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Masayoshi Son: CEO do SoftBank (Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 14 de julho de 2026 às 13h28.
O fundador do SoftBank Group, Masayoshi Son, afirmou que a fusão nuclear poderá se tornar a alternativa mais realista para atender ao rápido crescimento do consumo de energia dos centros de dados usados por sistemas de inteligência artificial.
Durante o evento anual SoftBank World, realizado em Tóquio, Son disse que o gás natural deverá suprir a maior parte dessa demanda no curto prazo. Para o executivo, porém, a fonte poderá ser substituída gradualmente pela fusão nuclear, processo responsável pela produção de energia no Sol e em outras estrelas.
O bilionário estima que o mundo precisará de 3 terawatts de capacidade instalada em centros de dados até 2040. Um terawatt equivale a 1.000 gigawatts, enquanto as maiores instalações atualmente em operação ou desenvolvimento ficam próximas da escala de 1 gigawatt.
Segundo Son, a construção de apenas 1 terawatt de capacidade computacional poderia custar cerca de US$ 5 trilhões. O valor mostra a dimensão financeira da infraestrutura necessária para sustentar a expansão dos modelos de IA, que dependem de grandes volumes de eletricidade para treinamento e funcionamento.
"É correto usar tanta geração a gás?", questionou Son. "Acredito que, em 15 anos, a fusão tomará seu lugar". Para ele, a tecnologia poderá fornecer uma nova modalidade de energia mais barata, limpa e segura.
A projeção, contudo, enfrenta obstáculos técnicos e financeiros. Segundo a BloombergNEF, empresa de pesquisa especializada em energia e transição de baixo carbono, ainda há desafios significativos para que a fusão nuclear se transforme em uma fonte comercialmente viável.
Diferentemente da fissão nuclear, processo empregado nas usinas atuais e baseado na divisão de átomos, a fusão busca unir núcleos atômicos para liberar energia. Em teoria, ela poderia produzir grandes quantidades de eletricidade com baixas emissões de carbono, menor geração de resíduos radioativos de longa duração e sem o risco de reações em cadeia.
Son se posiciona contra a dependência da energia nuclear convencional desde o acidente de 2011 na usina de Fukushima Daiichi, operada pela Tokyo Electric Power Co. O desastre ocorreu após um terremoto e um tsunami atingirem o Japão e provocarem o derretimento de reatores.
Nos últimos anos, empresas do setor de fusão nuclear atraíram mais investimentos e começaram a avançar da pesquisa científica para a construção de protótipos. O Departamento de Energia dos Estados Unidos estabeleceu como meta ampliar o uso da tecnologia a partir de meados da década de 2030.
Apesar dos avanços, poucos países conseguiram demonstrar os princípios fundamentais da geração por fusão em condições experimentais. A produção contínua, economicamente competitiva e em escala comercial ainda não foi alcançada.
O fundador do SoftBank também contestou dúvidas sobre o retorno dos centenas de bilhões de dólares aplicados em processadores, centros de dados e outros equipamentos destinados à inteligência artificial.
Son afirmou que a receita gerada por serviços de IA será suficiente para compensar os custos extraordinários da construção dessa infraestrutura. Para o empresário, questionar se o setor vive uma bolha demonstra falta de compreensão sobre o alcance da tecnologia.
A declaração ocorre em meio ao aumento das despesas das maiores empresas de tecnologia com hardware, conjunto de componentes físicos usados no processamento de dados, e capacidade de computação. O próprio SoftBank vem ampliando seus investimentos no setor, incluindo projetos de infraestrutura, semicondutores e serviços baseados em IA.
O executivo também alertou que o Japão poderá perder uma oportunidade econômica caso não reconheça o potencial da inteligência artificial. Ele comparou o momento atual à expansão que permitiu o crescimento de empresas como Google, Amazon e Meta.
O gás natural, apontado por Son como solução temporária, responde por mais de um quinto da geração mundial de eletricidade. Embora produza menos gases de efeito estufa do que carvão e petróleo, sua queima ainda libera emissões que contribuem para o aquecimento global.
Após as declarações, as ações do SoftBank avançaram mais de 2%, enquanto o índice Nikkei 225, principal referência do mercado acionário japonês, permaneceu praticamente estável.