Ex-CEO da Alpargatas mira R$ 1 bilhão com 'Mounjaro de cachorro', que já atraiu 40 mil interessados
Wigow, startup criada por Roberto Funari, lança em setembro um suplemento para controle de peso dos pets


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 09:05.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 11:44.
Roberto Funari, que foi CEO da Alpargatas entre 2019 e 2023, trocou de "calçados". O empresário, que antes vendia chinelos, foi para o mundo pet. Por meio de sua holding, a Viepet, a aposta agora é emagrecer cachorros.
Funari espera ter uma caminhada mais suave à frente da Wigow, startup brasileira de suplementos para pets lançada em 2025 como primeiro negócio da Viepet. A empresa vai lançar, em setembro, uma espécie de "Mounjaro" para cães. E já tem fila de espera. Mais de 40 mil tutores de animais já se cadastraram para adquirir a medicação de controle de peso dos pets.
A expectativa é que a linha de emagrecimento contribua para que a Wigow alcance, em três anos, R$ 1 bilhão em faturamento. Esse valor equivale a 15% do potencial mercado de novos suplementos caninos no país, que deve alcançar R$ 7 bilhões até 2029.
A meta, se atingida, vai transformar em migalhas os R$ 8 milhões que a Wigow investiu no desenvolvimento da marca e na produção do suplemento.
Excesso de petisco
Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), em 2020, somente na cidade de São Paulo, de um total de 285 cães analisados, 40,5% tinham prevalência combinada de sobrepeso e obesidade. A prevalência de sobrepeso e obesidade foi maior em cadelas e em cães castrados.
Apesar da comparação com medicamentos usados por pessoas que buscam perder peso, o suplemento nutricional da Wigow não é remédio e foi desenvolvido exclusivamente para cães. A formulação reúne L-carnitina, proteínas de salmão, fibras e sais minerais, ingredientes que auxiliam no metabolismo energético, promovem maior sensação de saciedade e contribuem para o controle alimentar dos pets. "Os cães vivem mais tempo, passam mais horas dentro de casa e fazem menos atividade física. Ao mesmo tempo, muitos recebem petiscos em excesso e porções maiores do que realmente necessitam”, afirma a médica-veterinária Ivelize da Costa Mello, responsável pelo desenvolvimento da fórmula.
Mercado em expansão
O mercado pet brasileiro movimenta cerca de R$ 75 bilhões por ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abinpet). Desse total, R$ 41 bilhões vêm da venda de alimentos industrializados para cães e gatos, segmento que responde por mais da metade do faturamento da indústria. Já os produtos veterinários representam R$ 8 bilhões.
O Brasil também concentra uma das maiores populações de animais de estimação do mundo. São cerca de 160 milhões de pets, o que coloca o país na terceira posição global, atrás apenas de Estados Unidos e China. Desse total, 66 milhões são cães.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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