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Pesquisa da BambooHR aponta que correções de erros e ajustes de prompts consomem parte relevante do tempo dedicado à IA no trabalho (holaillustrations/Getty Images)
Redatora
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 05h01.
Economizar tempo é a principal razão para 58% dos trabalhadores recorrerem à inteligência artificial no trabalho. O problema é que uma parte considerável desse ganho pode desaparecer entre respostas inadequadas, comandos refeitos e tentativas de fazer a tecnologia entregar o resultado esperado.
Uma pesquisa da BambooHR com 1.608 profissionais assalariados em tempo integral nos Estados Unidos calculou que eles passam, em média, 87 minutos por dia usando IA. Isso equivale a cerca de 47 jornadas de oito horas ao longo de um ano.
Desse período, 42% é dedicado à solução de erros e à reformulação de prompts, enquanto 35% vai para atividades consideradas produtivas.
Pelas contas da empresa, são aproximadamente 20 dias de trabalho anuais tentando fazer a IA funcionar corretamente.
O levantamento foi realizado entre 26 de junho e 15 de julho de 2026 e incluiu 520 profissionais de recursos humanos em cargos de gestão. Os resultados ajudam a colocar uma questão prática sobre a adoção da tecnologia: usar IA com frequência não significa, necessariamente, economizar tempo.
Parte do problema aparece antes mesmo da resposta: pedidos vagos obrigam o usuário a entrar em um ciclo de tentativa e erro, quando há uma solicitação, recebe algo genérico, acrescenta informações, pede correções e repete o processo.
Uma forma de reduzir esse retrabalho é fornecer contexto já no primeiro comando.
Ao usar ChatGPT, Claude ou Gemini para preparar um relatório, por exemplo, vale informar qual é o objetivo, quem vai ler o material, quais dados devem ser considerados, o formato esperado e eventuais restrições.
Uma instrução mais específica seria:
“Resuma o relatório anexado em até cinco tópicos para uma apresentação à diretoria. Priorize resultados financeiros, riscos e mudanças em relação ao período anterior. Não inclua informações que não estejam no documento.”
Isso não garante uma resposta perfeita, mas delimita a tarefa e reduz interpretações desnecessárias.
Outro caminho é avaliar se a tecnologia realmente encurta aquela atividade. Revisar um parágrafo, organizar informações extensas ou criar uma primeira estrutura pode justificar o uso. Já uma tarefa simples que exige várias rodadas de correção pode terminar levando mais tempo do que a execução manual.
A própria pesquisa traz um sinal dessa dificuldade de gestão. Segundo a BambooHR, 63% das organizações aumentaram seus orçamentos para ferramentas de IA, enquanto 54% ainda não possuem uma política clara e documentada sobre como a tecnologia deve ser utilizada.
Criar orientações internas pode diminuir parte do improviso, isso inclui definir quais ferramentas são autorizadas, para quais tarefas elas são indicadas, que informações não podem ser inseridas e quais resultados precisam de revisão humana.
Insistir indefinidamente em um prompt ruim tende a aumentar justamente o custo que a IA deveria reduzir. Se duas ou três tentativas não aproximarem o resultado do necessário, pode ser mais eficiente reformular a tarefa do zero, dividir o trabalho em etapas ou concluir manualmente a parte problemática.