Queda no mercado cripto provoca liquidação de R$ 3 bilhões em posições alavancadas de derivativos

Mais de 165 mil investidores teriam sido afetados por liquidação expressiva liderada por bitcoin e ether após queda no mercado cripto
Apenas no bitcoin, US$ 223 milhões foram liquidados (imagem/Shutterstock)
Apenas no bitcoin, US$ 223 milhões foram liquidados (imagem/Shutterstock)
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Mariana Maria Silva

Publicado em 19/08/2022 às 15:09.

Última atualização em 19/08/2022 às 15:20.

A queda no preço das criptomoedas nesta sexta-feira, 19, gerou um total de US$ 605 milhões em posições liquidadas nas últimas 24 horas, de acordo com dados do Coinglass. Na cotação atual, o valor é o equivalente a R$ 3,1 bilhões. Mais de 165 mil investidores teriam sido afetados.

O bitcoin lidera como o responsável pela liquidação de US$ 223 milhões em posições alavancadas. A principal criptomoeda apresenta queda de 8,2% nas últimas 24 horas, e é cotada a US$ 21.439, de acordo com dados do CoinGecko.

(Mynt/Divulgação)

Na segunda-feira, 15, o bitcoin chegou a ultrapassar US$ 25 mil, gerando otimismo em investidores de que poderia recuperar parte das perdas de 2022. No entanto, a maior criptomoeda do mundo não sustentou o movimento de alta e apresentou queda significativa nos últimos dias.

Desde o início do ano, o bitcoin e as principais criptomoedas amargam perdas expressivas. Com queda de quase 55% no ano, o bitcoin perdeu mais da metade de seu valor de mercado desde sua máxima histórica em novembro de 2021. Na época, este valor era de US$ 1,27 trilhão, enquanto agora está em US$ 413 bilhões, de acordo com dados do CoinMarketCap.

“A queda das cotações mostra a forte correlação que as cripto ainda tem com o cenário macro, já que, desde a liberação da ata da FOMC, que mostrou que o Fed não tem medo de avançar a alta de juros, o preço das cripto tem se mantido numa tendência de baixa, que deve perdurar enquanto o mercado digere a informação. O que se sabe até agora é que o mercado de ativos digitais teme novas altas de juros e qualquer iniciativa do Banco Central americano nesse sentido tem conseguido segurar a cotação das principais moedas”, explicou Thiago Rigo, da Titanium Asset Management.

Em segundo lugar está o ether, responsável pela liquidação de US$ 165 bilhões nas últimas 24 horas, de acordo com dados do Coinglass. Cotada em US$ 1.709, a criptomoeda nativa da rede Ethereum cai 8,4% nesta sexta-feira, 19, segundo o CoinMarketCap.

Com valor de mercado de US$ 210 bilhões atualmente, a segunda maior criptomoeda do mundo caiu mais de 65% desde sua máxima histórica, em novembro de 2021.

No caso do ether, além das preocupações com a inflação e as medidas que bancos centrais em todo o mundo podem tomar para contê-la, estão as expectativas para uma importante atualização em sua rede e a atividade reduzida em protocolos de finanças descentralizadas (DeFi).

No aguardo da atualização, que ocorrerá em 15 de setembro, a atividade em aplicativos DeFi na Ethereum foi negativa na última semana, de acordo com dados do DefiLlama. O valor total bloqueado (TVL) em todos os blockchains caiu mais de 3,75% nas últimas 24 horas, sinalizando pouco interesse pelo serviços oferecidos pelos protocolos de finanças descentralizadas.

Conhecida como “The Merge”, a atualização da Ethereum modificará a forma como as transações da rede são validadas, em busca de uma economia de até 99% de energia elétrica. Apesar de sustentável, a mudança gera dúvidas entre projetos e empresas.

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