#NãoVolte: “Precisamos impedir a próxima crise”, diz coordenador da ONU no Brasil

A Agenda 2030 propõe caminhos para resolver os grandes problemas da humanidade. Mas, cinco anos após sua aprovação, pouco foi feito efetivamente

#nãovolte a esquecer que um amanhã melhor é uma construção coletiva

Após duros meses da maior crise sanitária de nosso tempo, com muitas restrições em nossas vidas profissionais e pessoais, chegamos ao final de 2020 ansiosos para que a vida volte ao normal. É natural que seja assim. Mas devemos nos perguntar: que normal é esse? O que havia de errado em nossa vida dita normal que possibilitou a emergência de uma pandemia com as proporções da COVID-19 e que nos jogou na maior recessão global em oito décadas?

A COVID-19 já tomou mais de 1,5 milhão de vidas. Para termos a dimensão da tragédia, é como se 5 mil aviões comerciais tivessem caído, sem sobreviventes. Mas essas não foram as únicas vítimas dessa tragédia. A doença atingiu 70 milhões de pessoas, causou o colapso de diversos sistemas de saúde e devastou a vida de milhões de famílias. Além dos efeitos na saúde, a pandemia e as necessárias medidas de contenção da disseminação do vírus acarretaram efeitos socioeconômicos severos, que afetaram desproporcionalmente as pessoas mais vulneráveis.

A pandemia de COVID-19 deixou expostas as feridas da pobreza, da fome, da falta de acesso à saúde e à educação e das múltiplas desigualdades de nossas sociedades. Mulheres, afrodescendentes, indígenas, crianças e adolescentes sofreram os impactos da crise mais intensamente, na maior parte do planeta. Mas nada disso é novidade. Bem antes da pandemia, já conhecíamos esses problemas. Mais do que isso, já tínhamos um plano traçado para superá-los. Me refiro, claro, à Agenda 2030 e a seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Aprovada em 2015 pelos países membros das Nações Unidas, sob intensa liderança do Brasil, a Agenda 2030 propõe caminhos para resolver os grandes problemas da humanidade e promover o desenvolvimento sustentável do ponto de vista social, econômico e ambiental. É um plano viável para que todas as pessoas em todos os países melhorem suas vidas, sem deixar ninguém para trás.

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Cinco anos após sua aprovação, pouco avançamos em sua implementação efetiva. Na virada de 2019 para 2020, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um chamado para que esta fosse a Década de Ação, ou seja, para que de 2020 a 2030, todos os países, todos os setores, todas as pessoas intensificassem seus esforços para tirar esse plano do papel. A pandemia de COVID-19 e a gigantesca crise por ela ocasionada nos mostram a pertinência e a urgência desse chamado.

Os problemas que deixamos de resolver, como falta de acesso a saneamento básico e saúde universal, nos trouxeram até aqui. Então eu pergunto: o que vamos fazer para impedir a próxima crise? O futuro depende das escolhas que estamos fazendo agora, diariamente, e isso vale para governos, indivíduos, instituições, empresas. Que escolhas o setor empresarial brasileiro vai fazer a partir de agora? Já sabemos que voltar ao que tínhamos antes não é uma alternativa.

Esta crise nos mostra por que é tão importante não deixar ninguém para trás. Nenhuma pessoa e nenhum país podem se isolar. O vírus não respeita fronteiras, assim como muitos outros problemas da atualidade, como a crise climática. Este mundo interconectado é tão forte quanto seu elo mais frágil, e por isso os grandes desafios globais precisam ser enfrentados de forma coordenada e com os esforços de todos. Precisamos também de foco nas pessoas, principalmente nas famílias e comunidades de baixa renda, nas pequenas e médias empresas que geram milhões de empregos, nos trabalhadores informais.

Quem serão as lideranças que tomarão a frente nesse processo de reconstrução do nosso mundo e dos nossos meios de vida?

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A Rede Brasil do Pacto Global fez um chamado para que o setor empresarial assuma essa posição de liderança. A campanha #NãoVolte convoca empresárias e empresários a colocarem seus recursos e sua capacidade de inovação a serviço de uma retomada econômica sustentável pós-COVID, para que esta crise seja transformada em uma oportunidade para construirmos um mundo mais verde e inclusivo.

Para alcançarmos isso, a Agenda 2030 continua sendo nossa guia. Sem o setor privado, alcançar os 17 ODS seria totalmente impossível, e por isso, precisamos do compromisso de empresárias e empresários. Não me refiro aqui ao compromisso de fazer contribuições esporádicas aos ODS, mas sim ao engajamento permanente e concreto do core business das empresas com o cumprimento dos ODS. Um amanhã melhor é uma construção coletiva.

Além de dar escala e trazer inovação aos esforços de recuperação da crise e de promoção do desenvolvimento sustentável, as empresas têm um enorme potencial de advocacy. As vozes de empresárias e empresários são ouvidas, suas opiniões são levadas em consideração. Então, faço um apelo: usem sua voz. Pressionem os mercados, os fundos de investimento, os bancos, os governos. Usem sua voz para exigir as transformações estruturais necessárias e sejam, vocês, a força catalisadora para que todas e todos nós atuemos, com energia e compromisso renovados, na construção de um Brasil mais justo, inclusivo e sustentável. Este país de oportunidades e realizações sonhado por todas e todos é possível e está ao nosso alcance, desde que cada uma e cada um faça sua parte.

Niky Fabiancic é coordenador residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e membro do conselho da Rede Brasil do Pacto Global.

#NãoVolte

A campanha #NãoVolte é uma iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global para que o mundo não volte ao normal após a pandemia. Para saber mais, acesse este link e assista ao vídeo: 

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