Saiba como ficam os investimentos com o aumento da inflação

Poupança teve a maior perda de poder aquisitivo em 18 anos por causa da aceleração da inflação, mas fenômeno afetou até quem apostou no Ibovespa

A inflação subiu acima do esperado em 2020 e surpreendeu o mercado. Já com o ano encerrado, a expectativa era a de uma alta de 4,37% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial da economia brasileira. O resultado anunciado, porém, foi uma alta de 4,52% no acumulado de 12 meses de janeiro a dezembro.

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A consequência dessa alta dos preços é um rendimento real mais baixo para as aplicações atreladas à taxa Selic, como poupança e títulos -- tanto públicos, como o Tesouro Direto, quanto privados, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Essas aplicações são prejudicadas porque a inflação está superando o rendimento oferecido por elas. Como o IPCA subiu e a Selic continuou na mínima histórica de 2% ao ano, a rentabilidade foi negativa.

As aplicações atreladas à Selic já estavam no campo negativo desde meados de 2020, quando os juros foram rebaixados para 2,25% ao ano. O que já estava baixo, porém, conseguiu cair ainda mais. Em dezembro, o IPCA subiu 1,35%: foi a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 e o maior índice para um mês de dezembro desde 2002.

“O resultado da inflação para 2020 surpreendeu porque houve um aumento significativo nos dados do IPCA relativos ao último trimestre do ano, o que impulsionou a inflação para além das expectativas do mercado”, afirma Arthur Mota, economista e especialista em macroeconomia da EXAME Research

A grande prejudicada foi a poupança. A aplicação registrou, no ano de 2020, queda de poder aquisitivo de 2,30%, o que representa o maior prejuízo em 18 anos, segundo a consultoria Economatica. O tombo só fica atrás da redução de 2,90% no ano de 2002, marco da maior perda de poder aquisitivo para a poupança desde o início do Plano Real.

Isso tudo, no entanto, já ficou no passado. “Quem colocou capital em investimentos atrelados à Selic ao longo de 2020 já perdeu dinheiro e não há como voltar atrás. A pergunta agora é se a inflação vai continuar subindo e o que fazer para se prevenir”, alerta Guilherme Artmann, head de renda fixa da Easynvest

Para 2021, o mercado projeta no momento o IPCA a 3,75% na taxa acumulada do ano. Neste cenário, aplicações que já perderam muito no ano passado podem continuar no prejuízo -- será preciso obter uma rentabilidade descontada de taxas e tributos acima de 3,75% para obter algum ganho real. Um caso emblemático é o do Tesouro Selic, título público que tem sua rentabilidade atrelada à taxa Selic. Para Artmann, uma alternativa é trocar o investimento por um título de renda fixa privado, que costuma oferecer retornos mais altos. Outra saída é apostar no Tesouro IPCA, que é atrelado à inflação e, portanto, protege o investimento de perdas causadas pela alta nos preços.

“Ainda assim, é importante lembrar que essas opções oferecem menos liquidez que o Tesouro Selic -- ainda considerado uma opção muito segura para o dinheiro do dia a dia”, afirma Artmann. Alguns especialistas recomendam ainda que o ideal em termos de rendimento é alongar a carteira -- buscar títulos com vencimento mais distante -- e diversificar. Pensando nisso, a EXAME preparou um especial sobre o que saber antes de investir em renda fixa em 2021

Os títulos da renda fixa atrelados à Selic, no entanto, não foram os únicos ativos afetados pela alta do IPCA. Segundo a Economatica, o CDI (taxa de referência da renda fixa) e o Ibovespa também encerraram o ano com rentabilidade negativa descontada a inflação. O Ibovespa, a propósito, está hoje 15,93% abaixo do seu maior valor ajustado pelo IPCA. A maior pontuação, sob essa perspectiva, foi alcançada no dia 20 de maio de 2008, quando o índice atingiu 146.615 pontos em termos ajustados.  Entenda as principais formas de analisar o Ibovespa nesta matéria.

Para quem está na bolsa e pretende superar o CDI e conseguir rendimentos reais, o "stock picking" (escolha de ações que vão subir acima da média) será uma estratégia importante, segundo analistas ouvidos pela EXAME. Para saber quais as melhores escolhas, conheça as 9 ações mais recomendadas por bancos e corretoras para este ano.

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