Eletrobras cai 11% na semana e lidera perdas; só 11 ações do Ibovespa sobem

Confira os principais destaques de ações desta sexta-feira

Na quarta sessão seguida de queda do Ibovespa, que recuou 0,80% nesta sexta-feira, 22, as principais contribuições negativas para o índice em pontos vieram dos papéis de Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR3; PETR4), que caiu acompanhando a queda de 1,7% dos preços do petróleo Brent no exterior, e Ambev (ABEV3).

Em variação, o IRB Brasil (IRBR3) liderou as perdas, com recuo de 8,95%, após apresentar prejuízo líquido de 124,5 milhões de reais em novembro, seguida por CVC Brasil (CVCB3), que caiu 4,98%, sentindo os impactos dos aumentos de medidas de restrição em São Paulo e em outras partes do mundo, como em países da Europa, na China e em Hong Kong. Na terceira pior posição, apareceu Eletrobras ON (ELET3), com privatização em xeque e corte de recomendação pelo Bradesco BBI.

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Na semana, os papéis preferenciais e ordinários da Eletrobras lideraram as perdas do índice, acumulando no período queda de mais de 11%. A terceira pior posição ficou com IRB Brasil, com desvalorização de 10,25%. Do outro lado, somente 11 das 81 ações do benchmark da Bolsa brasileira fecharam em alta, com B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3) e Totvs (TOTS3) avançando 9,85%, 8,47% e 7,20%, respectivamente.

Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:

Eletrobras

Dando continuidade às perdas registradas ontem após declaração do candidato à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco, de que a privatização da companhia não é prioridade, as ações da Eletrobras (ELET3; ELET6) caíram mais 3,39% e 2,70%, respectivamente, nesta sessão. Nos últimos dois pregões, os papéis da companhia acumulam perdas entre 8% e 9%.

O movimento acompanhou ainda um corte de recomendação hoje dos papéis da elétrica pelo Bradesco BBI, de outperform, equivalente a compra, para neutra. Em relatório, a equipe de análise do banco, liderada por Francisco Navarrete, comenta que, embora veja com cautela a declaração de Pacheco, dado o ambiente eleitoral (com a disputa pelo Senado marcada para fevereiro), ainda não está claro se ele mudará sua posição atual -- lembrando que, "notadamente, a privatização da Eletrobras poderia trazer cerca de 30 bilhões de reais ao Tesouro Federal".

Ainda assim, os analistas apontam que, sem um patrocinador forte no Senado, a votação do projeto de privatização da companhia poderia escorregar para o segundo semestre de 2021, o que seria negativo, uma vez que se aproximaria de 2022. Nesse contexto, "os políticos estariam focados nas eleições presidenciais/governamentais, deixando de lado temas polêmicos como a privatização".

Sob a perspectiva de valuation, os analistas acreditam que o risco/recompensa das ações da Eletrobras ainda é atrativo. O valor justo que consideram para a ação da estatal é de 33 reais, com ambas as classes de ações sendo negociadas com um desconto de cerca de 6% em relação a esse "piso" teórico. "No entanto, se a privatização da companhia se tornar duvidosa e o Congresso se arrastar para aprovar o projeto de lei, a equipe de gestão liderada por Wilson Ferreira Júnior poderia sair por falta de visibilidade no futuro - ele se juntou em 2016 à companhia para resgatar a Eletrobras da quase falência e ajudar a privatizá-la".

Nesse cenário, o "piso" teórico do papel seria rompido por especulações de que o desempenho da companhia se deterioraria novamente para se tornar uma estatal "ruim", o que levaria o valor justo da ação, em suas avaliações, para 24,00 reais, o que implica em uma queda de 25% frente ao patamar atual, comentam. "Como resultado, dada a incerteza desses eventos, preferimos ficar à margem por enquanto dos papéis".

No cenário-base do banco, o preço-alvo projetado para os papéis para 2021 é de 39,00 reais para ELET3 e de 41,00 reais para ELET6, o que inclui uma probabilidade de 90% da privatização não ocorrer, mas mantendo as melhorias operacionais realizadas pela equipe de gestão de Wilson Ferreira Júnior. No cenário mais otimista, que inclui a privatização da empresa, o preço-alvo das ações é de 57,00, o que implica em uma valorização de 81,3%.

