Tratado proíbe armas nucleares, mas só para quem não tem

Campanha que gerou o acordo, que entra em vigor nesta sexta-feira, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2017. Brasil não ratificou o documento

Entra em vigor, nesta sexta-feira, o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Teoricamente, o acordo veta o desenvolvimento, a venda ou simplesmente a posse e o armazenamento disse tipo de armamento. Na prática, há sérias dúvidas sobre a efetividade da ação.

0 tratado foi negociado por 130 países. Mais de 80 assinaram o documento, incluindo o Brasil, em 2017. Para entrar em vigor, 50 países deveriam ratificar o documento. O número foi alcançado em outubro do ano passado, com as ratificações por Jamaica, Nauru e Honduras - o Brasil ainda não aprovou a assinatura no Congresso. O problema é que nenhum dos nove países detentores de armamentos nucleares sequer assinou o tratado. Também ficaram de fora os membros da OTAN.

A principal crítica ao tratado é que ele não traz uma alternativa viável para o desarmamento. O documento permite que nações nucleares entrem para o grupo antes de destruírem suas armas. Fica determinado, no entanto, a imediata inutilização das ogivas. Esse processo deverá ser certificado por uma entidade reconhecida internacionalmente. A questão é que essa organização não está especificada.

Críticos da iniciativa também alegam que ela pode atrapalhar o tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, em vigor a mais tempo e assinado por diversos países detentores da tecnologia destrutiva.

Efetivo ou não, o tratado que entra em vigor nesta sexta-feira promove um debate importante sobre os riscos de manter ativo um arsenal capaz de destruir a humanidade dezenas de vezes - o que, em essência, é um desperdício, pois a autodestruição só é possível uma vez. A campanha internacional que resultou no tratado, inclusive, ganhou o Prêmio Nobel de Paz em 2017.

Resquícios da Guerra Fria

Enquanto países não nucleares se esforçam para impedir o aumento do arsenal, Rússia e Estados Unidos, os maiores ícones globais do poder atômico, ainda não se entenderam sobre a dimensão dos seus estoques. O novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), que foi assinado em 2010 pelas duas potências, expira em fevereiro e, ao menos durante a administração de Donald Trump, não houve acordo para sua prorrogação.

O acordo restringe o número de ogivas nucleares estratégicas que os dois países podem mobilizar, além de mísseis e dos bombardeiros que os transportam. Não renovar o pacto anularia todas as restrições, o que poderia dar ensejo a uma corrida armamentista pós-Guerra Fria e ampliar as tensões entre as duas maiores potências nucleares do mundo.

 

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 1,90

Nos três primeiros meses,
após este período: R$ 15,90

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Atenção! A sua revista EXAME deixa de ser quinzenal a partir da próxima edição. Produziremos uma tiragem mensal. Clique aqui para saber mais detalhes.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.