3 motivos para a Saudi Aramco não repetir lucro recorde no 3º tri

Resultado foi impulsionado por valorização do petróleo por guerra entre Rússia e Ucrânia
Saudi Aramco: Funcionário da Aramco caminha perto de um tanque de óleo na refinaria de petróleo Ras Tanura (Ahmed Jadallah/Reuters)
Saudi Aramco: Funcionário da Aramco caminha perto de um tanque de óleo na refinaria de petróleo Ras Tanura (Ahmed Jadallah/Reuters)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 15/08/2022 às 09:53.

Última atualização em 15/08/2022 às 11:16.

Enquanto a inflação e aumento das taxas de juros penalizaram parte dos resultados do segundo trimestre, a maior petrolífera do mundo tem despontado em direção contrária. O lucro líquido da Saudi Aramco ficou em US$ 48,4 bilhões no período, o maior já registrado na história, segundo a Bloomberg, e 90% superior ao do segundo trimestre de 2021. A receita com vendas da companhia saudita cresceu 85% para US$ 172 bilhões.

Os feitos, porém, tendem a não se repetir no terceiro trimestre. Parte dos motivos já se refletem nas ações da companhia, que, apesar do lucro recorde apresentado no fim de semana, operam em queda nesta segunda-feira, 15.

1. Queda do preço do petróleo

A alta do petróleo no segundo trimestre, puxada pelos desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, foram fator determinante para o resultado recorde. O preço médio realizado das vendas da Saudi Aramco foi de US$ 113 por barril contra US$ 67,9 no mesmo período de 2021.

Desde o início do terceiro trimestre, porém, o preço do barril vem sendo negociado abaixo de US$ 110, com maior preocupação sobre o nível da demanda diante de expectativa de maior oferta da OPEP+ e de sinais de enfraquecimento da economia global. Os Estados Unidos, por exemplo, entrou em recessão técnica ao registrar PIB negativo por dois trimestres seguidos.

Nesta segunda, o petróleo é negociado próximo de US$ 93, na mínima desde 17 fevereiro, ainda antes do início da guerra no Leste Europeu.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia.

2. Desaceleração da China

A queda desta sexta tem influência de dados econômicos da China, a maior importadora de petróleo do mundo. Números de produção industrial e vendas do varejo divulgados no fim de semana saíram piores que o esperado, reforçando a preocupação sobre o ritmo da economia chinesa diante de restrições contra o coronavírus.

Parte do mercado, inclusive, já vê como inalcançável a meta do governo chinês de crescer em torno de 5,5% do PIB neste ano. O PIB anual da China no segundo trimestre foi de 0,4% abaixo do então consenso de 1% de alta.

3. Possível acordo nuclear com Irã

Outro fator que joga contra as apostas de alta do petróleo é um possível acordo nuclear entre o Irã e potenciais ocidentais, que recolocaria o país persa entre os principais exportadores do mundo -- aumentando a oferta. As tratativas, de acordo com a Bloomberg, podem estar próximas de uma resolução, o que colocaria pressão contrária sobre o preço do petróleo, com efeitos sobre o balanço do terceiro trimestre da Aramco.

"Dissemos claramente aos Estados Unidos que estamos prontos para entrar na fase de anunciar o acordo e ter uma reunião de ministros em Viena sobre as conclusões finais, se nossos últimos pontos forem atendidos", disse Hossein Amirabdollahian, ministro de relações exteriores do Iran, à Bloomberg, neste início de semana.