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Ações no Brasil estão anormalmente baratas, diz Credit Suisse (C1SU34)

Segundo um relatório do banco suíço, uma recessão nos Estados Unidos é muito provável e o dólar vai perder força em 2023

Agência do Credit Suisse (C1SU34) em Berlim (Johannes Eisele/AFP)

Agência do Credit Suisse (C1SU34) em Berlim (Johannes Eisele/AFP)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

21 de novembro de 2022, 10h55

O Credit Suisse (C1SU34) divulgou nesta segunda-feira, 21, o relatório "Global Equity Strategy", onde mostra a estratégia de investimentos por ações, regiões e com base nas tendências macroeconômicas. 

Entre os pontos destacados pelo banco suíço, está o "overweight" - recomendação de compra - de ações brasileiras, que estariam "anormalmente baratas".

Segundo o Credit Suisse, o real estaria "significativamente subvalorizado", especialmente considerando que o país já "concluiu seu aperto monetário, a inflação está caindo mais acentuadamente de seu pico do que em qualquer outro grande mercado, ações (com ou sem commodities) que ainda parecem anormalmente baratos e o Brasil representa um hedge de commodity".

Credit Suisse (C1SU34) prevê recessão nos EUA "muito provável" e dólar "se enfraquecendo"

A avaliação do Credit Suisse em relação ao Brasil se destaca ainda mais se comparada com a avaliação sobre a economia dos Estados Unidos, onde o banco considera uma recessão "muito provável".

"Historicamente, toda vez que a curva de juros dos EUA se inverte (3 meses/10 anos), tiveram uma recessão, e os indicadores avançados mais fortes do PIB são consistentes com uma recessão. Além disso, as commodities atingiram níveis no segundo trimestre de 22 que normalmente precedem uma recessão", explicaram os analistas do banco no relatório.

Segundo eles, ciclos negativos como esse duram, em média, 19 meses. "Quase todos os indicadores indicam que o S&P 500 atingirá novas mínimas", salientou o documento.

"Quase todas as forças deflacionárias de pressão de custos da última década agora são inflacionários de custos, prejudicando as margens (por exemplo, desglobalização, descarbonização, demografia, salário mínimo)", escreveram os analistas do Credit Suisse.

Para eles, o problema é que, desta vez, "a resposta de política econômica é muito mais reativa do que o normal, pois o crescimento dos salários nos EUA é muito mais rígido do que o normal, exigindo que pensemos em pelo menos uma taxa de desemprego de 5% para controlar a inflação (o que, por sua vez, requer quase 0 % de crescimento do PIB por um ano)".

Os analistas acreditam que uma taxa de juros de 5% seria suficiente para empurrar o PIB para 0%. "O Fed está excessivamente focado em indicadores defasados ​​da atividade econômica (inflação, salários, emprego) em um momento em que as defasagens do sistema são muito maiores do que o normal", explicaram.

O Credit Suisse ainda considera provável uma aterrissagem “suave” (ou seja, uma recessão para controlar a inflação), mas existe o risco que se transforme em uma aterrissagem “dura” (ou seja, uma crise de desalavancagem). Isso pois, quanto mais altas as taxas dos EUA são por mais tempo, maior o risco de um acidente financeiro.

O dólar, por sua vez, deverá se enfraquecer ao longo de 2023, isso pois a moeda americana tende a perder força cerca de 12 meses após a primeira alta dos juros por parte do Federal Reserve (Fed).

Para os economistas do Credit Suisse, o Produto Interno Bruto (PIB) global vai crescer 1,6% em 2023.