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Empresas de diferentes setores esperam ampliar o impacto da inteligência artificial sobre suas operações até 2030 (Magnific/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 06h00.
Uma transformação desse tamanho não costuma acontecer de uma hora para outra. Ainda assim, o mercado de trabalho já tem uma data no horizonte: 2030. É quando 86% dos empregadores ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial esperam que a inteligência artificial e as tecnologias de processamento de informação transformem seus negócios.
O dado faz parte do Future of Jobs Report 2025, elaborado a partir de respostas de mais de 1.000 empresas que, juntas, representam mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias.
A previsão não significa que 86% das empresas vão substituir funcionários por máquinas. O levantamento mede a expectativa de transformação dos negócios.
Na prática, isso pode envolver automação de tarefas, novas funções, uso de ferramentas de IA e mudanças nas competências necessárias para executar atividades que já existem.
A exposição varia bastante entre os setores. No cenário global, serviços financeiros aparecem no topo, com 97% dos empregadores esperando impacto da IA, seguidos pelo setor de eletrônicos, com 95%.
Tecnologia da informação e serviços também estão entre os segmentos mais avançados: 99% das empresas da área esperam que IA e processamento de informação transformem suas operações até 2030.
Outros setores devem avançar em ritmos diferentes.
Energia, tecnologia e serviços públicos, por exemplo, registram uma expectativa de exposição menor, de 72%, enquanto governo e setor público chegam a 76%.
A diferença também aparece no tamanho das companhias. Organizações maiores enxergam maior impacto potencial: entre empresas com mais de 50 mil funcionários, apenas 6% esperam baixa exposição à IA até 2030. Entre aquelas com menos de mil empregados, a proporção sobe para 16%.
O cenário brasileiro acompanha a tendência global, mas tem características próprias. O Fórum Econômico Mundial aponta lacunas de qualificação como uma das principais barreiras à transformação das empresas no país.
Quase nove em cada dez companhias brasileiras consultadas planejam investir na qualificação de seus funcionários nos próximos cinco anos.
Entre as habilidades cuja importância deve crescer estão IA e big data, pensamento criativo e alfabetização tecnológica. Empatia, escuta ativa, resiliência, flexibilidade e curiosidade também aparecem entre as competências valorizadas.
A mudança pode atingir até os cargos. No Brasil, o relatório aponta crescimento esperado para funções como especialistas em transformação digital, profissionais de IA e aprendizado de máquina e especialistas em cadeia de suprimentos e logística.
Aprender a operar uma ferramenta específica é um começo, mas não precisa ser o ponto final. O relatório mostra que as empresas também valorizam capacidades que continuam dependendo de julgamento humano, como pensamento analítico, criatividade, liderança e adaptação.
Uma estratégia possível é observar as tarefas que fazem parte da própria rotina e identificar quais podem ser automatizadas ou aprimoradas com IA. Depois, vale aprender ferramentas relacionadas à área de atuação e, principalmente, entender como conferir os resultados produzidos por elas.
O Fórum Econômico Mundial estima que 77% dos empregadores pesquisados pretendem investir em qualificação e requalificação para preparar suas equipes para trabalhar com IA.
Para quem está no mercado, portanto, acompanhar a tecnologia significa também acompanhar as mudanças na própria profissão. A vantagem pode estar menos em saber tudo sobre inteligência artificial e mais em descobrir onde ela pode melhorar o trabalho que já se sabe fazer.