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Mira Murati, ex-líder da OpenAI, lança modelo de IA que aprendeu a se retreinar sozinho

Modelo com 975 bilhões de parâmetros libera seus "pesos" para download, aposta em personalização e marca a estreia da startup Thinking Machines

Mira Murati: ex-líder da OpenAI e fundadora da Thinking Machines

Mira Murati: ex-líder da OpenAI e fundadora da Thinking Machines

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 15 de julho de 2026 às 15h28.

Última atualização em 15 de julho de 2026 às 15h32.

A Thinking Machines entrou oficialmente na disputa entre os grandes laboratórios de inteligência artificial ao lançar o Inkling, seu primeiro modelo de linguagem aberto, cuja principal diferença em relação aos concorrentes é a publicação dos chamados "pesos" do sistema — o equivalente ao cérebro treinado da IA. Com isso, desenvolvedores e empresas podem baixar o modelo, adaptá-lo e criar versões especializadas para diferentes aplicações.

Ao contrário de modelos fechados, como os da OpenAI, em que o usuário faz uma pergunta e recebe apenas a resposta, sem acesso ao funcionamento interno do sistema, o Inkling permite modificações por meio do chamado fine-tuning, ou ajuste fino. Esse processo consiste em treinar novamente o modelo para executar tarefas específicas, como atendimento ao cliente, programação ou análise de documentos.

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Essa abertura faz parte da estratégia comercial da empresa. Em vez de vender apenas um assistente de IA pronto para uso, a Thinking Machines pretende fornecer uma base tecnológica para que outras organizações criem seus próprios sistemas. Seu primeiro produto comercial, lançado em outubro do ano passado, é a plataforma Tinker, que automatiza o processo de personalização dos modelos sem exigir que o cliente monte uma infraestrutura própria de servidores.

O Inkling funciona como a principal vitrine dessa proposta. Segundo a empresa, o modelo foi desenvolvido para servir como ponto de partida para aplicações variadas, desde geração de código até assistentes corporativos.

Um dos exemplos apresentados pelos pesquisadores mostra essa capacidade de adaptação. Eles pediram que o próprio Inkling aprendesse a responder sem utilizar a letra "e", um exercício conhecido como lipograma. O modelo escreveu o procedimento de treinamento, executou o processo e passou a responder seguindo a nova restrição, demonstrando sua capacidade de alterar o próprio comportamento.

A empresa foi fundada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI e uma das principais executivas envolvidas na criação do ChatGPT, ao lado de John Schulman, também cofundador da OpenAI. Em 2025, a startup levantou US$ 2 bilhões em sua rodada inicial de investimentos, alcançando uma avaliação de US$ 12 bilhões antes mesmo de lançar um produto comercial.

Como o Inkling se posiciona diante dos concorrentes

Tecnicamente, o Inkling utiliza a arquitetura mixture-of-experts, ou mistura de especialistas. Nesse modelo, apenas uma parte da rede neural é ativada a cada resposta, em vez de utilizar toda a capacidade computacional simultaneamente. A estratégia reduz custos e aumenta a velocidade de processamento.

O modelo possui 975 bilhões de parâmetros no total, mas ativa apenas 41 bilhões durante cada resposta, além de aceitar contextos de até 1 milhão de tokens, permitindo analisar volumes equivalentes a um livro inteiro em uma única interação.

Nos testes divulgados pela empresa, o Inkling aparece atrás dos modelos fechados mais avançados, como os da OpenAI, Google e Anthropic, em tarefas que exigem conhecimento factual de alta precisão. Em contrapartida, apresenta desempenho competitivo em programação e na execução de instruções complexas, consumindo menos recursos computacionais do que outros modelos abertos, como Nemotron, da Nvidia, e Kimi, da chinesa Moonshot.

A Thinking Machines também afirma ter submetido o modelo a avaliações independentes de segurança voltadas para riscos como ataques cibernéticos e produção de armas químicas. Segundo a companhia, o Inkling apresentou uma das maiores taxas de recusa a solicitações consideradas perigosas entre os modelos abertos atualmente disponíveis.

Com o lançamento, a empresa formaliza sua entrada em um mercado bilionário, mas com uma estratégia diferente da adotada pelos principais concorrentes. Em vez de concentrar esforços na construção do assistente de IA mais poderoso para consumidores finais, a startup pretende fornecer a infraestrutura sobre a qual outras empresas desenvolverão sistemas próprios. O Inkling já está disponível na plataforma Tinker com desconto promocional de 50% por tempo limitado e também poderá ser acessado por meio de parceiros como Hugging Face e Databricks.

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