Patrocinado por:
Por que 95% dos projetos de IA não geram retorno e o que fazer para estar nos 5% (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 17h07.
Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 09h39.
A inteligência artificial generativa já entrou na rotina de muitas empresas, mas transformar testes em resultado financeiro continua sendo um desafio. Um estudo do MIT encontrou uma diferença significativa entre a adoção da tecnologia e sua capacidade de gerar impacto mensurável nos negócios.
O relatório The GenAI Divide: State of AI in Business 2025, produzido pelo projeto NANDA do MIT, analisou mais de 300 implementações públicas de IA, além de entrevistas e respostas de profissionais. O levantamento apontou que cerca de 95% das organizações analisadas não obtiveram retorno financeiro mensurável com seus projetos de IA generativa. Apenas cerca de 5% dos pilotos integrados conseguiram gerar valor significativo.
O estudo não aponta a qualidade dos modelos de inteligência artificial como principal explicação para os resultados. O problema estaria principalmente na forma como as empresas implementam a tecnologia.
Muitos projetos permanecem na fase de teste, sem serem incorporados aos processos que efetivamente movimentam receita, custos ou produtividade. Segundo o relatório, existe uma espécie de lacuna de aprendizado, tanto nas ferramentas quanto nas organizações.
Um exemplo é uma empresa que disponibiliza um chatbot de IA para funcionários. O uso pode aumentar, mas isso não significa necessariamente que a organização esteja reduzindo custos ou aumentando receita.
Para gerar impacto financeiro, a tecnologia precisa estar ligada a uma atividade concreta. Pode ser a redução do tempo necessário para analisar documentos, a automatização de uma etapa operacional ou o aumento da conversão em vendas.
Outro risco é escolher primeiro a tecnologia e somente depois procurar um problema para resolver.
Nesse modelo, uma empresa pode contratar uma ferramenta de IA porque ela é considerada avançada, mas não definir qual indicador de negócio deverá melhorar.
Uma abordagem diferente começa pela identificação de um gargalo. A partir daí, a empresa avalia se a inteligência artificial é realmente adequada para resolver aquele problema e estabelece uma métrica para acompanhar o resultado.
O estudo do MIT identifica uma diferença entre organizações que ficam presas em pilotos e aquelas que conseguem levar a IA para a operação. Entre os pontos destacados estão a escolha de problemas específicos e a integração da tecnologia aos fluxos de trabalho.
Na prática, isso significa evitar projetos genéricos e começar por tarefas nas quais exista uma relação clara entre tecnologia e resultado.
Uma empresa pode, por exemplo, estabelecer como objetivo reduzir de quatro horas para uma hora o tempo gasto na análise inicial de contratos. Nesse caso, existe uma situação atual, uma meta e um indicador que pode ser acompanhado.
Antes de colocar um projeto de inteligência artificial em funcionamento, profissionais e gestores podem responder a algumas perguntas:
Também é importante estabelecer um período de teste e critérios para decidir se o projeto deve ser ampliado, ajustado ou interrompido.
Isso evita que um piloto continue indefinidamente apenas porque a tecnologia está sendo utilizada.
O levantamento do MIT mostra que adotar inteligência artificial e capturar valor com ela são etapas diferentes. A primeira pode acontecer com a contratação de uma ferramenta. A segunda depende de mudanças no modo como o trabalho é realizado.
Para um profissional, a lógica pode ser aplicada mesmo sem liderar um grande projeto corporativo. Antes de usar uma ferramenta de IA, vale identificar uma tarefa repetitiva, medir quanto tempo ela consome e estabelecer o que precisaria mudar para que o uso da tecnologia tivesse impacto.
O resultado pode ser produtividade, redução de custos, aumento de receita ou melhoria de algum indicador operacional. O ponto é medir o efeito no trabalho, e não apenas contabilizar o uso da ferramenta.