Ações do BB desabam 5% com notícia de possível saída de CEO

André Brandão colocou o cargo à disposição, segundo jornais; papeis do banco estatal têm desvalorização de quase 30% neste ano com receio de interferência do governo
 (Paulo Whitaker/Reuters)
(Paulo Whitaker/Reuters)
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Da Redação

Publicado em 26/02/2021 às 16:56.

Última atualização em 26/02/2021 às 18:56.

As ações do Banco do Brasil (BBAS3), que chegaram a subir nesta manhã de sexta-feira, 26, passaram a recuar perto do meio-dia e aprofundaram as perdas agora à tarde com a notícia de que o atual CEO da instituição, André Brandão, colocou o seu cargo à disposição do presidente Jair Bolsonaro. A notícia foi publicada pelos jornais Valor Econômico e O Globo.

As cotações fecharam em queda de 4,92%, aos 28,05 reais. Neste ano, as ações do BB estão com desempenho pior do que as dos seus pares do setor privado: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11). No ano, os papéis já acumulam uma desvalorização de 27,7%, já contando a sessão desta sexta.

O banco soltou fato relevante após o fechamento do mercado e negou que haja qualquer decisão envolvendo a permanência ou a saída do CEO.

A eventual saída de Brandão aprofundaria a crise de confiança enfrentada pelo governo depois de uma sequência de declarações e decisões do presidente Bolsonaro de interferir na gestão das principais estatais do país. Há uma semana, o presidente anunciou a decisão de trocar o presidente da Petrobras, indicando um militar para substituir Roberto Castello Branco. As ações da petrolífera despencaram mais de 20% no primeiro pregão depois da notícia.

No início do ano, Bolsonaro reclamou publicamente do plano de fechamento de agências e de demissão voluntária anunciado pelo BB, chegando a ameaçar demitir Brandão do cargo. Foi preciso que Paulo Guedes e Roberto Campos Neto intercedessem para que o CEO do banco não fosse demitido de forma intempestiva.

A mudança na presidência do BB, se confirmada, será a segunda no cargo em cerca de oito meses. Brandão substituiu Rubem Novaes, que pediu demissão em julho do ano passado reclamando da falta de vontade do governo Bolsonaro de conduzir a privatização do banco.