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12 ações bateram suas máximas históricas em janeiro; quais ainda valem a pena?

Movimento de alta dos papéis ocorre mesmo com correção de 6,2% do Ibovespa desde 8 de janeiro; para analistas, apesar de estarem perto de seus recordes, sete das ações seguem a preços atrativos

Mesmo com o movimento de correção do Ibovespa nos últimos dias, que acumula queda de 6,2% desde o fechamento de 8 de janeiro até o último pregão, 12 das 81 ações que compõem o índice bateram neste mês suas máximas históricas na Bolsa e ainda operam perto de seus recordes, mostra levantamento da Economatica elaborado a pedido da EXAME Invest.

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Na lista, aparecem, por exemplo, as ações da Weg (WEGE3), que encerraram 2020 como a segunda maior alta do Ibovespa, com valorização de 120%, e neste ano acumulam até o momento ganhos de 17,5%. O papel tem o posto também de maior alta da B3 dos últimos dez anos, com valorização nominal de mais de 1.230%.

Há também os papéis de NotreDame Intermédica (GNDI3), que acumulam em janeiro, até o fechamento da última sexta-feira, 22, a maior alta do índice, com valorização de 24,51%. O movimento foi guiado pelo anúncio de fusão com a Hapvida (HAPV3), que também integra a lista das máximas e sobe no mês 14,06%.

Apesar do forte desempenho recente, analistas apontam ainda como atrativas sete das 12 ações que compõem o levantamento, entre elas, os três papéis citados acima.

Mesmo perto de seus recordes históricos, eles acreditam que essas companhias estão em momentos operacionais interessantes, com boas perspectivas pela frente. Abaixo, confira a lista completa das ações e, a seguir, os ativos mencionados pelos especialistas:

Quais dessas ações ainda valem a pena? 

Da lista, o estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, diz que ainda vê como interessantes as ações de Vale (VALE3) e Localiza (RENT3).

No caso da mineradora, ele diz que segue bem otimista com a ação. "Acredito que 2021 vai ser um bom ano para a empresa. A China deve crescer mais de 8%, os Estados Unidos mais de 5%. O mundo como um todo deve ter um ano de recuperação. Isso sustentará os preços das commodities em patamares mais elevados, com destaque para o minério de ferro. Além disso, a Vale anunciou que não cumprirá sua meta de produção, o que sustentará o minério em níveis mais altos", comenta.

O risco do call, diz, é a questão ESG. No entanto ele acredita que a companhia esteja trabalhando e investindo para reverter o dano provocado à sua imagem. "A empresa é super bem gerida e certamente aproveitará o contexto positivo que existe para ela hoje."

Sobre Localiza, ele diz que também gosta nos preços atuais. "Mesmo que o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) bloqueie a fusão com a Unidas (LCAM3) -- tendo em vista que o movimento que seria bem positivo para as companhias -- , a empresa segue sólida."

Ele ressalta ainda que a Localiza demonstrou em crises passadas que sabe aproveitar momentos de maior fraqueza de concorrentes para expandir seus negócios. Além disso, o estrategista comenta que o mundo deve seguir fechado para o Brasil por alguns meses, o que estimula a circulação interna e o turismo doméstico. "Ambos benéficos para a Localiza."

Um risco para ter no radar, aponta, são as montadoras. Com a saída da Ford, a empresa perde poder de barganha, uma vez que cerca de 15% da sua frota era da Ford. "Há ainda uma produção lenta das que ficaram. Muitas vezes gerando falta de veículos para aquisição."

Já para o analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos, seis papéis do levantamento seguem em pontos interessantes. São eles: BTG Pactual (BPAC11), Klabin (KLBN11), Suzano (SUZB3), Weg (WEGE3), Vale (VALE3) e Bradespar (BRAP4).

Ele diz que continua vendo como atrativo o BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME). O analista cita que é um bom nome para aproveitar o momento favorável do mercado de capitais. Além disso, o banco recentemente fez uma oferta de units para acelerar a expansão da área de negócios de varejo digital, que segue ganhando força e deve contribuir para impulsionar seu crescimento.

Em carta recente, a gestora Vinci Partners comentou os motivos pelos quais vê o banco como a melhor opção no setor financeiro, mesmo com o papel perto do seu recorde histórico. Entre os pontos para estar otimista, a gestora comenta que as units BTG mostram uma combinação de múltiplos razoáveis e perspectivas de crescimento expressivo dos negócios digitais nos próximos anos.

Esteter comenta também que, na parte de papel e celulose, segue gostando de Klabin e Suzano, uma vez que as empresas têm cada vez mais ampliado suas presenças no cenário internacional, enquanto o câmbio depreciado auxilia nos seus resultados. Ele aponta que as companhias têm conseguido reajustar os preços da celulose no mercado externo, o que demonstra um bom momento para o setor.

Na semana passada, a Suzano anunciou uma nova rodada de aumentos no preço da celulose -- o segundo aumento consecutivo em dois meses. Em relatório, analistas do BTG Pactual comentaram que o anúncio pegou até mesmo os analistas mais otimistas da indústria (como eles) de surpresa. Eles reforçaram visão positiva para o setor e recomendação de compra para Suzano e Klabin, embora a primeira continue como a favorita do banco.

Sobre Weg, Esteter aponta que, mesmo próxima da máxima histórica, esse ainda é um nome muito forte. "A empresa deve divulgar mais um resultado muito interessante no quarto trimestre e fechar 2020 como um dos principais destaques de performance da bolsa". O balanço trimestral da companhia está previsto para ser divulgado no dia 24 de fevereiro.

No caso de Vale e Bradespar, holding que detém participação na mineradora, ele cita que ainda vê espaço para mais alta. O minério em patamar elevado contribui para essa perspectiva, assim como o câmbio depreciado. "Devemos ver uma geração de caixa muito forte da empresa e pagamento de dividendos extraordinários".

A Vale aparece também como uma das nove ações mais recomendadas por bancos e corretoras para 2021, segundo levantamento da última edição da revista EXAME.

E, por fim, em relação à Hapvida e ao grupo NotreDame, ele comenta que, a depender se a fusão vai para frente, isso poderia destravar ainda mais valor para as empresas. Portanto, diz que são nomes que também enxerga como atrativos.

Na opinião de analistas do mercado, o potencial negócio trará benefícios para as duas empresas, vistas como complementares. Enquanto 60% do portfólio da Hapvida está espalhado entre as regiões Norte e Nordeste, é nos estados do Sul e do Sudeste que a NotreDame possui maior participação.

Caso seja concluída, a nova empresa nascerá com 8,24 milhões de beneficiários, o equivalente a 18% de market share (participação de mercado), e mais de 130 bilhões de reais de valor de mercado de planos de saúde. O montante, que é a soma do valor das duas companhias, seria maior do que o de gigantes da bolsa, como Banco do Brasil e Itaúsa.

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