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Ação preferida dos brasileiros, Itaúsa avalia antecipação de dividendos

Reforma tributária, cujo o texto prevê taxação de 15% nos proventos, seria o trigger para o movimento; "Está no radar da companhia, mas ainda precisa ser analisada", diz Setubal
 (Rodrigo Capote/Bloomberg)
(Rodrigo Capote/Bloomberg)
Paula Barra
Paula Barra

Publicado em 28/09/2021 às 16:21.

Última atualização em 28/09/2021 às 16:37.

A Itaúsa (ITSA4), holding que investe no banco Itaú (ITUB4), avalia uma antecipação na distribuição de dividendos, de olho na proposta da reforma tributária, que prevê a taxação dos proventos em 15% a partir de 2022. 

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"Está no radar da companhia, mas ainda precisa ser analisada. A Itaúsa tem muitas reservas e poderia usá-las, mas dependemos também do que recebemos de proventos das investidas", disse Alfredo Setubal, presidente da holding, a jornalistas na tarde desta terça-feira, 28. 

Segundo ele, caso o texto da reforma seja aprovado no Senado, a companhia vai estudar essa possibilidade, mas, no momento, não dá para ter uma ideia de números, assim como saber o texto que poderá passar.

O executivo afirmou ainda que espera ver um aumento dos dividendos nos próximos anos, com a normalização dos pagamentos pelo Itaú. Isso porque, com a pandemia, o Conselho Monetário Nacional (CMN) proibiu que os bancos pagassem além do dividendo mínimo obrigatório, de 25%, patamar que foi elevado, no fim deste ano, para 30%.

Como a Itaúsa detém cerca de 38% das ações do Itaú, a empresa viu junto seus dividendos reduzirem. O payout (porcentagem do lucro distribuída em forma de dividendos), que já chegou a bater os 94% em 2018, caiu para 25% no ano passado.

Mas ele ressalta que 2018 e 2019 foram "pontos fora da curva". "O Itaú pagou nesses anos um payout muito acima do padrão entre 40% e 50%", explicou Setubal, o que acabou beneficiando indiretamente a Itaúsa.

De acordo com o Setubal, o esperado é que a distribuição supere o patamar do último ano. "Com o tempo, receberemos também dividendos de outras empresas, além do banco".

Além do Itaú, a Itaúsa tem participações em companhias como a Alpargatas (ALPA4) e Dexco (DXCO3, ex-Duratex). 

As perspectivas de maiores proventos atraem têm atraído os investidores pessoas físicas. Reportagem da EXAME com dados da fintech Guru mostrou que a ação ITSA4 é preferida pelos brasileiros. Das 80 mil carteiras analisadas de 2018 a 2021 pela fintech, o papel estava presente em 62%.

Pelas informações da B3, empresa tem atualmente cerca de 957 mil investidores pessoas físicas em sua base acionária, ou cerca de um quarto dos CPFs cadastrados na Bolsa brasileira.  

Desinvestimento na XP

O executivo, que participou hoje de coletiva com a imprensa durante o evento Panorama Itaúsa, disse que a XP não é um investimento prioritário da holding. Com a distribuição da participação do Itaú na corretora, prevista aos acionistas do banco, ele disse que a intenção é vender aos poucos essa fatia no mercado. 

"Desde o primeiro momento, falamos isso. Mas não temos pressa para sair. Vamos desinvestir porque não faz parte do nosso plano estratégico", disse. 

A tendência é que a venda das ações ocorra gradualmente ao longo dos próximos anos. "É um investimento relevante, passa a ser o segundo maior da Itaúsa, atrás apenas do Itaú. Vamos sair com toda a diligência possível, de maneira a maximizar aos nossos acioinistas essa redução de participação".

Com o caixa da venda, a empresa mira novas oportunidades de alocação, que podem incluir desde aquisições até redução de dívidas ou pagamento dividendos. "Vamos ver no momento certo qual será a melhor maneira de usar esses recursos gerados com a venda".

Na mira de novas aquisições: saúde e agro

Setubal disse que a holding está olhando para oportunidades de aquisições em setores de saúde e agronegócio. Todas dentro do Brasil. "Não estamos olhando investimentos no exterior". 

Ele comentou que as possíveis aquisições viriam também de empresas fechadas, antes de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês). Ele descartou qualquer movimento via operação direto na Bolsa.

Dentro de saúde, ele destacou que o foco é no movimento de verticalização do setor. "Temos visto hospitais comprando planos de saúde, empresas de diagnósticos. Parece que vai ser esse o modelo que vai prevalecer". No entanto, afirmou que a companhia está estudando alternativas, mas ainda não encontrou nenhuma viável.

Eleição 2022

Embora com baixa probabilidade hoje, Setubal acredita no crescimento de algum candidato da chamada terceira via, o que exclui Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, durante as campanhas eleitorais para o pleito do ano que vem.

"O Brasil está um pouco cansado dessa polarização. Vejo espaço sim para um candidato, que faça um discurso positivo, consolidador, crescer ao longo da campanha e ganhar a eleição. A probabilidade ainda é baixa, conforme as pesquisas mostram, mas durante a campanha o jogo muda".

"Vejo com bastante expectativa e possibilidade uma pessoa ligada ao centro vencer a campanha e ganhar a eleição. Não uma pessoa diferente, mas alguma dessas que já estamos vendo aparecer na lista", apontou.

Na sua visão, o país está passando por "problemas muito graves". "Não que teremos um salvador da pátria, mas torça para que algum encaminhe esse questão. Teremos que ter uma sequência de bons governos para encaminharmos a maior parte dos problemas que temos".

Em relação à economia, ele defendeu novas altas de juros para controlar a inflação. "O cenário é bastante desafiador para o governo. O Banco Central tem subido e acho que tem que continuar a subir os juros para forçar a inflação a cair. A inflação comeu o poder de compra das pessoas e isso tende a deixar a atividade mais fraca no ano que vem".