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IA não substitui profissionais, mas escolhe quem fica para trás, afirma especialista (Pedro H. Tolentino/Arquivo Pessoal)
Jornalista
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 10h54.
Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 11h01.
Um advogado pede uma proposta de contrato e recebe a resposta em uma semana. Outro profissional, também apoiado por ferramentas de inteligência artificial, entrega o mesmo trabalho em 15 minutos. A cena, descrita pelo executivo de tecnologia e professor de pós-graduação em dados e IA Pedro Henrique Tolentino, resume um cenário que já é realidade em diversos setores.
Segundo ele, a diferença de tempo não é apenas uma questão de ferramenta. É um indicador de quem está se atualizando e quem corre o risco de ficar para trás no mercado de trabalho.
Tolentino, fundador de uma startup de IA voltada ao setor jurídico, usa essa comparação para ilustrar o que está em jogo. "Porque eu peço para você uma proposta de algo, um produto, um serviço. Você me pede uma semana. Eu peço para um outro colega. Ele me pede 15 minutos. Com quem você, a princípio, tomaria a decisão de continuar?", questiona o professor.
Para ele, essa comparação, ainda que simples, ilustra bem a lógica que já orienta decisões de contratação e de continuidade profissional em diversos setores.
Tolentino defende que a inteligência artificial não elimina profissões de forma automática. "A IA hoje, a gente diz que ela não efetivamente substitui ninguém, mas ela estende as nossas capacidades", explica.
Na prática, tarefas antes limitadas pelo conhecimento técnico de cada profissional passam a contar com apoio de ferramentas que ampliam produtividade e assertividade, desde que usadas com critério.
Esse ganho de velocidade exige atenção. Segundo o especialista, toda resposta gerada por IA precisa passar por validação humana antes de ser usada, especialmente diante do risco de alucinação, quando a IA gera informações incorretas com aparência de certeza.
"A gente tem que validar, ter certeza das fontes, se elas são íntegras, e ter certeza também que o que ela respondeu não é a famosa alucinação."Pedro H. Tolentino
Levantamentos recentes ajudam a dimensionar essa distância. O número de profissionais que utilizam ferramentas de inteligência artificial no trabalho mais do que dobrou no país entre 2024 e 2025.
Segundo pesquisa do LinkedIn: a parcela dos que usam recursos como ChatGPT, Gemini ou Copilot passou de 17% para 35%, e 79% dos respondentes consideram que essas ferramentas aumentam sua eficiência no trabalho.
No setor de tecnologia, o cenário é ainda mais avançado. O estudo Talent Trends 2026, da Michael Page, mostra que 84% dos trabalhadores da área já utilizam ferramentas de IA generativa em suas atividades, e 69% afirmam que a IA já exerce influência sobre suas escolhas e perspectivas de carreira.
Para Tolentino, a substituição não acontece pela tecnologia em si, mas pela decisão de não se atualizar. "Eu não vejo como uma substituição, exceto no caso de alguns profissionais que talvez, por assim decidir, não entrarem neste caminho e não fizerem uso dela", diz.
Alguns sinais indicam maior exposição a esse risco:
O primeiro passo, segundo Tolentino, não exige domínio técnico avançado. Ele recomenda começar pela alfabetização digital: entender o básico de como interagir com ferramentas de IA antes de buscar aplicações mais complexas.
Alguns caminhos práticos citados por ele:
"Existem questões muito didáticas para que essas pessoas possam dar esse primeiro passo, vencer essa primeira barreira, que é o medo", afirma Tolentino.
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