Combustível dispara 72% e companhias dos EUA já falam em reajuste de tarifas. (Alessandro Rampazzo/AFP)
Redação Exame
Publicado em 21 de março de 2026 às 13h38.
Executivos das três maiores companhias aéreas dos Estados Unidos — Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines — afirmaram que o conflito envolvendo o Irã já impacta o setor aéreo, com alta no preço do combustível e reajustes nas tarifas. As declarações foram feitas durante conferência do JP Morgan.
O barril de petróleo Brent ultrapassou US$ 100 após subir 45% no último mês. No mesmo período, o índice Argus de querosene de aviação nos EUA avançou 72%, pressionando os custos operacionais das companhias.
O combustível é tradicionalmente o segundo maior gasto das aéreas, atrás apenas da folha de pagamento.
Diante desse cenário, as empresas indicaram que pretendem repassar parte da alta aos consumidores para preservar margens e rentabilidade.
O CEO da Delta Air Lines, Ed Bastian, afirmou que houve uma “queda muito modesta” na demanda de viagens para a Europa desde o início da guerra. Segundo ele, clientes tendem a adiar deslocamentos quando há conflitos na região.
Bastian disse que a Delta está “bem posicionada” para compensar a alta do combustível por dois fatores principais:
O executivo destacou ainda que, diferentemente de outras regiões do mundo, a maioria das companhias aéreas dos EUA não utiliza instrumentos financeiros de hedge para travar preços de combustível.
O CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou que a empresa trabalha para “compensar integralmente” a alta do combustível em 2026. Para isso, precisaria elevar a receita por assento em 8,5 pontos percentuais.
Kirby revelou que a companhia estuda cenários mais extremos, como:
A empresa também já começou a reduzir capacidade em algumas rotas, estratégia para equilibrar oferta e demanda caso os preços do combustível permaneçam elevados por mais tempo.
Segundo o executivo, as primeiras 10 semanas de 2026 registraram o maior volume de reservas da história da companhia, sinalizando demanda robusta que pode sustentar reajustes tarifários.
O CEO da American Airlines, Robert Isom, declarou que a companhia já desembolsou US$ 400 milhões adicionais com combustível.
Ele alertou que, se a alta for prolongada, haverá impacto direto na lucratividade do primeiro e possivelmente do segundo trimestre. A empresa também avalia ajustes de capacidade, com cortes de voos, caso o petróleo permaneça em níveis elevados.
Isom demonstrou confiança de que a American será lucrativa em 2026, mesmo após custos adicionais e impactos climáticos recentes.