos.