BB cai 5% com rumor de saída de CEO, Carrefour reduz alta e Usiminas afunda 6%

Confira os principais destaques de ações desta quarta-feira

Depois de subirem quase 9% na máxima do dia, as ações do Carrefour Brasil (CRFB3) amenizaram o movimento nesta tarde e fecharam com alta de 1,04% após o ministro das finanças da França, Bruno Le Maire, comentar que o governo se opõe à compra da varejista pela canadense Couche-Tard.

Em entrevista à rede de televisão France 5, o ministro disse ainda que o abastecimento de alimentos na França é crucial para a soberania do país. Os comentários, no entanto, não chegaram a impactar os ativos da companhia negociados na Bolsa de Paris, que fecha às 13h30, horário de Brasília. Por lá, as ações do Carrefour encerraram em alta de 13,4%.

Nesta quarta, a rede canadense Couche-Tard confirmou oferta pelo grupo francês Carrefour de 20 euros por ação. O valor corresponde a um prêmio de cerca de 29% frente ao fechamento de ontem dos papéis na Bolsa francesa (em 15,47 reais).

Conheça o maior banco de investimentos da América Latina e invista sem medo de balelas.

Em comunicado, a Couche-Tard informou que os termos da transação estão em discussão e continuam sujeitos a diligência, mas a consideração atualmente deve ser em dinheiro na grande maioria.

O Carrefour Brasil disse, por meio de fato relevante divulgado nesta manhã, que tomou divulgou conhecimento do projeto de combinação de negócios entre as empresas e que seu controlador Carrefour França declarou que as negociações se iniciaram por meio de um contato amigável da Couche-Tard e que estão em fase preliminar.

Os analistas do Credit Suisse comentam que as mudanças indiretas no grupo de controle do Carrefour Brasil devem desencadear a cláusula de tag along (mecanismo de proteção legal concedido aos acionistas minoritários em operações de mudança no controle da empresa). Eles apontam que o valor atribuído às operações brasileiras deve ser o driver de CRFB3 para os próximos meses.

Banco do Brasil 

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) chegaram a cair quase 6% com notícia sobre possível saída do presidente André Brandão, dias depois de o banco anunciar uma reestruturação para reduzir os custos. Os papéis fecharam com queda de 4,94%. Segundo informações da mídia, o presidente Jair Bolsonaro teria ficado insatisfeito com enxugamento promovido por Brandão na instituição financeira.

Vale e siderúrgicas

Entre as maiores baixas do Ibovespa, apareceram as ações das siderúrgicas, com Usiminas (USIM5) puxando as perdas do índice, com queda de 6,07%. Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e CSN (CSNA3) caíram 3,31%, 2,57% e 4,81%, respectivamente. No mesmo sentido, os papéis da mineradora Vale (VALE3) recuaram 2,99%. O movimento ocorre em meio à queda do minério de ferro, com realização de lucros. A commodity negociada no porto chinês de Qingdao registrou baixa de 1,48%, sendo cotada em 170,11 dólares a tonelada.

Ambev

As ações da Ambev (ABEV3) caíram 3,75% após corte de recomendação pelo Bradesco BBI. O banco rebaixou a classificação dos papéis de neutra para underperform, equivalente a venda. O preço-alvo foi mantido em 15,50 reais, o que implica um potencial de queda de 8% frente ao fechamento de ontem.

Os analistas Leandro Fontenesi e Matheus Sleiman, que assinam o relatório, comentam que as ações subiram cerca de 20% nos últimos seis meses, praticamente em linha com o Ibovespa, com investidores precificando uma recuperação do consumo de cerveja com a reabertura da economia. No entanto, para eles, as expectativas do mercado podem estar muito otimistas.

Na visão deles, o fim do coronavoucher deve pesar sobre a demanda de cerveja, citando que enquanto a taxa de desemprego no país cresceu para aproximadamente 14% em outubro de 2020 (frente a 11% em janeiro) — dado que geralmente tem correlação negativa com a produção de cerveja –, a produção de bebidas alcoólicas no Brasil cresceu 19% no terceiro trimestre, na comparação anual, 9% até agora no quarto trimestre.

Segundo os analistas, essa desconexão entre os dados de emprego e consumo de bebidas no Brasil tem sido parcipalmente sustentada pelo programa de auxílio emergencial do governo, que terminou em dezembro, o que deve ter um impacto negativo na demanda.

Tal cenário, comentam, foi ainda reforçado depois de reuniao com a Associação Brasileira da Indústria de Cerveja (CervBrasil). “Ficamos mais confiantes sobre suas estimativas de queda de 2% no volume de cerveja da Ambev este ano”. Segundo eles, a associação disse que espera uma queda de 3,5% no volume de cerveja no país em 2021, com o fim do programa de auxílio.

Frigoríficos

Em relatório, analistas do Bank of America comentam que 2020 foi um ano transformacional para as empresas de proteínas brasileiras. Apesar da covid-19, o cenário do setor foi bastante positivo. Eles destacam a forte demanda por proteínas, inflação de alimentos de dois dígitos, real mais fraco frente ao dólar, exportações sólidas e margens anormalmente boas nos Estados Unidos no segundo trimestre.  No entanto, comentam que as ações do setor, com exceção da Marfrig (MRFG3), tiveram um desempenho inferior ao do Ibovespa no ano passado em 12%.

Vendo perspectivas ainda positivo para o setor em 2021 e valuation das ações em patamar atrativo, eles reforçaram visão otimista para os frigoríficos, apontando este como o ano de colher os bons frutos gerados em 2020. Eles apontam as ações de JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3) como suas favoritas, uma vez que acreditam que esses papéis tenham o maior potencial de revisão para cima dos lucros. Além disso, reiteraram recomendação de compra para Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3). 

Nesta sessão, as ações de JBS subiram 0,93%, enquanto as de BRF, Marfrig e Minerva caíram 0,56%, 0,14% e 1,90%, respectivamente.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 15,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Atenção! A sua revista EXAME deixa de ser quinzenal a partir da próxima edição. Produziremos uma tiragem mensal. Clique aqui para saber mais detalhes.