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Profissional do futuro: especialista em simplicidade será um dos mais requisitados a partir de 2030 (NicoElNino/Thinkstock)
Redação Exame
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 07h01.
Durante boa parte da história do trabalho, aumentar a capacidade de uma equipe significava colocar mais pessoas para executar as tarefas. Um projeto maior exigia mais profissionais, mais reuniões e mais tempo de coordenação.
A lógica começa a mudar quando uma única pessoa consegue delegar partes do trabalho para ferramentas capazes de executar tarefas com diferentes níveis de autonomia quando a IA pode passar a acompanhar vários fluxos ao mesmo tempo.
O resultado é uma configuração em que o profissional ocupa uma posição mais próxima da coordenação do que da execução de cada etapa.
Agentes de IA são capazes de receber um objetivo, dividir uma tarefa em etapas, utilizar ferramentas e avançar de acordo com os resultados encontrados.
Dependendo da configuração, podem pesquisar informações, analisar documentos, atualizar planilhas ou preparar relatórios.
Uma pessoa poderia, por exemplo, direcionar um agente para acompanhar concorrentes, outro para organizar dados de vendas e um terceiro para preparar uma primeira versão de um relatório.
Cada um trabalharia em uma frente diferente, enquanto o responsável acompanharia os resultados.
A ideia de “subordinados” nesse contexto é uma metáfora. Essas IAs não são funcionários e não possuem responsabilidade profissional ou jurídica. Elas executam tarefas dentro das permissões e regras definidas por pessoas.
Quanto mais tarefas podem ser delegadas, mais importante se torna definir o que deve ser feito, quais informações podem ser utilizadas e quais resultados precisam de aprovação.
O profissional passa a distribuir objetivos, acompanhar o andamento e intervir quando alguma etapa sai do esperado.
Dessa forma, concentra-se a atenção nos pontos que exigem julgamento, criando uma nova camada de trabalho. Saber quando interromper uma tarefa, alterar uma instrução ou pedir uma segunda análise pode ser tão importante quanto saber iniciar o processo.
A possibilidade de colocar várias IAs para trabalhar ao mesmo tempo não significa que qualquer atividade possa ser entregue a elas sem acompanhamento.
Tarefas que envolvem informações sensíveis, decisões importantes ou contato direto com clientes podem exigir controles adicionais.
Um agente que tenha permissão para acessar documentos também pode precisar de limites claros sobre o que pode alterar, enviar ou excluir.
A supervisão humana continua necessária, especialmente quando um erro pode gerar consequências financeiras, jurídicas ou reputacionais.
A mudança pode afetar até a definição de produtividade. Se uma pessoa consegue ampliar sua capacidade de execução usando agentes, parte do valor do trabalho passa a estar na coordenação desse conjunto.
Isso exige clareza para estabelecer objetivos, capacidade de avaliar resultados e conhecimento suficiente para perceber quando uma resposta parece correta, mas não é.
O profissional do futuro pode, portanto, passar menos tempo realizando cada etapa manualmente e mais tempo decidindo quais tarefas delegar, como organizar os fluxos e o que precisa continuar sob responsabilidade humana.