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Alpargatas reduz pela metade prazo de entrega para mercado internacional

Dona da Havaianas inaugura novo centro de distribuição capaz de despachar 1,3 milhão de pares por dia

Alpargatas: Novo centro de distribuição vai reduzir pela metade prazos de entrega no exterior, diz CEO (Alpargatas/Divulgação)

Alpargatas: Novo centro de distribuição vai reduzir pela metade prazos de entrega no exterior, diz CEO (Alpargatas/Divulgação)

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Raquel Brandão

14 de outubro de 2022, 07h03

Com uma capacidade de expedir 1,3 milhão de pares de calçados por dia, o novo centro de distribuição (CD) da Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, poderia calçar todos os habitantes da maioria das cidades brasileiras. A operação do novo CD, instalado na Paraíba, começa de forma piloto na próxima semana com o objetivo de aumentar a capacidade da companhia e mira, principalmente, o mercado externo, conta o presidente da companhia, Roberto Funari, em entrevista exclusiva à Exame Invest.

"É uma etapa importante, porque é a primeira vez que a empresa vai ter um CD com um perfil global, que tem capacidade de atender mercado interno e externo", diz o executivo. O objetivo da companhia é reduzir em 50% o tempo de entrega para o mercado externo, que hoje varia entre 90 e 100 dias. "Abre as portas para atendermos melhor, com tecnologia e com menores custos."

A inauguração, ainda que em fase piloto (a projeção é de operar plenamente em abril de 2023), faz parte do ciclo de R$ 600 milhões em investimentos, anunciados em 2021 para aumentar a capacidade da companhia. Desse montante, o novo CD levou R$ 28 milhões.

A aposta é importante para a dona da Havaianas, uma vez que o mercado internacional responde por cerca de 40% das vendas totais e tem margem bruta bem superior à do mercado doméstico, na casa de 70% (contra 40% do Brasil). No primeiro semestre, as vendas para o mercado externo somaram R$ 775,6 milhões, 7% a menos do que de janeiro a junho de 2021, pressionadas por mudanças na parceria de vendas com a Amazon nos Estados Unidos e pelos impactos do lockdown na China.

No Brasil, as vendas no primeiro semestre somaram R$ 1,18 bilhão, 13% a mais do que no mesmo período do ano anterior. A companhia divulga o resultado do terceiro trimestre em 3 de novembro, depois do fechamento do mercado.

Aumento de capacidade

O novo centro de distribuição está construído em uma área de 50 mil m² em Campina Grande (PB). As cargas passam a sair fechadas direto do CD, sem intervenções de terceiros. Segundo a empresa, esse processo facilita a armazenagem nos CDs fora do Brasil, como os da Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, a operação também reflete em redução de tempo para o cliente, e, pela primeira vez, 100% do estoque estará centralizado, reduzindo custos e gerando mais eficiência logística. Não será mais preciso, por exemplo, alugar armazéns externos. Também facilita, conta o executivo, as ações de logística compartilhada que a empresa tem adotado com parceiros. Por exemplo, se um caminhão sai do CD da Alpargatas com destino a um Estado no Sudeste, pode voltar com produtos de um parceira que tenha que entregar alguma carga no Nordeste, por exemplo.

O CD vai consolidar a produção de três fábricas da empresa localizadas no Nordeste (Campina Grande e Santa Rita, na Paraíba, e Carpina, em Pernambuco), com o intuito de otimizar o atendimento dos canais de distribuição. A capacidade de armazenamento conjunta sobe de 33 milhões para 39 milhões de pares. 

"A gente entende, e tem visto isso nos últimos anos, é que melhoria de serviço traz impulso importante nas vendas, elimina ou reduz rupturas. Vamos ter capacidade, com data analytics, de fazer abastecimento mais inteligente", conta Funari. 

A instalação também cumpre metas de sustentabilidade da companhia: conta com usina fotovoltaica que torna o centro de distribuição autossuficiente em energia limpa, redução de CO², iluminação natural prismática, equipamentos operacionais com baixo ruído e emissão (elétricos), além de captação de água da chuva.