SPACs: conheça as Companhias com Propósito Específico de Aquisição

Conhecer mais sobre a SPAC e o seu funcionamento é fundamental para o investidor iniciante que quer começar a alocar seu capital
 (Getty/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 14/10/2022 às 11:00.

SPAC é o nome de um tipo específico de empresa que tem crescido em popularidade de forma relevante, especialmente nos EUA.

Portanto, conhecer mais sobre a SPAC e o seu funcionamento é fundamental para o investidor iniciante que quer começar a alocar seu capital.

O que são SPACs?

Special Purpose Acquisition Company, ou simplesmente SPACs, são sociedades de natureza não operacional que são constituídas por gestores para adquirir capital na bolsa de valores para, em seguida, fazer alocações estratégicas. Trata-se de uma forma mais rápida de abertura de capital do que o IPO.

Uma vez que esse tipo de aquisição de capital não tem um emprego específico de capital e os gestores podem usá-lo da forma que preferirem, é comum chamar as SPACs de sociedades “cheque em branco”.

Ou seja: não se sabe exatamente no que irá investir através do levantamento de capital. Assim, uma vez que acumulou-se o dinheiro, os gestores buscam boas candidatas à aquisição.

Por isso, é fundamental que os gestores sejam confiáveis e tenham credibilidade no mercado, pois assim conseguirão levantar mais capital, uma vez que os investidores não sabem no que o capital será empregado.

Por fim, fica claro que essa é mais uma das formas de se investir na bolsa de valores em busca de rentabilidades atraentes.

Como funcionam os SPACs?

O funcionamento das SPACs demonstra-se como uma forma que investidores possuem para aproveitar janelas de oportunidade que o mercado oferece para captar recursos e abrir capital de uma empresa.

Ou seja, fica claro que o objetivo do SPAC é usar um mecanismo simplificado para abrir capital sem a necessidade dos requisitos que geralmente são cobrados a respeito de governança, contabilidade e outros fatores.

Isso é possível, de fato, especialmente em momentos de juros baixos e alta liquidez, bem como em momentos de queda de ativos, em que é possível adquirir empresas por valores mais baixos.

Assim, essas sociedades têm como objetivo procurar uma empresa de capital fechado para adquirir com os recursos levantados e, em seguida, incorporar.

Portanto, o resultado final é uma empresa de capital aberto na bolsa – porém, de forma muito mais rápida e menos burocrática.

Por isso é que é fundamental ter gestores com boa credibilidade: assim é possível que os investidores aloquem mais capital e que seja possível adquirir ativos que possam se tornar empresas de capital aberto na bolsa futuramente.

Quais as vantagens das SPACs?

Primeiramente, como já foi levantado, as principais vantagens das SPACs estão no fato de que é possível abrir o capital de uma empresa de forma muito mais simples:

  • Por exemplo: existem uma série de burocracias a respeito da contabilidade da empresa para que ela possa fazer IPO. Assim, a empresa precisa se adaptar.
  • Em segundo lugar, existem diversas questões na operação que precisam ser ajustadas, como contratação de funcionários que trabalham como pessoa jurídica, venda de ativos pouco produtivos e mais.
  • Além disso, os gestores da companhia se concentram nessa atividade e isso pode prejudicar o operacional da companhia.
  • Por fim, para atrair investidores, as empresas que querem fazer IPO acabam distorcendo seus resultados para parecerem mais lucrativas. Com os SPACs, isso não é necessário.
  • Há, ainda, o fato de que esse processo dá mais opções de investimento em ativos de renda variável para o investidor.

Ou seja: muitos dos problemas existentes nos IPOs são diminuídos no processo dos SPACs, permitindo mais oportunidades de investimentos.

Quais são as desvantagens das SPACs?

Por outro lado, existem desvantagens das SPACs que devem ser consideradas na hora de escolher alocar capital nesse tipo de investimento:

  • Em primeiro lugar, esse é um tipo de investimento sem definição clara, de forma que gestores com más intenções possam usar o capital de forma inapropriada.
  • Além disso, a SPAC pode acabar mudando a direção pretendida no começo e investir em outro modelo de negócios em busca de maior rentabilidade, e o investidor não poderá ir contra essa decisão.
  • Vale citar, ainda, que os investimentos, no fim das contas, podem ser insuficientes para investir em um ativo mais atraente. Dessa forma, os gestores precisarão buscar outras oportunidades que podem acabar não sendo tão interessantes.

Sendo assim, todo investidor deve estar atento para os riscos das SPACs antes de decidir aportar nesse tipo de levantamento de capital.

Existem SPACs no Brasil?

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não possui uma regulamentação voltada para esse tipo de levantamento de capital, pois ainda está estudando o procedimento.

A CVM discute, por exemplo, qual será a estrutura jurídica desse tipo de procedimento e qual a legislação aplicável a essas sociedades. 

Além disso, o órgão também discute a que tipo de investidor esse tipo de levantamento de capital será permitido (se será para todos ou apenas para investidores qualificados).

No entanto, não há nenhum tipo de proibição de SPACs no Brasil, de forma que esse mecanismo também pode ser utilizado até que se tenha mais definição do que é ou não permitido no país.

Ou seja: pode ser que, no futuro, com a regulamentação de SPACs no Brasil, seja possível ver grandes empresas do índice Ibovespa sendo constituídas dessa forma.

Vale a pena investir em SPACs?

Não há resposta correta quando se pergunta se vale a pena investir em SPACs, pois tudo isso depende muito de cada caso concreto.

Por exemplo: aqueles com perfil de investidor mais conservador podem preferir investimentos em renda fixa ou ações mais estáveis, como bancos e elétricas.

Por outro lado, quem é mais arrojado pode pensar em uma alocação estratégica em SPACs para aumentar sua rentabilidade dentro de uma carteira diversificada. Sendo assim, é preciso avaliar os prós e os contras para chegar a uma decisão própria.

Vale notar, por fim, que é preciso estudar sobre o tipo de investimento antes de alocar capital. Por isso, é fundamental entender em detalhes o funcionamento das SPACs.

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