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Casas Bahia: Por que varejista optou pelo caminho mais difícil da recuperação judicial

Varejista anunciou R$ 17,3 bilhões em dívidas a serem reestruturadas e cita piora do ambiente macroeconômico

 (Casas Bahia/Divulgação)
(Casas Bahia/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 08:46.

Última atualização em 17 de agosto de 2026 às 10:09.

A Casas Bahia entrou em recuperação judicial nesta segunda-feira, 17, com R$ 17,3 bilhões em dívidas. O pedido abre caminho para a companhia tentar destravar cerca de R$ 2 bilhões que estão contingenciados em processos judiciais — metade em disputas trabalhistas e metade em questões fiscais —, apurou o EXAME Insight

O acesso a esses recursos foi um dos principais motivos para a empresa optar pela recuperação judicial. Na recuperação extrajudicial, caminho adotado anteriormente pela varejista, os valores contingenciados continuariam bloqueados à espera de decisões da Justiça.

Além disso, há um terceiro motivo: a recuperação judicial dá à companhia mais poder para renegociar contratos com fornecedores e buscar condições mais favoráveis. A diretoria da Casas Bahia deliberou a reestruturação em reunião ao longo do último domingo, 16.

Crise que se arrasta

Em 2024, a Casas Bahia tentou resolver parte do problema fora dos tribunais. A companhia renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com bancos por meio de uma recuperação extrajudicial. A expectativa era que o alongamento dos vencimentos e a redução das despesas financeiras, combinados a uma recuperação do consumo, dessem fôlego ao caixa. Não foi o que aconteceu.

Agora, a aposta é outra. Com a recuperação judicial, a Casas Bahia pretende fazer uma reestruturação mais ampla do passivo sem interromper as operações. A companhia emprega mais de 20 mil pessoas e diz atender mais de 105 milhões de consumidores. Apesar da promessa, a companhia demitiu cerca de 3 000 funcionários e fechou quase 300 lojas neste mês. 

Na justificativa apresentada para o pedido, a Casas Bahia diz que a crise atual é resultado de problemas acumulados ao longo dos últimos anos. A conta começa na integração das operações de Casas Bahia e Ponto Frio, concluída em 2013, e passa pelos investimentos em tecnologia, logística e digitalização feitos a partir de 2019.

O custo do dinheiro tornou essa equação mais difícil. A companhia destaca o ciclo de alta dos juros, que levou a Selic de 2% em 2021 para 15% em 2025. Para a Casas Bahia, o efeito veio dos dois lados: encareceu o financiamento da própria operação e apertou a renda dos consumidores, reduzindo a demanda por móveis e eletroeletrônicos.

No meio do caminho, veio a pandemia. O fechamento temporário das lojas acelerou a migração para o digital e exigiu novos investimentos justamente quando a operação física estava sob pressão.

O problema é que o própio modelo de varejo também pesa. Vender móveis e eletroeletrônicos exige muito capital de giro, tanto para carregar estoques quanto para financiar o crediário. Com juros mais altos e consumo mais fraco, essa conta ficou ainda mais pesada.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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