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A expansão da inteligência artificial tornou energia e infraestrutura fatores estratégicos para o crescimento dos data centers (Andrzej Rostek/Getty Images)
Redatora
Publicado em 9 de julho de 2026 às 06h04.
A disputa pela liderança em inteligência artificial já não acontece apenas entre empresas de tecnologia. Nos bastidores, um recurso muito mais básico passou a determinar quem conseguirá desenvolver modelos cada vez mais potentes: a eletricidade.
À medida que a IA avança, cresce também a necessidade de data centers capazes de processar bilhões de cálculos por segundo — uma infraestrutura que consome enormes quantidades de energia e começa a pressionar redes elétricas em diferentes países.
O tema deixou de ser uma questão exclusivamente tecnológica e passou a fazer parte das estratégias de governos, empresas de energia e grandes investidores.
Diferentemente de aplicativos convencionais, modelos de inteligência artificial exigem grande capacidade computacional tanto para serem treinados quanto para responder aos usuários.
Esse processamento ocorre em milhares de servidores equipados com chips de alto desempenho que funcionam continuamente.
Além do consumo dos equipamentos, há outro fator importante: a refrigeração. Como esses processadores operam em altas temperaturas, os data centers precisam de sistemas de resfriamento que também demandam grandes volumes de energia elétrica e, em alguns casos, de água.
A corrida pela inteligência artificial provocou uma nova onda de investimentos em infraestrutura.
Empresas de tecnologia anunciaram bilhões de dólares para construir ou ampliar data centers, enquanto governos passaram a discutir formas de garantir oferta suficiente de energia para atender essa expansão.
Em alguns mercados, a disponibilidade de eletricidade já influencia a decisão sobre onde instalar novos centros de processamento.
Regiões com energia abundante, estável e de menor custo ganharam vantagem competitiva para atrair investimentos ligados à IA.
O aumento da demanda por eletricidade preocupa principalmente empresas do setor energético, operadoras de redes elétricas e governos responsáveis pelo planejamento da infraestrutura nacional.
Especialistas avaliam que o crescimento acelerado dos data centers exigirá investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia.
Sem essa expansão, o avanço da inteligência artificial poderá enfrentar gargalos físicos, independentemente da evolução dos modelos computacionais.
Outro desafio envolve a sustentabilidade. Grandes empresas de tecnologia vêm ampliando contratos de compra de energia renovável e investindo em fontes como solar, eólica e até nuclear para reduzir a emissão de carbono associada às operações.
Até pouco tempo, o principal diferencial entre empresas de IA era desenvolver modelos mais rápidos e precisos. Hoje, a capacidade de garantir infraestrutura energética suficiente também entrou nessa disputa.
Ter acesso aos chips mais modernos continua sendo importante, mas eles dependem de uma rede capaz de fornecer energia de forma contínua e confiável. Por isso, eletricidade passou a ser tratada como um recurso estratégico para o futuro da inteligência artificial.
Mais do que uma discussão sobre tecnologia, o crescimento da IA revela um desafio de infraestrutura. Nos próximos anos, a expansão dos data centers dependerá não apenas de avanços em software, mas também da capacidade de produzir e distribuir energia em escala suficiente para acompanhar essa nova demanda.