Ibovespa cai 2,54% em linha com EUA e tem pior semana desde outubro

Índice seguiu pessimismo no exterior com incertezas sobre estímulos e avanço da pandemia; dólar subiu 1,8%

O Ibovespa registrou nesta sexta-feira, 15, sua pior semana desde o fim de outubro, quando iniciou um forte rali. De lá para cá, o índice só teve duas semanas de perdas, contando com a atual. O resultado segue em linha com o cenário externo de maior aversão ao risco e realizações no mercado internacional.  O principal índice da bolsa brasileira fechou o pregão em queda de 2,54% aos 120.379 pontos -- na máxima, esteve em 123.348 pontos. No acumulado da semana, o Ibovespa recuou 3,78%.

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No exterior, os principais índices de ações caíram, mesmo após o presidente Joe Biden apresentar um pacote de 1,9 trilhão de dólares para impulsionar a economia americana. Embora robusto, o pacote gerou dúvidas sobre sua aceitação pelo Partido Republicano, que já havia se mostrado contrário a algumas medidas incluídas na medida. Ainda que os democratas sejam maioria na Câmara, a situação no Senado é de pequena vantagem, e  deve exigir negociações com a oposição. 

“O mercado vinha subindo muito na expectativa desse anúncio, mas não é algo que acontece do dia para a noite -- é um plano audacioso. Os dados da economia americana reforçam a necessidade de estímulos, mas também são necessários os votos do outro lado [republicano]”, afirma Gustavo Bertotti, economista da Messem

Bertotti comenta ainda que o alto volume de estímulos pode exigir aumento de impostos para arcar com seu financiamento, o que é visto com maus olhos pelo mercado. 

Nos Estados Unidos, o pessimismo quanto às dificuldades para aprovação do pacote econômico pesou no humor dos investidores e os três principais índices americanos terminaram o dia em terreno negativo. O Dow Jones recuou 0,57%, o S&P500 perdeu 0,72% e o Nasdaq registroou queda de 0,87%. 

Medidas de restrições para tentar frear o avanço da Covid-19 e suas variantes também provocaram cautela nas bolsas ao redor do mundo. Neste ano, países como China, Japão e Alemanha já endureceram os isolamentos. No Reino Unido, foram proibidos voos vindos do Brasil e de outros 14 países para conter a entrada de uma nova mutação do vírus.

O temor com novas restrições causadas pela pandemia -- somado ao pessimismo nos EUA -- derrubou as bolsas europeias, que fecharam em firme queda. O índice pan-europeu STOXX600 teve perdas de 1,04%.

Em meio ao cenário de aversão ao risco, o dólar se fortaleceu contra moedas emergentes e desenvolvidas. No Brasil, a moeda americana encerrou o dia em alta de 1,8%, negociada a 5,30 reais. O resultado quebra uma sequência de três quedas consecutivas -- o dólar encerra a semana em desvalorização acumulada de 2,08%. "É um movimento que corrige as grandes altas que a moeda apresentou nos últimos dias", afirma João Vitor de Freitas, analista da Toro Investimentos.

Na bolsa, as ações mais prejudicadas são as relacionadas às commodities, que costumam sofrer em dias de realização. As siderúrgicas figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa, após fortes ganhos nas últimas semanas. CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) são destaques negativos, com desvalorizações que chegam a 8%.

Em pontos, Vale (VALE3), Petrobras (PETR3; PETR4) e gigantes do setor bancário ajudam a puxar o índice para baixo. Confira os principais destaques de ações em destaque aqui.

Segundo Bertotti, questões internas, como a gravidade da pandemia em Manaus e a possibilidade de medidas mais duras para conter a pandemia em outras capitais e estados também contribuem para o tom negativo na bolsa local. “A situação é preocupante e medidas devem ser tomadas. O país, no entanto, está com um cenário de endividamento extremamente alto”, diz Bertotti. Entre os principais índices de ações do mundo, o Ibovespa tem a pior performance.

No radar dos investidores também seguem as vendas do varejo de novembro, divulgado nesta manhã pelo IBGE. O resultado veio abaixo do esperado, apontando para uma queda mensal de 0,1% ante a expectativa de alta de 0,4%. Na comparação anual, as vendas tiveram alta de 3,4%.

“Para o próximo mês (dezembro), devemos ter novo resultado fraco, já confirmado pela performance ruim das vendas automotivas, piora da confiança, novas medidas de restrição em períodos festivos e a redução do volume pago de auxílio emergencial”, avaliam analistas da EXAME Research.

Nos Estados Unidos, as vendas do varejo também decepcionaram. Referente ao mês de dezembro, as vendas tiveram queda de 0,7% em relação ao mês anterior. A expectativa era de piora de 0,2%. Este foi o segundo mês consecutivo de queda das vendas do varejo americano.

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