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XRP: criptomoeda da Ripple valorizou 25% em três meses com batalha judicial nos EUA

Ativo é ligado à empresa Ripple e está no centro de decisão que pode impactar regulação de diversos criptoativos

SEC acusa a Ripple de ter violado as regras de emissão de valores mobiliários ao emitir e negociar a criptomoeda XRP (Ulrich Baumgarten/Getty Images)

SEC acusa a Ripple de ter violado as regras de emissão de valores mobiliários ao emitir e negociar a criptomoeda XRP (Ulrich Baumgarten/Getty Images)

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João Pedro Malar

2 de novembro de 2022, 07h00

A criptomoeda XRP se tornou um destaque do mercado cripto nas últimas semanas, acumulando uma valorização de cerca de 27,7% entre os dias 29 de julho e 26 de outubro, de acordo com dados da plataforma Coingecko.

Um levantamento da gestora de ativos digitais QR Asset aponta ainda que ela foi o criptoativo que mais valorizou em setembro considerando os principais projetos no mercado, com alta de 53,02% no mês. Atualmente, ela é a sexta maior criptomoeda do mundo em termos de volume e valor.

(Mynt/Divulgação)

Isso não significa que o XRP, lançado em 2012, vai destronar projetos maiores, como o bitcoin ou o ether, que têm capitalizações de mercado muito maiores - o XRP tem US$ 22 bilhões de market cap, contra quase US$ 190 bilhões do ether e US$ 390 bilhões do bitcoin.

Entretanto, as causas para a sua valorização recente podem afetar a percepção de todo o mercado, em uma definição sobre o arcabouço regulatório para o setor de criptoativos nos Estados Unidos e, potencialmente, outras grandes economias.

Processo judicial

Para Alexandre Ludolf, diretor de investimentos da QR Asset, a maior parte, se não quase toda, a valorização do XRP recentemente pode ser atribuída a notícias positivas para a criptomoeda e para a Ripple em um processo movido pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês).

A SEC acusa a Ripple de ter violado as regras de emissão de valores mobiliários ao emitir e negociar a criptomoeda, já que considera que o ativo se enquadra na categoria e, portanto, precisaria seguir as regulações da organização.

Já a Ripple contesta a visão da SEC, e afirma que o XRP não é um valor mobiliário, não estando sujeito às regras. Desde o início do processo, Ludolf avalia que ocorreu uma redução do risco da empresa perder a ação, o que impacta positivamente na cotação do ativo.

“Depois que passar por esse processo, nos próximos meses, fica algo pacificado, sem risco de novas ações. É um lugar regulatoriamente falando mais tranquilo, positivo”, explicou o especialista.

Ele diz que a maior “reviravolta” no caso até o momento foi a Ripple obter uma decisão que forçou a SEC a divulgar documentos internos de uma investigação que defendiam que o XRP não era um valor mobiliário, o que foi uma derrota para a agência.

Mesmo assim, ainda não há certeza sobre qual será o veredito final. Ludolf observa que uma vitória da Ripple serviria de jurisprudência para todo o setor de criptoativos, e por isso é algo “muito desejado” pelos investidores, que buscam mais segurança jurídica para o setor.

Nesse sentido, ele vê o XRP como um “canário da mina em relação à atividade regulatória para o setor. O setor precisa dessa vitória para ter respaldo jurídico, se não, a sensação é de que o regulador precisa fazer ainda mais, e eles são menos amigáveis. Envolve a percepção da atividade de regulação”.

Caio Villa, diretor de investimentos da Uniera, vê uma vitória da Ripple como o mais provável na ação, com uma redução no medo do mercado de que a criptomoeda fosse considerada oficialmente como um valor mobiliário.

“Se isso ocorrer, o XRP teria valorização pelo ganho de imagem e ganho de adesão”, projeta Villa. Ele explica que a base jurídica pode ajudar a atrair mais clientes e usuários para a Ripple e o XRP, o que seria benéfico para as duas.

Cuidados com o XRP

Entretanto, Villa observa que “as coisas são mais imprevisíveis nos EUA. Quando tiver decisão final falando que é moeda, sem dúvida que vai valorizar, até por especulação, mas tem que tomar cuidado com essa expectativa, que pode acabar sendo exagerada”.

Ele destaca que alguns investidores defendem que o XRP poderia chegar aos US$ 100, um valor bem superior tanto à cotação recorde de US$ 3,40 atingida em 2018 quanto os picos mais recentes de 2021, que não chegaram a US$ 2. Para ele, a projeção seria um “absurdo que não vai acontecer”.

Villa pontua outro risco, o de um resultado negativo para a Ripple, com o sistema judiciário dos EUA considerando o ativo como um valor mobiliário. Nesse caso, não apenas o XRP estaria sujeito a todas as regulações da SEC, como a empresa também seria multada por ter violado essas regras. "Se for reconhecido como título, iria despencar fortemente, até por ser algo que não está sendo esperado. Essa precificação de ser criptomoeda já foi feita”, disse.

xrp

Cotação do XRP em relação ao dólar desde o seu lançamento (Coingecko/Reprodução/Reprodução)

Ludolf, da QR Asset, também acredita que o XRP teria uma forte queda caso fosse considerada como um valor mobiliário, e que a decisão atingiria uma parcela considerável de projetos no mercado, já que vários criptoativos possuem características e bases semelhantes.

Ao mesmo tempo, ele acredita que há chances do XRP ter uma desvalorização inicial leve caso o julgamento seja positivo, em um movimento de realização de lucros dos investidores, que já precificaram uma decisão favorável.

“Eles podem até ter precificado demais e esquecido do cenário macro, daí a queda recente, e do fato que outros reguladores globais ainda podem processar, não é porque ganharia nos EUA que ganharia em todos”, afirma.

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Nesse sentido, ele alerta que é preciso “sempre ter cuidado ao investir, é um investimento bem especulativo no momento. O XRP envolve uma aposta em uma solução, serviço, apresentado pela Ripple”.

Para Ludolf, o fato da criptomoeda estar cotada abaixo do pico nos últimos três meses é normal, até pelo cenário macroeconômico global negativo, mas ele diz que é preciso “esperar o resultado do processo e ver para onde o projeto vai. Por hora precisa até se reinventar, investir em finalidade”.

Ele acredita que muitos investidores estão tentando “surfar em um hype que não é óbvio”, já que o XRP não é usado como moeda para a principal atividade da Ripple, trocas de remessas internacionais, que tem atraído clientes institucionais de peso.

Instituições como o Bank of America, Santander, Standard Chartered, PNC Bank e Cuallix anunciaram nos últimos anos que aderiram ao sistema da Ripple para envio de remessas internacionais. Além disso, a empresa tem sido apontada como possível parceria na criação de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), incluindo o Dólar Digital e o Real Digital.

A adoção institucional, segundo Ludolf, também ajuda na valorização do XRP, mesmo sem que ele seja usado nessas áreas e com uma contribuição menor que a das recentes novidades judiciais nos Estados Unidos.

“No caso da Ripple e do XRP, é o único projeto grande sendo processado, e se perder seria horrível. Por ter esse evento exógeno, a simetria não é muito favorável. Além disso, muitos investidores criam uma analogia como se o token fosse uma ação de empresa, mas não é essa a correlação. É preciso ter cuidado pelas incertezas no momento”, defende Ludolf.

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