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O que faz um AI Strategist e quais habilidades estão por trás dessa nova carreira em IA (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 18h07.
A expansão da inteligência artificial nas empresas criou uma necessidade que vai além de saber utilizar ferramentas como ChatGPT ou sistemas de automação. Organizações também precisam definir onde aplicar a tecnologia, quais projetos priorizar e como medir seus resultados.
É nesse espaço que surge o AI Strategist, profissional responsável por conectar as possibilidades da IA aos objetivos de uma empresa. O cargo ainda não possui uma definição única e pode aparecer com nomes como AI Strategy Manager, GenAI Strategy Lead ou estrategista de IA.
Para quem trabalha, entender essa função ajuda a identificar uma competência que combina tecnologia e visão de negócios.
O AI Strategist não necessariamente desenvolve modelos de inteligência artificial. Seu trabalho está mais relacionado a definir como a tecnologia pode ser utilizada para resolver problemas e atingir objetivos empresariais.
Entre as atividades estão:
Na prática, o profissional pode analisar uma operação de atendimento ao cliente e avaliar se um agente de IA, uma ferramenta de análise de dados ou uma automação simples seria a alternativa mais adequada.
A função, portanto, envolve tomada de decisão, e não apenas conhecimento sobre ferramentas.
A carreira combina competências técnicas e de negócios. O profissional precisa compreender conceitos de IA, mas também saber analisar processos, interpretar dados e conversar com diferentes áreas da organização.
Entre as habilidades relevantes estão:
Alfabetização em IA: entender como funcionam modelos generativos, automações, agentes e outras aplicações.
Pensamento analítico: identificar problemas, comparar alternativas e avaliar resultados.
Visão de negócios: relacionar projetos de IA a custos, produtividade, receita, experiência do cliente ou outros objetivos.
Comunicação: traduzir conceitos técnicos para executivos, gestores e equipes não técnicas.
Gestão de projetos: coordenar iniciativas que envolvem tecnologia, operações, jurídico, segurança e outras áreas.
O World Economic Forum aponta que IA e big data estão entre as competências de crescimento mais rápido até 2030. O relatório também destaca pensamento analítico, liderança, criatividade e capacidade de adaptação entre as habilidades relevantes para o mercado de trabalho.
Não necessariamente.
Conhecimentos de programação podem ser úteis, principalmente para compreender limitações e possibilidades técnicas. Porém, o foco do estrategista está em conectar tecnologia e negócio.
Em uma empresa, por exemplo, um desenvolvedor pode ser responsável pela construção de um sistema baseado em IA, enquanto o AI Strategist ajuda a definir qual problema será resolvido, quais áreas participarão do projeto e como o resultado será avaliado.
Essa divisão pode variar conforme o tamanho e a estrutura da organização.
A adoção de IA aumenta a quantidade de decisões que empresas precisam tomar. Não basta escolher uma ferramenta: é necessário determinar qual problema resolver, quais dados utilizar, quem será responsável pelo projeto e como medir o retorno.
O World Economic Forum identificou a falta de competências como uma das principais barreiras à transformação dos negócios. O levantamento também mostra que empresas planejam ampliar iniciativas de capacitação e contratação relacionadas à IA.
A própria atividade de estratégia está sendo modificada pela tecnologia. Segundo análise da McKinsey, ferramentas de IA podem apoiar estrategistas em tarefas como pesquisa, interpretação de informações, simulação de cenários e comunicação, enquanto decisões estratégicas continuam dependendo de julgamento humano.
O título AI Strategist ainda não é padronizado. A função pode estar dentro de áreas de estratégia, inovação, transformação digital, tecnologia ou consultoria.
No Brasil, já existem vagas que utilizam diretamente o título. Uma delas, publicada pela Kunumi, descreve o profissional como alguém responsável por articular ciência, tecnologia e parceiros e contribuir para decisões e projetos de inteligência artificial.
Isso significa que a carreira pode ser construída a partir de diferentes trajetórias. Profissionais de tecnologia, estratégia, produto, operações, consultoria, marketing e outras áreas podem desenvolver competências relacionadas à função.
O ponto central é compreender tanto o que a inteligência artificial consegue fazer quanto onde ela faz sentido para o negócio.
Nesse cenário, o AI Strategist representa uma função de conexão: transforma possibilidades tecnológicas em prioridades, projetos e decisões empresariais.
A evolução do cargo dependerá da forma como cada organização estrutura sua estratégia de IA e distribui responsabilidades entre áreas técnicas e de negócio.