Investidores da Coreia do Sul querem cortar vínculos com o carvão

Preocupação ambiental pressiona gestores de fundos a abandonarem investimentos em setores poluentes

Há um mês a Coreia do Sul entrava para o clube de países que assumiram compromissos públicos para a redução das emissões de carbono. Agora, o país passou a contar com o apoio dos principais gestores de fundos de investimento do país que, em incentivo a um futuro de descarbonização, afirmaram que não irão mais colocar dinheiro em segmentos poluentes.

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De acordo com o jornal Financial Times, as dez principais empresas de ativos do país se mobilizam para evitar a injeção de uma quantia equivalente a 4,5 bilhões de dólares em uma usina de carvão na província de Gangwon. Entre as companhias estão a Hanwha, KB Asset Management e Shinhan BNP Paribas Asset Management. Juntos, os dez fundos administram 180 bilhões de dólares - cerca de 70% do mercado de títulos da Coreia do Sul.

A planta de Samcheok Blue Power está sendo construída por dois grandes grupos empresariais: Posco E & C e o Doosan Heavy Industries & Construction. Segundo o FT, a usina ainda precisa de um financiamento de 730 milhões de dólares para ser concluída. Por esse motivo, a desistência das gestoras passa a ser um obstáculo ao mercado de combustíveis fósseis.

A estimativa é que a planta emita cerca de 390 milhões de toneladas de gases de efeito estufa nos próximos 30 anos a partir da sua inauguração, em 2024.

A Samsung Asset Management, maior gestora de fundos da Coreia, decidiu não assumir uma posição sobre a Blue Power, mas afirmou que suas unidades financeiras deixarão de investir em projetos aliados à fonte poluente.

A decisão das gestores é embasada na pressão por parte de grupos de ativistas que pedem pelo cancelamento da construção da usina e pelo fim das relações de fundos de ativos com os combustíveis fósseis e um maior investimento em energias limpas e renováveis.

Ásia sem carbono

A preocupação da Coreia do Sul vem acompanhada das recentes movimentações dos países asiáticos em abolir o carbono em uma nova economia limpa. Às vésperas da renovação dos objetivos implementados no Acordo de Paris, a China anunciou que será neutra em carbono até 2060, dez anos mais tarde do que o prometido pelo Japão.

Em setembro, o governo da Coreia do Sul havia definido medidas restritivas para usinas termelétricas com intuito de reduzir a participação do carvão na matriz de energia elétrica do país. Para isso, o presidente Moon Jae-In havia anunciado o fechamento de 30 usinas de carvão até 2034, sendo que 10 delas deveriam ser desativadas até o final de 2022, conforme relatado pelo jornal coreano The Korea Herald.

“O governo trabalhará com as pessoas para trazer de volta o céu azul com políticas ambientais mais poderosas”, disse ele, acrescentando que as metas estão alinhadas com o esforço de seu governo para reduzir as emissões de carbono e de gases do efeito estufa”, disse o governante na ocasião.

Ao mesmo tempo, o país prometeu a neutralidade em carbono até 2050. Para isso, a Coreia pretende triplicar o número de instalações de geração eólica e solar até 2025. Hoje, apenas 5% da eletricidade no país vem de fontes renováveis. Além disso, o país terá de continuar a frear o financiamento de projetos de energia ligados ao carvão, que desviaram cerca de 55 bilhões de dólares na última década.

 

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