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Como perfis criados por IA já vendem produtos reais para milhões de seguidores

Personagens digitais como Lil Miquela e Aitana Lopez acumulam audiência, fecham campanhas e mostram como a inteligência artificial muda a publicidade

Como perfis criados por IA já vendem produtos reais para milhões de seguidores  (Freepik)

Como perfis criados por IA já vendem produtos reais para milhões de seguidores (Freepik)

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 17h59.

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Eles têm fotos, vídeos, personalidade, rotina e milhões de seguidores. A diferença é que não existem fisicamente. São os chamados influenciadores virtuais, personagens digitais criados por computação gráfica, inteligência artificial e equipes de produção.

Um dos casos mais conhecidos é Lil Miquela, personagem criada em 2016. Em novembro de 2024, ela tinha mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, segundo estudo publicado pela Springer Nature. A personagem já participou de campanhas para marcas como Prada, Calvin Klein e Samsung.

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Como funciona um influenciador virtual

Um influenciador virtual é uma persona digital construída para atuar nas redes sociais como um criador de conteúdo. A equipe responsável define aparência, personalidade, interesses e narrativa, enquanto ferramentas digitais são usadas para produzir imagens, vídeos e outros conteúdos.

Em alguns casos, a inteligência artificial também participa da geração de textos e interações. Isso permite criar uma personagem que publica com frequência e mantém uma identidade visual relativamente consistente.

No Brasil, um exemplo conhecido é Lu do Magalu, personagem virtual ligada ao Magazine Luiza. Um estudo publicado na revista Contratexto analisou 799 publicações da personagem e identificou 87 posts com intenção comercial, além de campanhas envolvendo setores como tecnologia, moda, beleza e finanças.

Por que marcas usam pessoas que não existem?

Para as empresas, uma das características dos influenciadores virtuais é o maior controle sobre a personagem. Não há agenda pessoal, deslocamento físico ou necessidade de produzir uma sessão de fotos convencional para cada publicação.

O caso de Aitana Lopez ilustra esse modelo. Criada pela agência espanhola The Clueless, a personagem tinha cerca de 400 mil seguidores somados em suas redes em 2026 e já participava de campanhas comerciais. Uma equipe de 11 pessoas trabalha por trás do perfil.

O fenômeno também interessa porque transforma a produção de publicidade em uma operação mais próxima da criação de um ativo digital. A personagem pode aparecer em diferentes cenários, roupas e campanhas sem precisar estar fisicamente presente.

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O consumidor sabe que está falando com uma IA?

Esse é um dos principais pontos estudados por pesquisadores. Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista Acta Psychologica analisou 51 estudos sobre influenciadores virtuais e identificou três fatores recorrentes: autenticidade percebida, transparência e confiança.

Outro estudo, publicado no Journal of Retailing and Consumer Services em 2026, analisou 710 participantes e investigou como o realismo visual e comportamental de influenciadores virtuais afeta confiança, percepção de marcas e intenção de compra. Os resultados apontaram relação entre o realismo percebido e essas respostas dos consumidores.

Isso ajuda a explicar por que a fronteira entre personagem, publicidade e pessoa pode ficar menos evidente. Quanto mais realista é o conteúdo, maior pode ser a necessidade de deixar clara a natureza digital da persona.

O que muda para quem trabalha com marketing e conteúdo

A expansão desses perfis cria novas funções e demandas profissionais. Além de especialistas em marketing e publicidade, o modelo envolve profissionais de produção audiovisual, dados, design, estratégia e IA generativa.

Para quem trabalha com comunicação, acompanhar essa transformação significa entender não apenas como criar imagens e textos com IA, mas também como essas ferramentas alteram distribuição, relacionamento com audiência e modelos de negócio.

A inteligência artificial já está sendo aplicada na criação de conteúdo, publicidade e relacionamento com consumidores. O Pré-MBA em IA da Saint Paul e EXAME tem quatro aulas práticas, online, por R$ 37.

A tendência também traz novas questões sobre transparência, autoria e confiança. Estudos recentes mostram que o desempenho desses personagens não depende apenas de parecerem humanos, mas da relação construída com a audiência e da credibilidade atribuída à comunicação.

Na prática, os influenciadores virtuais mostram uma mudança importante no mercado de conteúdo: a influência pode ser construída digitalmente, com personagens que não possuem uma existência física, mas podem ter audiência, contratos comerciais e participação em decisões de consumo.

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