IRB Brasil

O IRB Brasil (IRBR3) puxa as perdas do Ibovespa na sessão após o ressegurador registrar prejuízo líquido de 124,5 milhões de reais em novembro, segundo relatório de desempenho mensal divulgado nesta data. Excluindo o impacto dos negócios descontinuados, o prejuízo do ressegurador foi de 80,7 milhões de reais.

Já o faturamento bruto, representado pelos prêmios emitidos, atingiu 709,8 milhões de reais no período, aumento de 10,2% frente ao reportado no mesmo mês de 2019. Em outubro, a companhia arrecadou 692,9 milhões de reais.

As ações da companhia encerraram 2020 com o pior desempenho do Ibovespa, com queda de 76,89%, em meio à crise de confiança gerada por uma série de adversidades envolvendo a empresa, entre elas, fraude contábil, que resultou na troca de comando e republicações de resultados financeiros, entre outras medidas.

Banco do Brasil

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram 1,43% e atingiram seu menor patamar de fechamento desde 16 de novembro. Essa foi a oitava sessão consecutiva de perdas dos papéis, que acumulam no período queda de 14,7%. O movimento ocorre após especulações na metade do mês sobre a saída do atual presidente da instituição, André Brandão, depois que um programa de desligamento voluntário de funcionários e fechamento de agências ter incomodado o presidente Jair Bolsonaro.

Em documento enviado pela instituição financeira ao mercado ontem, no entanto, o conselho de administração do BB, que se reuniu na última quarta-feira, diz que não recebeu nenhuma comunicação formal a respeito de possível destituição do presidente do banco e tão pouco houve qualquer espécie de interferência do acionista controlador (o governo federal) na execução das medidas de eficiência anunciadas.

No documento, o conselho do banco deixa claro que o Programa de Ajustamento de Quadros (PAQ) foi aprovado “em caráter permanente” pelos conselheiros em 2019. “A aprovação dos programas cumpriu toda governança da companhia, tendo transitado, inclusive, pela Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais (Sest) do Ministério da Economia”, garante o documento.

O conselho de administração comenta ainda que chamou a reunião de ontem para obter satisfações a respeito de como estava a implementação das medidas e constatou que seguem “sendo executadas exatamente como aprovadas”.

“Não poderia ser diferente, pois os conselheiros aqui signatários reiteram seu compromisso com as melhores práticas de governança corporativa, com a estrita observância de suas atribuições estatutárias e de seu dever de diligência, lealdade e defesa dos interesses da companhia que lhes é exigido pela Lei 6.404/1976, notadamente os arts. 153 a 155. Com efeito, não seria admitido a estes conselheiros anuir com qualquer prática que porventura viesse a ser adotada contrariamente aos melhores interesses da companhia e de seus acionistas, especialmente à luz das disposições das Leis 6.404/1976 (art. 116, § único) e 13.303/2016 (arts. 14, II, e 15)”, afirma o documento.

BTG Pactual 

As units do BTG Pactual (BPAC11), que chegaram a subir quase 2% na máxima do dia, amenizaram o movimento e fecharam em leve alta de 0,06%. O banco precificou sua oferta primária subsequente (follow on) em 92,52 reais por unit, levantando 2,57 bilhões de reais com a operação, segundo fato relevante divulgado ao mercado na quinta-feira à noite. O valor por unit na oferta teve um desconto marginal de 0,3% frente ao preço de fechamento dos papéis na véspera, em 92,82 reais.

O banco pretende utilizar os recursos para acelerar iniciativas estratégicas e o crescimento da área de negócios de varejo digital, bem como manter fortes indicadores de capital e liquidez, entre outros.

Após o follow-on, o novo capital social do banco passará a ser de 12,6 bilhões de reais, dividido em 1.784.211.500 ações ordinárias, 662.472.466 ações preferenciais classe A e 349.356.340 ações preferenciais classe B.

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