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Por que CAAP e Zurich largam na frente na disputa pelo aeroporto de Brasília

Atual operadora tem incentivo para preservar o controle do ativo, enquanto aquisições recentes podem limitar o apetite de uma das concorrentes

Aeroporto de Brasília (Reprodução/Reprodução)
Aeroporto de Brasília (Reprodução/Reprodução)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A operadora aeroportuária Corporación América Airports (CAAP) e a Zurich Airport aparecem como favoritas ao leilão do aeroporto de Brasília, previsto para 17 de dezembro. O pacote inclui dez aeroportos regionais, R$ 2,06 bilhões em investimentos e pagamento fixo de R$ 629 milhões, além da compra da participação da CAAP.

O conhecimento da operação e o risco de perder o controle do aeroporto de Brasília colocam a Corporación América Airports (CAAP) entre as favoritas ao novo leilão do terminal, previsto para 17 de dezembro. A Zurich Airport também desponta entre as principais candidatas, em uma disputa que pode atrair ASUR e Aena.

A vantagem da CAAP começa pela presença no ativo. O grupo detém 51% da concessão, enquanto a Infraero tem os outros 49%, e já conhece a operação e as necessidades de investimento do aeroporto. Há também um incentivo para defender sua posição: quem vencer o leilão deverá adquirir a participação da atual controladora, assumindo 100% do negócio. Para a CAAP, portanto, a disputa envolve tanto a oportunidade de ampliar sua participação quanto a permanência em Brasília.

A Zurich aparece como a outra favorita em um cenário no qual a ASUR pode ter menos espaço para uma oferta agressiva. O grupo venceu a disputa pelos aeroportos da Motiva e está em negociações para assumir integralmente Confins, apurou o EXAME Insight. A combinação dessas operações com o aumento da alavancagem pode limitar seu apetite por Brasília.

Isso não retira a ASUR da disputa, mas ajuda a explicar por que CAAP e Zurich são vistas como candidatas mais fortes. A Aena, que já opera Congonhas e outros aeroportos brasileiros, também está no radar. A participação das quatro empresas ainda não está confirmada.

O pacote reúne Brasília e dez aeroportos regionais, com previsão de R$ 2,06 bilhões em investimentos. Serão R$ 1,2 bilhão no aeroporto da capital federal, incluindo um terminal internacional, um edifício-garagem e uma nova via de acesso, e R$ 858 milhões nos demais terminais. Vencerá quem oferecer o maior repasse variável ao governo sobre a receita bruta, partindo de 5,9%. Haverá ainda um pagamento fixo de R$ 629 milhões, além da aquisição da participação da CAAP.

Da concessão bilionária à renegociação

A disputa por Brasília abre um novo capítulo de uma concessão iniciada em 2012, quando a Inframerica, formada pela argentina Corporación América e pela brasileira Engevix, venceu o leilão com uma oferta de R$ 4,51 bilhões. O lance ficou cerca de 673% acima do valor mínimo, em um contrato de 25 anos, com término previsto para 2037. A Infraero manteve 49% da concessionária.

A composição societária mudou em 2015, quando a Engevix negociou sua participação nos aeroportos de Brasília e Natal com a Corporación América. Em Brasília, a operação levou o grupo argentino a concentrar os 51% privados da concessão.

Nos anos seguintes, a operação enfrentou uma demanda inferior à projetada na época do leilão. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), as crises econômicas e políticas, a pandemia e as mudanças na malha aérea comprometeram os resultados da concessionária. A renegociação aprovada neste ano substitui as outorgas fixas anuais por pagamentos vinculados à receita e preserva o prazo até 2037. Como as condições econômicas do contrato foram alteradas, o acordo exige uma disputa pelo controle da empresa.

CAAP e Zurich já estiveram em lados diferentes de outra troca de operador no Brasil. Em Natal, a Inframerica pediu a devolução da concessão em 2020. A Zurich venceu a relicitação em 2023, com lance de R$ 320 milhões, e assumiu a operação em fevereiro de 2024.

'Perguntas frequentes'

Quando será o novo leilão do aeroporto de Brasília? +

O novo leilão do aeroporto de Brasília está previsto para 17 de dezembro. A disputa também inclui dez aeroportos regionais.

Quais empresas são favoritas no leilão do aeroporto de Brasília? +

A Corporación América Airports (CAAP) e a Zurich Airport são vistas como as candidatas mais fortes. ASUR e Aena também estão no radar, mas a participação das quatro empresas ainda não foi confirmada.

Por que a CAAP é favorita no leilão de Brasília? +

A CAAP já controla 51% da concessão e conhece a operação e as necessidades de investimento do aeroporto. A empresa também precisa defender sua permanência no ativo, pois o vencedor deverá adquirir a participação da atual controladora e assumir 100% do negócio.

Por que a ASUR pode ter menos espaço para disputar Brasília? +

A ASUR venceu a disputa pelos aeroportos da Motiva e negocia assumir integralmente Confins, segundo apuração do EXAME Insight. Essas operações e o aumento da alavancagem podem limitar o apetite do grupo por Brasília.

Quanto será investido no aeroporto de Brasília e nos terminais regionais? +

O pacote prevê R$ 2,06 bilhões em investimentos, dos quais R$ 1,2 bilhão será destinado ao aeroporto de Brasília e R$ 858 milhões aos demais terminais. Na capital federal, os projetos incluem um terminal internacional, um edifício-garagem e uma nova via de acesso.

Por que a concessão do aeroporto de Brasília será disputada novamente? +

A renegociação substituiu as outorgas fixas anuais por pagamentos vinculados à receita e manteve o contrato até 2037. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), crises econômicas e políticas, a pandemia e mudanças na malha aérea prejudicaram os resultados; como as condições econômicas foram alteradas, o acordo exige nova disputa pelo controle.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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