No limite para pagar custos, mineradores fazem venda recorde de bitcoin

Mineração sofre para se manter rentável em meio à crise do “inverno cripto” e pode gerar pressão vendedora no bitcoin
Bitcoin valida transações por meio da mineração (Bloomberg/Getty Images)
Bitcoin valida transações por meio da mineração (Bloomberg/Getty Images)
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Mariana Maria Silva

Publicado em 24/11/2022 às 12:05.

Última atualização em 24/11/2022 às 12:06.

Em 2022, o mercado de criptomoedas apresentou quedas das quais ainda não conseguiu se recuperar em um processo que ficou conhecido como “inverno cripto”. Conforme o fim do ano se aproxima, mineradores sinalizam problemas no setor e fazem venda recorde de bitcoin para conseguir cobrir seus custos de operação.

Após atingir máximas no final de 2021, uma série de acontecimentos como o estouro da guerra entre Rússia e Ucrânia, a inflação elevada em todo o mundo e o colapso de grandes projetos como Luna e FTX fez com que o mercado cripto fosse abalado significativamente.

(Mynt/Divulgação)

Sem previsão de melhora, mineradores lutam para manter a rentabilidade do procedimento, necessário para a validação das transações em bitcoin, maior criptomoeda do mundo.

Dados do Trading View demonstram um aumento de quase 400% na pressão vendedora de bitcoin por parte de mineradores.

(@capriole_charles em TradingView/Reprodução)

A situação chama a atenção de especialistas já que, usualmente, mineradores costumavam preferir manter os bitcoins recebidos em recompensa por seu trabalho, em busca de uma possível valorização da criptomoeda.

“Mineradores sempre mantiveram grandes posições acumuladas de bitcoin, na expectativa de melhora no cenário macro que pesava sobre o mercado cripto, mas com custos de energia, hospedagem e manutenção de suas operações, acabam ficando no limite para pagar os custos mensais”, explicou Ricardo Alcofra, diretor de ativos digitais no BTG Pactual, em entrevista à EXAME.

Os custos de mineração também se elevaram em 2022. Para realizar o processo, são necessárias máquinas específicas, que consomem um alto nível de energia elétrica.

“Muitos mineradores possuem custos mistos que giram em torno de USD 7c/kWh, sendo que alguns até recentemente pressionados pelo aumento no custo de energia, estão a níveis bem mais elevados. Esse custo (também conhecido como preço de encurtamento) fica muito próximo da receita do minerador em moeda fiduciária, o que faz com que o minerador precise vender parte (ou toda) a sua produção para poder pagar os custos de sua operação”, contou Alcofra.

Atenuada pela falência da FTX, a crise no setor afetou a confiança de investidores na nova classe de ativos, ainda que estes não estejam necessariamente relacionados ao caso. Por isso, a queda na cotação do bitcoin pode afetar diretamente a rentabilidade e sustentabilidade dos processos de mineração.

Cotado a cerca de US$ 16.500 no momento, o bitcoin já acumula perdas de mais de 15% nos últimos 30 dias, de acordo com dados do CoinMarketCap.

“Dependendo do volume ofertado pelos mineradores ao mercado, pode ser esperar níveis de preço mais baixos caso a demanda compradora não aumente”, afirmou Alcofra.

Mineradoras como a australiana Iris Energy já anunciaram impacto nas suas operações, com potencial desligamento de aproximadamente mais 2.4EH/s em potência de mineração devido ao não pagamento de um empréstimo de US$ 108 milhões. Esse é o segundo não pagamento de empréstimo em menos de um mês anunciado pela Iris, que já reduziu sua operação em aproximadamente 3.6 EH/s desde o dia 4 de novembro.

“Se o preço não subir logo, veremos muitos mineradores de bitcoin fora do mercado”, apontou o especialista Charles Edwards, em uma publicação no Twitter.

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