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31% dos brasileiros não têm reserva de emergência, aponta pesquisa

Estudo da Anbima com o Datafolha mostra que apenas 26% da população teria dinheiro guardado para se manter por mais de seis meses

Reserva de emergência  (Nora Carol Photography/Getty Images)

Reserva de emergência (Nora Carol Photography/Getty Images)

Guilherme Santiago
Guilherme Santiago

Repórter de Projetos Especiais

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 11h22.

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Quase um terço dos brasileiros não tem dinheiro guardado para enfrentar uma emergência financeira. Para outros 20%, os recursos disponíveis durariam, no máximo, um mês. 

Os dados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima em parceria com o Datafolha, mostram que a falta de reservas ou o pouco dinheiro acumulado deixam uma parcela expressiva da população com capacidade limitada de lidar com imprevistos.

A pergunta sobre reservas de emergência foi incluída pela primeira vez nesta edição do levantamento. A pesquisa ouviu 5.832 pessoas de 16 anos ou mais, de todas as classes econômicas, nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025. A margem de erro geral é de um ponto percentual, para mais ou para menos.

Quanto tempo o dinheiro dura

A capacidade de enfrentar uma emergência varia conforme a relação das pessoas com os investimentos. Entre os brasileiros classificados como investidores pelo estudo, 42% têm recursos para mais de seis meses e 47%, para até seis meses. Ainda assim, 11% desse grupo afirmam não ter reserva de emergência.

Entre os não investidores, a ausência de proteção é mais frequente: 42% não têm dinheiro reservado para imprevistos. Segundo o levantamento, apenas 17% poderiam se manter por seis meses ou mais em uma emergência.

A pesquisa considera investidores aqueles que possuíam algum produto financeiro no momento da entrevista. Em 2025, esse público correspondia a 36% da população, ou cerca de 60,6 milhões de pessoas. Os outros 64%, equivalentes a 107,7 milhões, não investiam nesses produtos.

Os números mostram que possuir uma aplicação financeira e contar com uma reserva de emergência são condições distintas. Há investidores sem recursos destinados a imprevistos, assim como existem pessoas que não utilizam produtos financeiros, mas afirmam ter dinheiro guardado para essas situações.

O orçamento limita a reserva

A dificuldade de formar uma proteção financeira aparece também nos dados sobre a capacidade de poupar. Em 2025, 33% dos brasileiros conseguiram economizar algum dinheiro, mesmo percentual do ano anterior. Houve avanço em relação aos 27% registrados em 2021, mas dois terços da população continuaram sem conseguir guardar recursos ao longo do ano.

A relação entre renda e despesas ajuda a explicar esse quadro. Aproximadamente um terço dos entrevistados relatou ter gastado mais do que ganhou nos seis meses anteriores à pesquisa. Apenas um quinto afirmou ter consumido menos do que recebeu. Para a maior parcela, os gastos ficaram próximos da renda.

O desequilíbrio é mais frequente na base da pirâmide: na classe DE, 47% disseram ter despesas superiores aos rendimentos. Na classe AB, por sua vez, 31% afirmaram gastar menos do que ganham.

Entre as pessoas cujas despesas superam a renda, apenas 15% conseguiram economizar em 2025, ante 33% na população em geral. Nesse grupo, a proporção de quem não tem reserva chega a 41%, e 45% possuem dívidas em atraso, acima dos 29% registrados no conjunto dos entrevistados.

A combinação de gastos maiores que a renda, dívidas e baixa capacidade de poupança reduz o espaço para construir uma reserva. O estudo associa novos avanços no hábito de guardar dinheiro também à melhora das condições econômicas e de vida da população.

Dinheiro e estresse

A falta de recursos para emergências aparece ainda relacionada ao estresse financeiro. Entre as pessoas com nível elevado de estresse, 39% não têm reserva, contra 31% na população em geral.

Nesse mesmo grupo, 82% não conseguiram economizar nada em 2025 e 41% tinham dívidas em atraso. Os dados mostram uma associação entre pressão financeira e menor capacidade de poupar, sem estabelecer uma relação de causa e efeito entre esses fatores.

A vulnerabilidade, portanto, envolve tanto a ausência de dinheiro para um imprevisto quanto a dificuldade de abrir espaço no orçamento para começar a acumulá-lo.

A aposentadoria fica para depois

Se a maioria afirma ter algum recurso para emergências, a preparação financeira para a aposentadoria é bem menos disseminada. Entre as pessoas ainda não aposentadas, apenas 16% começaram a formar uma reserva para essa fase da vida, o menor percentual da série histórica.

Outros 57% pretendem começar, mas ainda não deram o primeiro passo. Já 27% não iniciaram uma reserva e dizem não ter intenção de fazê-lo. Ao todo, 84% dos não aposentados ainda não começaram a poupar para a aposentadoria.

A expectativa de sustento permanece concentrada na previdência pública. Entre os que ainda não se aposentaram, 60% apontam o INSS como fonte de renda futura. Entre os já aposentados, a dependência efetiva chega a 93%.

Da emergência à aposentadoria, o levantamento expõe a distância entre precisar de proteção financeira e conseguir construí-la. Para quase um terço dos brasileiros, o desafio começa antes de discutir quanto tempo a reserva deveria durar: ainda não há dinheiro guardado para enfrentar o próximo imprevisto.

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