Gavekal indica onde investir em cenário de guerra ou trégua — e o Brasil está na lista
Se o Brasil funciona como hedge para o conflito, a Coreia do Sul representa o lado oposto da equação


Mitchel Diniz
Editor de Invest
Publicado em 14 de abril de 2026 às 14:24.
Em meio à incerteza geopolítica envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã, investidores globais enfrentam um dilema clássico: aproveitar quedas de mercado ou adotar uma postura defensiva. Para a Gavekal Research, a resposta pode estar menos em prever cenários e mais em se posicionar para todos eles ao mesmo tempo.
A casa defende uma estratégia que combine exposição a mercados capazes de performar tanto em cenários de guerra quanto de paz. A principal sugestão é uma alocação equilibrada entre ações do Brasil e da Coreia do Sul — dois países com características opostas diante do choque energético global.
Brasil: proteção em cenário de guerra
No relatório, o Brasil aparece como um dos principais beneficiários de uma eventual escalada do conflito. Isso porque o país é exportador líquido de energia e está geograficamente distante do epicentro das tensões no Oriente Médio.
Com preços de petróleo e gás sustentados por eventuais disrupções no Estreito de Ormuz, o mercado brasileiro tende a se beneficiar diretamente. Além disso, o peso de empresas de óleo e gás no principal índice reforça essa dinâmica.
Outro ponto destacado pela Gavekal é o valuation. Apesar da recuperação recente — que já eliminou oportunidades de compra mais evidentes —, o Brasil ainda oferece retorno real ajustado ao risco superior ao observado nos Estados Unidos.
Coreia do Sul: aposta em trégua e retomada
Se o Brasil funciona como hedge para o conflito, a Coreia do Sul representa o lado oposto da equação. O país é importador líquido de energia e altamente sensível a custos energéticos — o que o penaliza em cenários de guerra.
Por outro lado, um cessar-fogo sustentado e a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz tendem a impulsionar fortemente os ativos coreanos. A bolsa local, que chegou a cair cerca de 20% no início do conflito, mostrou forte capacidade de recuperação diante de notícias positivas.
A Gavekal destaca ainda três vetores estruturais para o mercado sul-coreano, como reformas regulatórias que fortalecem acionistas minoritários, mudanças tributárias que incentivam retorno de capital e exposição ao ciclo global de investimentos em inteligência artificial, especialmente em semicondutores
Mesmo após a recuperação recente, o mercado segue com valuations considerados atrativos, com retorno real competitivo inclusive frente à renda fixa americana.
Estratégia “Tolstói”: equilíbrio entre extremos
A combinação entre Brasil e Coreia forma o que a Gavekal chama de portfólio “Tolstói” — capaz de capturar ganhos tanto em cenários de guerra quanto de paz.
Simulações indicam que uma carteira com alocação 50/50 entre os dois mercados superou o índice global de ações desde o início de março, ainda que com maior volatilidade. A estratégia ganhou tração especialmente após a correção mais acentuada das ações coreanas, que melhorou o ponto de entrada.
Segundo a Gavekal, essa abordagem permite ao investidor reduzir a dependência de previsões binárias sobre o conflito e focar na adaptação, um princípio central em momentos de elevada incerteza geopolítica.
O que está em jogo
O pano de fundo segue sendo um ambiente de baixa visibilidade. Mesmo com negociações diplomáticas em curso, o relatório destaca que a “névoa da paz” pode ser tão opaca quanto a da guerra.
Nesse contexto, a recomendação é clara: mais do que tentar antecipar o desfecho do conflito, o investidor deve buscar exposições complementares, capazes de navegar em diferentes cenários macroeconômicos.
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Mitchel Diniz
Editor de InvestJornalista há 20 anos, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA Business School. Passou pelas redações de Valor, Folha de S. Paulo, GloboNews e InfoMoney.
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