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Lifetime chega a R$ 30 bilhões e vira corretora para fazer em quatro anos mais do que fez em 15

Autorizada pelo Banco Central a constituir uma corretora, gestora private quer sair dos atuais R$ 30 bilhões para R$ 100 bilhões sob gestão até 2030

Fernando Katsonis, CEO da Lifetime Investimentos: “2024 foi desafiador, mas conseguimos um crescimento muito relevante. Para este ano, enxergamos a possibilidade de ganhar ainda mais mercado, de aumentar a nossa equipe de profissionais qualificados e aumentar a receita anual. Este será um ano bastante ousado” (Lifetime/Divulgação)
Fernando Katsonis, CEO da Lifetime Investimentos: “2024 foi desafiador, mas conseguimos um crescimento muito relevante. Para este ano, enxergamos a possibilidade de ganhar ainda mais mercado, de aumentar a nossa equipe de profissionais qualificados e aumentar a receita anual. Este será um ano bastante ousado” (Lifetime/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 20 de agosto de 2026 às 10:00.

Última atualização em 20 de agosto de 2026 às 15:50.

A Lifetime quer mais que triplicar de tamanho nos próximos quatro anos — e acaba de conseguir uma nova peça para executar o plano. A companhia, especializada na gestão e no aconselhamento de grandes patrimônios, recebeu nos últimos dias autorização do Banco Central para constituir uma corretora de valores própria. Com mais de R$ 30 bilhões sob gestão, a meta é alcançar R$ 100 bilhões até 2030.

A licença abre uma nova avenida de negócios para a Lifetime, que completa 15 anos em 2026. A corretora permitirá avançar em áreas como produtos de investimento, mercado de capitais, crédito e soluções patrimoniais, adicionando novas fontes de receita ao grupo.

A operação ainda não começou. Com a autorização do BC, a Lifetime entra agora na fase de montagem das equipes, tecnologia, compliance, governança e processos. A companhia tem até 12 meses para colocar a corretora em funcionamento.

A ideia é manter o foco que trouxe a empresa até aqui: o cliente private. “Existe hoje no mercado uma corrida para oferecer tudo para todos. Nossa visão é diferente: não queremos necessariamente oferecer tudo; queremos ter capacidade de oferecer o melhor para cada cliente”, afirma Fernando Katsonis, CEO da Lifetime.

Segundo o executivo, a corretora será baseada em três pilares: curadoria, acesso e soluções financeiras mais sofisticadas. Em vez de disputar com plataformas generalistas pelo tamanho da prateleira, a Lifetime quer usar a estrutura para selecionar e desenvolver produtos voltados às necessidades dos clientes de maior patrimônio.

R$ 70 bilhões para buscar

A ambição coloca uma conta relevante pela frente. Para sair dos atuais R$ 30 bilhões e alcançar R$ 100 bilhões sob gestão em 2030, a Lifetime precisará adicionar cerca de R$ 70 bilhões à sua base.

Parte desse crescimento deverá vir da expansão regional. Presente em nove estados, a companhia está reforçando, por exemplo, a operação em Sorocaba, um dos principais polos industriais do interior paulista. A meta é alcançar R$ 3 bilhões em custódia na região nos próximos cinco anos, atendendo investidores de alta renda, empresários e grupos familiares. Uma nova sede está prevista para ser inaugurada em janeiro de 2027.

A expansão também passa pela abertura de negócios para públicos diferentes daquele atendido tradicionalmente pela Lifetime. Há cerca de dois meses, a companhia lançou a Mappi, em parceria com o BTG Pactual (mesmo grupo controlador da EXAME). A operação funciona por meio de uma rede de planejadores financeiros e tem uma proposta mais ampla, que passa por educação e organização financeira antes de chegar aos investimentos. A rede de planejadores está em expansão.

Outra frente já ganhou peso dentro do grupo. Criada há três anos, a Lifetime W, divisão especializada no atendimento financeiro e patrimonial de mulheres, responde atualmente por cerca de 10% do volume sob gestão da companhia — algo próximo de R$ 3 bilhões, considerando os mais de R$ 30 bilhões administrados pelo grupo.

É com essa combinação — expansão geográfica, novos públicos e uma corretora própria — que a Lifetime pretende fazer em quatro anos um movimento maior do que o realizado nos primeiros 15: acrescentar R$ 70 bilhões à sua base e chegar a R$ 100 bilhões sob gestão até 2030.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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