Inteligência Artificial

Musk vs. OpenAI: julgamento que coloca empresas líderes da IA frente a frente começa hoje

Bilionário acusa empresa criadora do ChatGPT de abandonar missão sem fins lucrativos; julgamento começa nesta segunda, 27, na Califórnia e pode expor bastidores do Vale do Silício

Musk leva OpenAI e Microsoft à Justiça e pede US$ 150 bilhões (Getty Images)

Musk leva OpenAI e Microsoft à Justiça e pede US$ 150 bilhões (Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 27 de abril de 2026 às 10h59.

O julgamento de uma ação movida por Elon Musk contra a OpenAI e a Microsoft começa nesta segunda-feira, 27, em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia. O bilionário, dono da Tesla e do X, pede US$ 150 bilhões em indenização e quer mudanças profundas na estrutura da empresa responsável pelo ChatGPT.

A principal acusação de Musk é que a OpenAI abandonou sua missão original. Segundo ele, a organização foi criada para desenvolver inteligência artificial em benefício da humanidade, sem fins lucrativos, mas acabou se transformando em uma empresa voltada ao lucro, favorecendo executivos e investidores, especialmente a Microsoft.

Musk afirma que foi enganado por Sam Altman, atual CEO da OpenAI, e pelos demais líderes da empresa. Ele diz que ajudou a fundar a organização, contribuiu com cerca de US$ 38 milhões e emprestou seu nome e influência para fortalecer o projeto, sem saber que havia planos para transformá-la em uma “máquina de riqueza”. Além da indenização, ele quer que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos e pede a saída de Altman e Greg Brockman da liderança.

A OpenAI rebate dizendo que Musk participou das discussões sobre a mudança de estrutura e que sua insatisfação estaria ligada ao desejo de controlar a empresa. Segundo os advogados da companhia, Musk queria assumir o cargo de CEO e hoje estaria agindo também para beneficiar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, criada em 2023. A Microsoft, também ré no processo, afirma que só se tornou parceira da OpenAI depois que Musk já havia deixado o conselho.

Entre os documentos apresentados no processo está uma anotação de Greg Brockman, cofundador da OpenAI, escrita em 2017: “Esta é a única chance que temos de nos livrar de Elon”. O material faz parte de milhares de páginas reveladas pela Justiça e expõe bastidores da relação conturbada entre Musk e os fundadores da empresa. Também mostra disputas de poder, divergências sobre liderança e o peso crescente do dinheiro dentro da corrida pela inteligência artificial.

O julgamento deve contar com depoimentos de nomes de peso do Vale do Silício, como o próprio Musk, Sam Altman e Satya Nadella, CEO da Microsoft. Shivon Zilis, ex-conselheira da OpenAI e mãe de quatro filhos de Musk, também pode ser uma testemunha importante.

O caso acontece em um momento sensível para os dois lados. A OpenAI enfrenta forte concorrência de rivais como a Anthropic e prepara uma possível abertura de capital que pode levá-la a uma avaliação de até US$ 1 trilhão. Já Musk tenta fortalecer a xAI, que ainda está atrás da OpenAI em alcance e uso. Sua SpaceX também planeja abrir capital nos próximos meses.

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