Ambev, Méliuz, Azul: as 10 maiores altas e baixas do Ibovespa em outubro

Balanços do 3º trimestre, alta da Selic e risco fiscal foram principais fatores de impacto nas ações
Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame (Germano Lüders/Exame)
Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame (Germano Lüders/Exame)
Beatriz Quesada
Beatriz QuesadaPublicado em 30/10/2021 às 10:30.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou outubro com o pior resultado mensal de 2021, em baixa de 6,74%. O resultado é a 4ª queda mensal consecutiva do índice, que já recua 13,03% no acumulado do ano.

Entre as 89 ações que compõem o índice, apenas 13 fecharam o mês em alta, segundo levantamento da plataforma de informações financeiras Economatica feito a pedido da EXAME Invest

Pesou sobre as ações a alta da taxa básica de juros, a Selic, que foi elevada para 7,75% ao ano. O aperto monetário mais duro responde à escalada da inflação e aos novos riscos para o cenário fiscal brasileiro, que mergulhou na incerteza desde que o governo decidiu driblar o teto de gastos para acomodar seu programa social, o Auxílio Brasil. 

Mais uma vez as ações mais penalizadas foram aquelas que sofrem com a alta dos juros. A empresa de cashback Méliuz (CASH3), focada em tecnologia e consumo, foi a mais afetada, com recuo de quase 45% no mês de outubro.

As 10 maiores quedas de outubro

Nome Código

Retorno em outubro (%)

Retorno em 2021 (%)

1

Méliuz CASH3

-44,93

32,46

2

Azul AZUL4

-31,69

-36,72

3

Alpargatas ALPA4

-26,84

-8,02

4

Gol GOLL4

-26,70

-39,13

5

CVC CVCB3

-25,79

-19,28

6

Magazine Luiza MGLU3

-24,62

-56,64

7

Banco Inter BIDI11

-23,90

8,25

8

Grupo Soma SOMA3

-22,60

-2,02

9

Banco Inter BIDI4

-22,00

11,60

10

Cyrela CYRE3

-21,72

-50,08

*Fonte: Economatica

“Companhias de crescimento acelerado, como a Méliuz e o Banco Inter, tendem a sofrer uma forte correção nos preços em cenários de juros elevados, tendo em vista que essas empresas dependem mais de financiamento para crescer. Juros mais altos implicam em custo mais alto para o crédito”, explica Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

Vale lembrar que uma nova alta de 1,5 ponto percentual já está contratada para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o que levaria a Selic para 9,25% ao final de 2021. Para o próximo ano, alguns agentes do mercado já enxergam a Selic a 2 dígitos.

Quem também sofre com a alta dos juros e da inflação é o setor de consumo. Com o crédito menos acessível e os produtos mais caros, varejistas como Grupo Soma (SOMA3), Magazine Luiza (MGLU3) e Alpargatas (ALPA4) ficaram entre as maiores baixas do Ibovespa.

As aéreas também são impactadas pelo cenário de incertezas, principalmente diante do avanço do dólar. A moeda americana subiu 3,67% em outubro, encerrando o mês negociada a 5,646 reais. A alta prejudica os resultados das companhias, que têm grande parte de seus custos dolarizados.

“Vale lembrar também que empresas aéreas e de turismo estão bastante relacionadas ao ciclo econômico, o que pode ser negativo nesse momento. Isso porque a retomada da economia já está em parte precificada e as perspectivas de crescimento econômico para o ano pioraram”, afirma Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos.

As maiores altas

Diante de um cenário de incertezas e aversão ao risco, as ações que mais subiram foram de empresas boas geradoras de caixa e com demandas mais garantidas. Um exemplo foi o setor de energia elétrica, que se recuperou com a retomada dos reservatórios e se beneficiou da busca por segurança.

“É um setor com demanda inelástica, então mesmo que a renda caia ou o preço do produto suba, as pessoas vão continuar comprando”, afirma Jaconeli. 

O economista estende a análise também para as ações da Telefônica, uma vez que a demanda por internet e comunicação tem se tornado, cada vez mais, um serviço essencial. No caso da Telefônica há ainda a questão do 5G – a empresa participa do leilão e as ações podem sair beneficiadas.

A principal alta, no entanto, ficou com as ações da Ambev (ABEV3), que dispararam 11,63% nos últimos dois pregões do ano, assumindo de última hora a liderança dos maiores ganhos do mês. A alta repercutiu o balanço do terceiro trimestre de 2021 da companhia, que apresentou lucro líquido de 3,753 bilhões de reais, 50,4% acima do mesmo período do ano passado.

O resultado foi elogiado pelo mercado, com o BTG Pactual classificando o balanço como "excepcional" em relatório, enquanto analistas do Credit Suisse escreveram a frase de Mark Twain em sua análise sobre a Ambev: "eles não sabiam que era impossível, então fizeram".

 

As 10 maiores altas de outubro

Nome Código

Retorno em outubro (%)

Retorno em 2021 (%)

1

Ambev ABEV3

11,05

9,08

2

BB Seguridade BBSE3

10,73

-22,32

3

Telefônica VIVT3

7,07

2,71

4

EDP ENBR3

6,75

5,05

5

JBS JBSS3

5,34

76,09

6

Engie EGIE3

3,87

-7,42

7

Marfrig MRFG3

3,27

96,67

8

Taesa TAEE11

2,29

-37,66

9

SulAmérica SULA11

1,92

17,60

10

Metalúrgica Gerdau GOAU4

0,72

-16,91

*Fonte: Economatica

Oliveira, da Toro, explica que o setor de seguros tende a se beneficiar com o aumento de juros. “Isso acontece pela elevação nos resultados financeiros da companhia que vem dos rendimentos do caixa e das aplicações financeiras em renda fixa atrelada ao CDI”, afirma.O mês de outubro também foi de recuperação para os papéis das seguradoras, com destaque para a BB Seguridade (BBSE3), segunda maior alta do mês. 

Com a elevação da Selic, a ação ensaia recuperação e, segundo analistas, pode ser uma interessante aposta para os próximos meses por ser um papel descontado BBSE3 ainda acumula queda de 22,32% no ano.

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