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Empresas devem adiar 25% dos gastos com IA para 2027. Entenda o que está por trás da decisão (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 17h30.
Uma parcela dos investimentos planejados pelas empresas em inteligência artificial pode não sair do papel em 2026. Segundo uma previsão da Forrester, companhias devem adiar 25% dos gastos previstos com IA para 2027, em um movimento ligado à dificuldade de comprovar retorno financeiro.
A estimativa faz parte das previsões da consultoria para 2026 e aponta para uma mudança no critério usado para aprovar projetos de IA. Em vez de considerar apenas o potencial da tecnologia, executivos devem exigir evidências mais claras de impacto no negócio.
Para quem trabalha, isso pode mudar a forma como projetos de IA são escolhidos, financiados e avaliados.
A principal razão apontada pela Forrester é a dificuldade de transformar experimentos de IA em resultados financeiros mensuráveis.
Segundo a consultoria, menos de um terço dos tomadores de decisão consegue relacionar o valor gerado pela IA ao crescimento financeiro da organização. Apenas 15% dos responsáveis por decisões de IA disseram ter identificado impacto no EBITDA, indicador usado para medir o desempenho operacional de uma empresa.
Com isso, os departamentos financeiros devem participar mais das decisões relacionadas à tecnologia. A aprovação de novos projetos tende a depender de métricas como redução de custos, aumento de receita, produtividade e retorno sobre o investimento.
Na prática, a previsão não significa que as empresas vão parar de investir em IA. O cenário indica uma seleção mais rigorosa dos projetos.
Algumas iniciativas podem ganhar prioridade, como:
Já projetos experimentais, sem indicadores claros de resultado, podem ter mais dificuldade para receber novos recursos.
A mudança também pode afetar as habilidades buscadas pelas empresas. Conhecer uma ferramenta de IA tende a ser menos suficiente quando o objetivo é demonstrar resultado para o negócio.
Profissionais podem ser cobrados para identificar problemas que podem ser resolvidos com IA, estimar ganhos de produtividade e acompanhar indicadores depois da implementação.
Isso aumenta a importância da chamada fluência em IA, que envolve compreender como a tecnologia funciona, conhecer suas limitações e saber aplicá-la a situações concretas do trabalho.
A previsão da Forrester não aponta para uma redução generalizada dos investimentos em IA. O movimento pode representar uma mudança de foco: empresas continuam destinando recursos à tecnologia, mas passam a priorizar iniciativas com maior possibilidade de retorno.
O cenário também ocorre enquanto grandes empresas de tecnologia seguem ampliando investimentos em infraestrutura de IA. A S&P Global Ratings estima que os gastos de capital combinados das seis maiores empresas de infraestrutura de nuvem podem superar US$ 1,3 trilhão até 2027.
Para as empresas que usam essas tecnologias, portanto, a questão tende a ser menos se investir em IA e mais quais projetos conseguem justificar o investimento com resultados mensuráveis.