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Grupo Petz Cobasi cresce, ganha margem e prepara captura de até R$ 260 milhões em sinergias

Grupo prevê que frutos da fusão vão começar a ganhar força no segundo semestre; lucro líquido ajustado somou R$ 70 milhões no trimestre, alta de 8,4%

Paulo Nassar CEO da Cobasi (Paul Henri Bonneval/Divulgação)
Paulo Nassar CEO da Cobasi (Paul Henri Bonneval/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 18:51.

Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 19:01.

O Grupo Petz Cobasi encerrou o segundo trimestre com receita bruta de R$ 2 bilhões, crescimento de 8,2% na comparação anual. O Ebitda ajustado — lucro antes antes de juros, impostos, depreciação e amortização — avançou 11%, para R$ 186 milhões, com expansão de 0,3 ponto percentual da margem, que chegou a 10,6%. O lucro líquido ajustado somou R$ 70 milhões, alta de 8,4%.

A geração de caixa também ganhou força. Foram R$ 213 milhões de caixa operacional no trimestre, e a companhia terminou junho com posição de caixa líquido de R$ 286 milhões — R$ 127 milhões acima do registrado ao fim do primeiro trimestre.

O crescimento veio de forma relativamente equilibrada entre as duas bandeiras e os canais. A receita bruta da Cobasi avançou 8,6% e a da Petz, 7,2%. No digital, as vendas cresceram 9,2%, acima dos 7,4% das lojas físicas, e passaram a representar 40,6% das vendas totais, ganho de 0,5 ponto percentual em um ano.

A receita bruta cresceu 8,7%, para R$ 4 bilhões, enquanto o Ebitda avançou 22,2%. A margem Ebitda ajustada subiu 1,1 ponto percentual, para 10,2%.

As despesas também perderam peso. Como proporção da receita líquida, passaram de 37,7% no primeiro semestre do ano passado para 36,8% neste ano. A margem bruta, por sua vez, avançou de 46,9% para 47,1%.

Antes da colheita

O ponto é que essa melhora aconteceu antes de a maior parte das sinergias da fusão entre Petz e Cobasi chegar ao resultado. “Para o primeiro semestre, a gente tem pouca captura, mas praticamente tudo, de certa forma, está contratado”, diz Paulo Nassar, CEO do Grupo Petz Cobasi, em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.

A companhia mantém a previsão de capturar entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões em sinergias anuais com a combinação dos negócios. A partir da segunda metade do ano, porém, só 10% desse potencial deve aparecer.

Sobre cães e gatos

A fusão foi concluída em janeiro deste ano. Desde então, uma das principais frentes de trabalho tem sido comparar as condições comerciais que Petz e Cobasi mantinham individualmente com seus fornecedores.

Uma bandeira podia ter preços melhores em determinada categoria; a outra, em outro produto. Durante o primeiro semestre, o grupo renegociou essas condições para estabelecer uma nova base de compras para a companhia combinada.

A maior parte da negociação com fornecedores já foi concluída, e as compras começaram a ser feitas pelos novos preços. Existe, porém, uma defasagem até que o estoque adquirido anteriormente seja vendido e os produtos comprados sob as novas condições cheguem ao resultado.

Por isso os efeitos devem começar a aparecer com mais força a partir do terceiro trimestre e crescer progressivamente nos períodos seguintes.

Há outras frentes de integração. O grupo está renegociando despesas indiretas, comparando processos das duas companhias e trabalhando na integração logística.

Hoje, centros de distribuição ainda podem atender separadamente Petz ou Cobasi. Com a unificação das estruturas das companhias, a expectativa é que os mesmos CDs possam abastecer as duas bandeiras, reduzindo rotas e aumentando a produtividade.

Marca própria como motor de crescimento

Uma das primeiras sinergias já visíveis está nas marcas próprias. Na Petz, elas representaram 14,4% das vendas no trimestre, alta de 1,5 ponto percentual em um ano. Na Cobasi, a participação avançou 3,1 pontos, para 9,5%.

Parte desse avanço vem da integração da Petix, fabricante de tapetes higiênicos adquirida pela Petz em 2021. Depois da fusão, os produtos passaram a ganhar espaço também nas lojas Cobasi.

Em junho, tapetes higiênicos de marcas próprias já respondiam por mais de 80% das vendas da categoria na Cobasi e por 88% na Petz.

O efeito é relevante para a rentabilidade. Segundo Nassar, os produtos próprios podem apresentar margens entre 5 e 10 pontos percentuais maiores do que itens equivalentes comprados de terceiros.

A Petix teve no segundo trimestre o melhor período de sua história em vendas e rentabilidade, segundo a administração. O grupo também está ampliando marcas próprias para categorias como alimentos secos, snacks, alimentos úmidos e suplementos.

Nova fronteira: serviços

Outra frente que deverá receber mais capital é a de serviços. Petz e Cobasi somam hoje 159 clínicas e consultórios, 320 centros estéticos e 15 hospitais. A companhia pretende acelerar os investimentos principalmente em saúde animal. “O futuro do varejo não está no varejo em si, está em serviços”, afirma Nassar.

A estratégia não considera apenas a receita obtida com consultas, hospitais ou banho e tosa. O grupo observa que consumidores que utilizam esses serviços também aumentam a frequência de compra de produtos.

Serviços, tecnologia e digital estão entre os destinos dos R$ 150 milhões a R$ 200 milhões que o grupo pretende investir em 2026. A conta também inclui a expansão física.

Expansão acelerada

O grupo encerrou o trimestre com cerca de 520 lojas e pretende abrir 12 unidades neste ano. Duas já foram inauguradas, deixando dez aberturas previstas para o segundo semestre. Serão R$ 40 milhões investidos nessa frente. Para 2027, a expectativa é acelerar o ritmo de expansão.

A companhia pretende financiar esse crescimento, por enquanto, com recursos próprios. Ao fim de junho, eram cerca de R$ 637 milhões em caixa e R$ 351 milhões de dívida bruta.

Nassar afirma que o grupo não está buscando novas linhas de financiamento diante do nível atual dos juros e porque a geração de caixa é suficiente para sustentar o plano de expansão.

A fusão, contudo, ainda está longe de terminar. O CEO estima um processo de integração de 24 a 36 meses.

Efeito Brasil

Apesar do desempenho positivo da companhia, Nassar mantém uma leitura cautelosa sobre o ambiente macroeconômico brasileiro. O executivo espera um 2027 difícil para o varejo e avalia que o país terá de passar por algum grau de ajuste fiscal, independentemente do resultado das eleições. "Juros na faixa atual restringem investimentos e consumo e têm pressionado empresas mais alavancadas", diz. "É inviável", completa.

A preocupação se estende à situação financeira das famílias. Nassar cita o endividamento e o avanço das apostas online como fatores que disputam espaço com o consumo na renda disponível. Apesar desse cenário, ele afirma que esses efeitos ainda não atingiram de forma relevante a operação do grupo e ressalta que o mercado pet tem características mais resilientes, pela recorrência do consumo.

É nesse ambiente que a companhia pretende acelerar a expansão. Para Nassar, a posição de caixa líquido dá à Petz Cobasi condições de atravessar uma eventual desaceleração sem depender de novas captações e continuar investindo. “O grande benefício do grupo é que nós somos caixa líquido, ou seja, a gente tem caixa para passar períodos de aperto”, disse.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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