Ambev: volta aos bares impulsiona lucro em 28,6% no 1º trimestre

Receita e Ebitda crescem e superam estimativas de mercado; inflação leva empresa a diminuir bônus de funcionários
Brahma: uma das marcas da Ambev (Eduardo Zárate / Flickr Commons/Divulgação)
Brahma: uma das marcas da Ambev (Eduardo Zárate / Flickr Commons/Divulgação)
Guilherme Guilherme
Guilherme GuilhermePublicado em 05/05/2022 às 08:14.

A Ambev (ABEV3) apresentou lucro líquido ajustado de R$ 3,552 bilhões em balanço do primeiro trimestre divulgado nesta quinta-feira, 5. O resultado foi 28,6% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

A receita líquida aumentou em 10,8% para R$ 18,439 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado teve alta de 3,7% para R$ 5,522 bilhões. Os números saíram levemente acima do consenso da Bloomberg, que previa receita de R$ 18 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 5,49 bilhões.

"O resultado foi impulsionado principalmente por nossa performance no Brasil, onde fomos capazes de 'aproveitar o momento' com a retomada das ocasiões de consumo fora de casa em fevereiro e março", disse a Ambev.

A receita líquida da divisão brasileira de cervejas aumentou 11,3% para R$ 7,12 bilhões - parte puxada pelo aumento de preços realizado no trimestre anterior. O volume de vendas cresceu 2,1% na comparação anual.

Embora represente uma fatia menor do balanço, a divisão brasileira de bebidas não alcoólicas apresentou crescimentos de volume e receita ainda maiores, de 16,9% e 36,1%, respectivamente.

"Nosso portfólio ganhou participação de mercado, de acordo com as nossas estimativas. As marcas premium e wellness tiveram um crescimento superior ao do nosso volume total do negócio de bebidas não alcoólicas, por meio de Gatorade, H2OH!, bebidas energéticas e portfólio diet/light/zero", afirmou a administração da empresa.

Na frente América do Sul, a segunda mais importante em termos de faturamento, a receita cresceu 9,8% para R$ 4,6 bilhões. As operações no Paraguai, Uruguai e Argentina foram as principais responsáveis pelo crescimento

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BEES e Zé Delivery

A penetração da plataformas digitais da Ambev esteve por trás de parte da expansão da empresa no período. O aplicativo para a reposição de estoques de comerciantes BEES teve mais de 500.000 clientes atendidos no Brasil nos últimos 6 meses.

Na República Dominicana, o BEES alcançou mais 99% dos clientes totalmente digitais, enquanto no Paraguai e Argentina a plataforma atingiu mais de 60% da receita.

O Zé Delivery, voltado para o cliente final, atendeu 16 milhões de pedidos no Brasil, 15% a mais que no primeiro trimestre de 2021.

Alta de custos reduz bônus

A inflação, contudo, segue uma ameaça para a companhia. Segundo o balanço, a empresa teve reduzir as provisões de remuneração variável (bônus) para tentar compensar o aumento das despesas.

Os gastos gerais, com vendas e administrativas (SG&A, na sigla em inglês) da Ambev saltou 8,5% frente ao primeiro trimestre de 2021 para R$ 4,8 bilhões. A alta do diesel, de acordo com a empresa. foi a maior vilã do aumento de custos.