Bancos sobem tarifas para driblar impacto de juros negativos na Europa

Grupos como Santander e ING buscam compensar impacto negativo com tarifas cobradas de clientes que fazem uso reduzido de serviços e produtos

Em tempos normais, banqueiros que administram ativos acima de 1 trilhão de dólares não estariam procurando por moedas embaixo do sofá.

Mas agora gigantes financeiros europeus como Santander e ING buscam obter mais receita de clientes. A introdução de encargos e aumento das tarifas mostram como um futuro com juros abaixo de zero obriga bancos da zona do euro a transferirem mais custos para os clientes.

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Embora as táticas possam sair pela culatra, acelerando a mudança de correntistas para os chamados neobancos de baixo custo, podem ajudar instituições tradicionais a venderem produtos mais lucrativos.

Para um banqueiro, “se você tiver apenas uma conta corrente comigo, perco dinheiro”, disse Angel Corcostegui, ex-CEO do Santander e fundador da firma de private equity Magnum Capital Industrial Partners. “Os bancos precisam ser mais claros sobre os custos que assumem.”

O movimento em direção a mais tarifas deve ter mais impacto sobre pessoas que não têm salário fixo ou os meios para comprar produtos financeiros, disse Patricia Suárez, presidente da Associação de Usuários Financeiros (Asufin). “Estão separando clientes mais lucrativos dos menos lucrativos”, disse.

Na Espanha, o Santander vai introduzir no ano que vem uma taxa mensal de até 20 euros em contas correntes para clientes que não cumpram determinados critérios, que incluem pagamento em salário e a compra de pelo menos outro produto financeiro.

O Banco Bilbao Vizcaya Argentaria começou a cobrar clientes com mais de 29 anos que não têm salários depositados e usam a conta para pagar despesas. Passará também a cobrar 2 euros pela utilização dos serviços de caixa e 0,4% por transferências.

O ING, que por muitos anos promoveu contas correntes gratuitas na Espanha, enviou e-mail para clientes dizendo que começaria a cobrar 10 euros por mês para contas com mais de 30 mil euros (37 mil dólares) se o cliente não usar o ING para depósitos de salário ou receber pelo menos 700 euros por mês de renda.

Um comunicado do ING citou “o momento econômico atípico em que as taxas de juros (que definem o preço do dinheiro) caem indefinidamente”.

Um comunicado do Santander enfatizou que os clientes “fiéis” evitarão novas tarifas.

No outro extremo do espectro, bancos da zona do euro também impuseram novos custos. No ano passado, o Deutsche Bank e o Commerzbank reduziram para 100 mil euros o limite para a cobrança de novos correntistas de varejo.

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