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Por que pesquisadores chineses não querem diminuir o ritmo do desenvolvimento da IA

Pesquisadores e empresas de IA na China reagem com ceticismo e desacordo a pedidos de CEOs americanos para desacelerar o avanço dos modelos, vendo nas propostas uma tentativa de blindar monopólios e travar concorrentes

China vs EUA: IA vira novo campo de disputa entre os países (Imagem gerada por IA/Exame)

China vs EUA: IA vira novo campo de disputa entre os países (Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 10h01.

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Se nos Estados Unidos os principais executivos de inteligência artificial (IA) do país passaram a defender publicamente uma desaceleração voluntária no desenvolvimento da tecnologia, na China a reação de pesquisadores e engenheiros foi de ceticismo declarado — e, em alguns casos, até de indignação.

O debate se intensificou na segunda-feira, 14, quando Sam Altman, CEO da OpenAI, se juntou a um coro crescente de líderes do Vale do Silício defendendo um "ritmo" (pacing) unificado para toda a indústria, alertando que a pressão competitiva não deveria se sobrepor à segurança à medida que a IA avança rapidamente.

"O mundo merece confiança de que empresas americanas desenvolvendo IA cada vez mais capaz vão agir de forma responsável, especialmente conforme a trajetória do progresso se torna mais acentuada", escreveu Altman no X. "Toda empresa de fronteira precisa cumprir isso, e não há razão para qualquer um de nós vir trabalhar se não pudermos."

A fala de Altman seguiu um pedido feito no sábado, 12, por Dario Amodei, CEO da Anthropic, para que laboratórios de fronteira desacelerassem o desenvolvimento de seus modelos mais poderosos — posição também endossada por Elon Musk, fundador da xAI.

Em publicação em seu site pessoal, Amodei também defendeu um "ritmo global da fronteira", mas admitiu que isso seria "muito mais difícil de alcançar". "O ritmo global vai exigir cooperação com a China, o país autocrático com, disparado, as capacidades de IA mais avançadas", escreveu.

Na China, porém, essa guinada repentina em direção à autocontenção foi recebida com desconfiança.

Alguns pesquisadores chineses argumentaram que uma pausa geral protegeria desproporcionalmente empresas americanas já estabelecidas, deixando de fora do mercado quem ainda está tentando alcançá-las.

"Quem já possui recursos pode se dar ao luxo de uma pausa. Quem ainda está construindo a própria carreira, não pode", escreveu Zhang Xuanming, pesquisador da equipe do Qwen, do Alibaba Group Holding, em publicação no X na sexta-feira, 11.

Segundo ele, para líderes de mercado, uma desaceleração é uma precaução; para empresas em ascensão, uma "pausa geral" ameaça "fechar a fronteira" antes que elas consigam competir.

Outros engenheiros chineses ecoaram a mesma frustração. "Quando tentamos acelerar, vocês me dizem para desacelerar? Meu Deus...", escreveu Lin Junyang, ex-pesquisador líder dos modelos Qwen da Alibaba, em publicação no X no domingo, 13, pedindo que executivos americanos "parem de fingir" que precisam de permissão para operar.

Ronny He, engenheiro da MiniMax, empresa de IA sediada em Xangai, escreveu nas redes sociais no domingo: "Ontem, a missão era AGI. Hoje, nos dizem para desacelerar. Por que vocês sempre têm o direito de definir o jogo — e mudar as regras?" AGI, ou inteligência artificial geral, refere-se a sistemas capazes de igualar o raciocínio humano em uma variedade de tarefas.

Preocupações também apareceram na mídia estatal chinesa. Em comentário publicado no domingo, o tabloide estatal Global Times acusou Amodei de propor uma "silenciosa Guerra Fria da IA", com o objetivo de ampliar a liderança americana "por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios", excluindo a China da governança global de IA.

Em seu ensaio original, Amodei também pediu que Washington reforçasse restrições ao acesso chinês a chips avançados de IA, além de reprimir a "destilação" — uso de respostas de modelos mais avançados para treinar sistemas rivais mais baratos — e o roubo de "pesos de modelo" proprietários, o código e os dados subjacentes que alimentam sistemas de IA.

"Se executarmos bem essas medidas, acredito que elas desacelerariam o progresso da China o suficiente para ampliar significativamente a liderança americana nos próximos três a cinco anos", escreveu Amodei.

Pequim e Washington seguem em frente

O pedido de cautela enfrenta resistência não só na China, mas também na Casa Branca. O presidente americano, Donald Trump, descartou os pedidos de pausa no fim de semana, alertando que interromper o progresso arrisca ceder a vantagem tecnológica americana à China.

"Quem vencer com IA, vence tudo", disse Trump a jornalistas, atribuindo as preocupações de segurança a "forças muito negativas".

Enquanto isso, Pequim trata a IA como um domínio central de segurança nacional. Em texto publicado no domingo em periódico da Administração do Ciberespaço da China, o ministro de Segurança do Estado, Chen Yixin, classificou a IA como principal arena de rivalidade entre superpotências, pedindo arcabouços robustos de segurança e governança global para lidar com ameaças crescentes.

Em vez de desacelerar, empresas chinesas de IA aceleram

Em vez de desacelerar, empresas chinesas de IA estão acelerando seus cronogramas de desenvolvimento.

A Z.ai, conhecida na China como Zhipu AI, anunciou no domingo ter captado 33,5 bilhões de yuans (US$ 5 bilhões), destinando 60% dos recursos ao desenvolvimento de sua próxima geração do modelo GLM e ao avanço de um sistema "totalmente autotreinável".

Na semana passada, pesquisadores de destaque — incluindo Zhou Bowen, chefe do Shanghai AI Lab, ao lado de engenheiros da ByteDance — submeteram um artigo delineando um roteiro de cinco estágios rumo a sistemas capazes de melhorar autonomamente o próprio código.

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