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Ações de cinema despencam mais de 50% - e James Bond é o culpado

Novo adiamento de ““007 - Sem Tempo Para Morrer” leva gigante a fechar mais de 663 cinemas; no ano, desvalorização acumulada supera 80%

"007 - Sem Tempo Para Morrer": estreia global estava incialmente prevista para 9 de abril (Suhaimi Abdullah/Getty Images)

"007 - Sem Tempo Para Morrer": estreia global estava incialmente prevista para 9 de abril (Suhaimi Abdullah/Getty Images)

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Guilherme Guilherme

Publicado em 6 de outubro de 2020, 19h56.

O setor de cinemas, que vem sofrendo perdas bilionárias desde o início da covid-19, sofreu mais um baque nesta semana. Isso porque o segundo adiamento da estreia de “007 - Sem Tempo Para Morrer” foi o estopim para que CineWorld, segunda maior companhia do segmento, fechasse, temporariamente, as portas de 536 cinemas nos Estados Unidos e 127 no Reino Unido, afetando 45.000 trabalhadores. Logo após o comunicado da empresa, suas ações chegaram a cair 54,14% na mínima do início da semana. No ano, as ações da CineWorld acumulam perdas de 87,3%.

“Como os principais mercados dos Estados Unidos, principalmente Nova York, permaneceram fechados e sem orientação sobre o tempo de reabertura, os estúdios têm relutado em lançar seu pipeline de novos filmes. Por sua vez, sem esses novos lançamentos, a Cineworld não pode fornecer aos clientes a amplitude de filmes comercialmente fortes para que eles considerem voltar aos cinemas”, afirmou a CineWorld em comunicado.

Com o novo adiamento de 007 para o ano que vem, aumenta a fila de filmes que deixaram a estreia só para 2021. Entre eles estão: “Velozes & Furiosos 9”, “Godzilla vs Kong”, “Ghostbuster – Mais além” e “Venon 2”.

Em meio à queda de espectadores, estreias de blockbusters sendo adiadas e gravações interrompidas, outras ações do setor também acumulam depreciações severas. As ações da rede americana Cinemark já caíram 74,6% desde o início do ano, enquanto os papéis da AMC se depreciaram 50,4%.

Apesar da forte desvalorização, a queda da receita dos cinemas foi ainda mais catastrófica no segundo trimestre do ano, o mais afetado pelos impactos da pandemia. No período, a rede Cinemark, espalhada em 16 países, registrou faturamento de apenas 9 milhões de dólares contra 957,8 milhões do segundo trimestre de 2019. O resultado foi um prejuízo de 170,4 milhões de dólares, que se somados ao do primeiro trimestre do ano, chegam a 230 milhões de dólares.

Devido aos impactos do coronavírus, o portal de estatísticas Statista estima que as perdas da indústria cinematográfica tenham chegado a 10 bilhões de dólares em receitas somente até o fim de maio.

O que tem ajudado a atenuar as perdas da indústria é o crescimento pujante da Netflix. Favorecida pelo maior número de pessoas em casa, a companhia encerrou o segundo trimestre com aumento de 27,3% de sua base de clientes na comparação anual. Já a receita da companhia chegou a 6,148 bilhões de dólares ante 4,923 bilhões de dólares do mesmo período do ano passado. Com o bom desempenho, as ações da companhia acumulam alta de 56,3% no ano.