Invest

Amazon recebe US$ 600 milhões em reembolsos das tarifas de Trump

Suprema Corte havia invalidado parte das tarifas impostas pelo governo Trump em fevereiro

 (Leandro Fonseca/Exame)

(Leandro Fonseca/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 31 de julho de 2026 às 09h00.

Última atualização em 31 de julho de 2026 às 09h04.

Priorizar nos meus resultados Google

A Amazon recuperou US$ 600 milhões em reembolsos de tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal boa parte dessas cobranças.

A empresa afirmou na quinta-feira, 30, que pretende devolver parte desse valor a consumidores que arcaram com preços inflacionados pelos tributos, de acordo com informações consultadas pela CNBC.

O CFO da Amazon, Brian Olsavsky, confirmou o montante durante a teleconferência de resultados da companhia, que divulgou o balanço do segundo trimestre na noite de ontem.

"Estamos participando do processo de reembolso de tarifas e, como mencionei anteriormente, recebemos, aproximadamente, US$ 600 milhões no segundo trimestre", disse Olsavsky.

Caminho aberto para os reembolsos

Em fevereiro, a Suprema Corte invalidou as tarifas impostas por Trump com base no International Emergency Economic Powers Act de 1977, obrigando o governo americano a devolver valores cobrados de empresas que importaram produtos taxados pela medida.

Grandes companhias como Apple, Walmart, Costco, Home Depot e General Motors já haviam anunciado que solicitariam a restituição.

O próprio Trump chegou a declarar, em abril, que se lembraria das empresas que optassem por não pedir os reembolsos, quando questionado se companhias como a Amazon poderiam estar evitando o pedido por receio de desagradá-lo.

A Apple, por sua vez, informou, também na quinta-feira, que seu lucro por ação no último trimestre foi impulsionado em 5%, o equivalente a 11 centavos, justamente pelos reembolsos tarifários recebidos.

Amazon evitou o tema por meses

Até então, a Amazon não havia esclarecido publicamente se buscaria a devolução dos valores. Em maio, consumidores entraram com uma ação coletiva na Justiça federal de Seattle, nos EUA, alegando terem direito a ressarcimento pelos preços inflados pelas tarifas, e acusando a empresa de evitar o pedido de reembolso para não desagradar o governo Trump.

O episódio se soma a um atrito anterior entre a varejista e a Casa Branca. Em abril do ano passado, a Amazon foi alvo de forte reação depois que veio à tona um plano da empresa de exibir o custo das tarifas de Trump ao lado de alguns produtos em seu site.

Uma reportagem da NBC News na época mostrou que o próprio presidente chegou a telefonar pessoalmente para o fundador e presidente executivo da Amazon, Jeff Bezos, para reclamar da iniciativa.

Reembolso "limitado" e critérios

Olsavsky explicou que a Amazon recebeu um valor considerado limitado porque a companhia trabalhou para antecipar pedidos e posicionar estoques antes da entrada em vigor das tarifas. "Em segundo lugar, não somos o importador oficial da grande maioria dos itens vendidos em nossa loja", disse.

Isso porque grande parte dos produtos vendidos na plataforma vem de vendedores terceiros, responsáveis por mais de 60% dos itens comercializados no marketplace da Amazon.

Muitos desses lojistas, que importam mercadorias do exterior, precisaram elevar preços por conta das tarifas e também solicitaram reembolso, conforme a CNBC.

Sobre o repasse aos consumidores, Olsavsky detalhou o critério. "Identificamos um conjunto limitado de situações em que é possível rastrear o repasse de taxas de importação específicas aos clientes; assim, quando recebermos esses reembolsos, entraremos em contato proativamente com os clientes afetados e realizaremos o reembolso automático."

Nos demais casos, a companhia deve seguir a prática comum entre grandes varejistas e destinar os valores recuperados para sustentar preços mais baixos aos clientes.

Acompanhe tudo sobre:AmazonTarifas

Mais de Invest

Feriados no Brasil e EUA, PIB do Japão e STF no radar: que move os mercados nesta segunda-feira, 7

Lotofácil tem sorteio hoje? Entenda as mudanças no concurso deste domingo

Marca de Victoria Beckham tem primeiro lucro operacional e cresce 15%

Ásia revive sinais da crise de 1997, mas HSBC vê risco diferente com IA