Inteligência Artificial

Patrocinado por:

logo-totvs-preto

Startup de IA para segurança pública capta US$ 40 milhões na maior rodada seed do Brasil

As gestoras americanas Benchmark e Greenoaks investiram na plataforma que já é usada por cerca de 30 cidades no Paraná e em Goiás

Plataforma da Pax em uso: inteligência artificial cruza dados de diferentes bases públicas para auxiliar na resolução de crimes. (Pax/Reprodução)

Plataforma da Pax em uso: inteligência artificial cruza dados de diferentes bases públicas para auxiliar na resolução de crimes. (Pax/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 28 de maio de 2026 às 18h04.

Última atualização em 28 de maio de 2026 às 18h11.

A Pax, startup brasileira de inteligência artificial focada em segurança pública, captou US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) das gestoras americanas Benchmark e Greenoaks, a maior rodada "seed" já feita em uma startup no Brasil. O aporte chega em um momento em que a segurança pública desponta como uma das maiores preocupações da população às vésperas das eleições, com a violência em patamares recordes.

Para dimensionar o problema que a startup quer atacar: o Brasil gasta mais de R$ 150 bilhões por ano em segurança pública, o equivalente a 1,3% do PIB. Em várias regiões do país, em 2025, essa despesa cresceu mais do que os valores aplicados em educação e saúde, áreas historicamente apontadas como as maiores preocupações dos brasileiros.

O que é a Pax e como a plataforma funciona

A Pax é uma plataforma de IA que reúne dados de câmeras de segurança, mandados de prisão, boletins de ocorrência e outras bases públicas, informações que hoje estão espalhadas em fontes diferentes e não são agregadas.

Dados com poucos detalhes sobre o delito, que em geral não levam à captura do criminoso, ganham outra dimensão com a inteligência artificial, pela capacidade de conectar rapidamente diferentes bases.

A ferramenta é vendida para secretarias de segurança e outras áreas relacionadas do governo, já que a segurança está ligada a políticas públicas.

Quais resultados a Pax já apresentou

Cerca de 30 cidades do Paraná e de Goiás — estados que têm a segurança como bandeira de campanhas políticas, já usam a plataforma há cerca de um ano. No município goiano de Luziânia, segundo dados fornecidos pela startup, entre julho e dezembro do ano passado:

  • O índice de crimes caiu 27%.
  • A taxa de casos resolvidos (roubo, furto e homicídio) subiu de 18% para 34%.

O potencial de mercado é grande à luz das estatísticas nacionais. No Brasil, são registrados cerca de 40 mil homicídios por ano, e menos de quatro em cada dez são esclarecidos, segundo o Instituto Sou da Paz. A média global de esclarecimento é de 63%, e na Europa chega a 92%.

Por que dois fundos americanos apostaram na startup

A entrada de Benchmark e Greenoaks não é à toa: o projeto é ampliar a atuação da Pax para outros países que também sofrem com violência.

“Pergunte a qualquer brasileiro o que ele mais quer ver resolvido, e a resposta é uma só: segurança”, disse Andrew Cohen, sócio da Greenoaks.

A Greenoaks tem patrimônio sob gestão de cerca de US$ 18 bilhões e foi uma das co-líderes da rodada de US$ 65 bilhões da Anthropic, empresa de IA avaliada em US$ 965 bilhões. A Benchmark, cujo principal fundo tem US$ 425 milhões, é uma das primeiras investidoras do Uber e também já aportou em empresas como eBay, Twitter e Instagram.

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificialVenture capitalGoiâniaParaná

Mais de Inteligência Artificial

Moonshot AI prepara IPO em Hong Kong e pode valer mais de US$ 30 bilhões

Alibaba diz que novo modelo de IA só perde para o Claude Fable 5, da Anthropic

Turismo sob medida: como a IA está personalizando roteiros de viagem e o atendimento ao viajante

Prefeituras brasileiras usam IA para acabar com fila e papelada