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70 milhões de trabalhadores podem ter o trabalho transformado por agentes de IA, diz estudo

Estudo de Stanford com 1.500 profissionais mostra quais tarefas eles querem automatizar e aponta habilidades que podem ganhar importância

70 milhões de trabalhadores podem ter o trabalho transformado por agentes de IA, diz estudo (Magnific/Reprodução)

70 milhões de trabalhadores podem ter o trabalho transformado por agentes de IA, diz estudo (Magnific/Reprodução)

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 17h16.

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Um estudo conduzido pelo Stanford SALT Lab analisou como agentes de IA podem alterar atividades realizadas por trabalhadores nos Estados Unidos. A pesquisa ouviu 1.500 profissionais de 104 ocupações e avaliou 844 tarefas.

O levantamento considera cerca de 70 milhões de trabalhadores potencialmente envolvidos nessa transição. O objetivo não foi apenas medir o que a tecnologia consegue automatizar, mas também entender o que os próprios profissionais querem delegar à IA.

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Quais tarefas os trabalhadores querem automatizar

Os pesquisadores descobriram que 46,1% das tarefas analisadas receberam avaliação positiva para automação por parte dos profissionais que as executam.

O principal motivo é liberar tempo para atividades consideradas mais importantes. Essa justificativa apareceu em 69,4% das respostas favoráveis à automação. Repetição e possibilidade de melhorar a qualidade do trabalho também aparecem entre os motivos citados.

O estudo criou quatro grupos para comparar o interesse dos trabalhadores com a capacidade tecnológica dos agentes:

  • Zona verde: alta capacidade da IA e alto interesse em automatizar
  • Zona vermelha: alta capacidade, mas baixo interesse dos trabalhadores
  • Zona de oportunidade: alto interesse, porém capacidade tecnológica ainda baixa
  • Baixa prioridade: baixo interesse e baixa capacidade

A divisão mostra que a pergunta não é apenas se a IA consegue realizar uma tarefa. Também importa se os profissionais querem que ela faça isso.

Nem tudo deve ser automatizado

O levantamento também apresenta a chamada Human Agency Scale, uma escala de H1 a H5 criada para medir quanto envolvimento humano é necessário em uma tarefa.

O nível H3, que representa uma parceria equilibrada entre pessoa e agente de IA, foi o mais desejado pelos trabalhadores em 47 das 104 ocupações analisadas. Em outras palavras, muitos profissionais não querem simplesmente entregar uma atividade para a máquina, mas trabalhar em conjunto com ela.

A diferença entre capacidade técnica e preferência humana também chama atenção. Em 47,5% das 844 tarefas, os trabalhadores preferiram um nível de participação humana maior do que aquele considerado tecnicamente necessário pelos especialistas.

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Quais habilidades podem ganhar importância

O estudo sugere que a expansão dos agentes pode mudar o peso de diferentes competências no mercado de trabalho.

Atividades ligadas ao processamento de informações, como análise de dados e atualização de conhecimento, podem perder espaço relativo quando agentes conseguem executar parte dessas tarefas.

Ao mesmo tempo, competências interpessoais e organizacionais aparecem associadas a atividades que exigem maior participação humana. Entre elas estão coordenação, interação com outras pessoas, tomada de decisões e avaliação da qualidade.

Isso não significa que essas habilidades substituirão as competências técnicas. O resultado indica uma possível mudança na combinação de capacidades exigidas dos profissionais conforme agentes de IA assumam mais tarefas operacionais e de processamento.

O que muda para quem trabalha

A pesquisa reforça uma distinção importante entre automação e colaboração. Uma tarefa pode ser tecnicamente automatizável, mas continuar exigindo supervisão, julgamento ou decisão humana.

O cenário também depende da evolução dos próprios agentes. O AI Index 2026, do Stanford HAI, mostra que agentes avançaram de sistemas que apenas respondem perguntas para ferramentas capazes de executar tarefas, embora ainda apresentem falhas relevantes em testes estruturados.

Para os profissionais, a mudança tende a envolver não apenas aprender a utilizar ferramentas de inteligência artificial, mas entender quais atividades podem ser delegadas, quais precisam de supervisão e onde a contribuição humana continua sendo necessária.

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