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A ascensão das empresas de inteligência artificial voltou a impulsionar o mercado imobiliário e a alta dos aluguéis em San Francisco. (Reprodução)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 10h00.
Última atualização em 10 de agosto de 2026 às 10h05.
O aluguel médio pedido na região metropolitana de San Francisco subiu 18% em menos de dois anos e chegou a US$ 3.728 por mês, segundo a empresa de dados imobiliários CoStar. Com isso, a cidade ultrapassou a região metropolitana de Nova York pela primeira vez desde 2019 e retomou o posto de aluguel médio mais alto dos Estados Unidos. O motor da alta é a economia da inteligência artificial.
Nos bairros mais concorridos, os valores dobram em relação à média. Segundo a plataforma Zumper, o aluguel mediano de apartamentos de dois quartos atingiu US$ 5.700 e o de um quarto passou de US$ 4.000, ambos recordes na série da empresa. As altas se concentram onde estão os escritórios do setor: em Mission Bay, onde a OpenAI opera, um apartamento de um quarto custa cerca de US$ 5.500; em SoMa, onde fica a Anthropic, US$ 5.100.
A reviravolta é recente. Durante a pandemia, os aluguéis pedidos na cidade caíram mais de 7% em 2020 e ficaram em patamar igual ou inferior ao pré-pandemia até o ano passado, com a fuga de moradores e a consolidação do trabalho remoto. O que virou o jogo foi o fim do home office irrestrito somado à onda de contratações das empresas de IA.
Os números explicam a pressão. A Bay Area concentrou 70% de todo o capital de risco destinado à IA nos Estados Unidos desde 2019, segundo a PitchBook, num mercado em que o investimento global deve chegar a US$ 2,6 trilhões neste ano. Em San Francisco, uma em cada quatro áreas de escritório alugadas nos últimos dois anos foi para empresas do setor, e a cidade registra o maior aumento em vagas de emprego entre os grandes mercados de aluguel do país.
Do lado da oferta, o cenário é oposto. A taxa de vacância de apartamentos caiu para 3,7% no segundo trimestre, ante 4,9% um ano antes, a menor entre as regiões metropolitanas americanas atrás apenas de Nova York e San Jose. A construção de novos prédios avança mais devagar que em Seattle e Nova York, e projetos relevantes seguem travados, como uma torre de 800 unidades no bairro da Marina.
O desequilíbrio já aparece nas práticas do mercado: imóveis somem em horas, disputas elevam preços em centenas de dólares em dois dias, e proprietários passaram a oferecer acordos de saída a inquilinos de apartamentos sob controle de aluguel. Algumas startups incorporaram moradia ao pacote de contratação, com auxílio mensal para quem mora perto do escritório.
O relatório econômico da prefeitura, divulgado neste mês, credita a retomada da cidade ao boom de investimento em IA e registra que os aluguéis pedidos para apartamentos vazios subiram 14% apenas entre março e julho, enquanto a geração de empregos fora de saúde e turismo foi modesta. A pressão deve continuar: as empresas do setor seguem alugando escritórios, os aumentos já se espalham para Oakland e San Jose, e os IPOs de OpenAI e Anthropic estão no horizonte, na esteira da abertura de capital da SpaceX, que já injetou uma nova onda de riqueza na região.