Future of Money

Mercado ‘esquecido’ de R$ 11 trilhões entra na mira de tokenizadoras brasileiras

Crédito para comerciantes que vendem a prazo ficou mais fácil, mas a verdadeira revolução virá se o processo puder ser feito totalmente on-chain, dizem especialistas

 (Reprodução/Reprodução)

(Reprodução/Reprodução)

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 30 de abril de 2026 às 14h00.

Tudo sobreTokenização
Saiba mais

A tokenização de ativos há anos tenta destravar valor e aumentar a eficiência em diversos setores, e agora essa ofensiva mira um mercado “esquecido”. É o de duplicatas escriturais, que pode movimentar em torno de R$ 11 trilhões anualmente, segundo a Cerc.

Duplicata escritural é a versão digital e eletrônica da duplicata física registrada em sistemas autorizados pelo Banco Central. A duplicata é um documento que comprova uma venda a prazo realizada por um comerciante, registrando que o comprador tem a obrigação de pagar aquele valor até determinada data.

  • Invista com os especialistas do BTG Pactual unindo performance e proteção de patrimônio. Acesse a Carteira Reserva de Valor no app da Mynt e ganhe cashback de R$ 50 com o cupom FOM26.

Quando a empresa precisa de caixa imediato, ela pode vender essa duplicata com desconto para um banco ou outra instituição. Se a duplicata for tokenizada, a tokenizadora pode atuar como intermediária, conectando as empresas que precisam de dinheiro a curto prazo com investidores que aceitam receber o pagamento da obrigação a prazo com juros.

“Duplicata escritural permitirá capturar toda a hipótese de valor de blockchain”, disse João Pirola, fundador e CPO da plataforma de tokenização AmFi. Na opinião de Pirola, registrar a duplicata escritural em blockchain traz mais rastreabilidade e transparência, então faz sentido que este tipo de título possa nascer já dentro das redes descentralizadas.

“Atualmente, pegamos dados da registradora e do banco para jogar em blockchain. Não está nativamente lá”, explicou.

Democratização do mercado

Vanessa Butalla, diretora de jurídico, compliance e risco do Mercado Bitcoin, diz que a tokenização também traz a possibilidade de incluir investidores de varejo neste mercado, que hoje é dominado por bancos. “Esperamos que isso aconteça on-chain do início ao fim de verdade, desde a originação”, declarou.

Marcelo Maziero, cofundador e presidente-executivo da Cerc, disse que a proposta é controlar as três dimensões da duplicata: existência (existe ou não existe), propriedade (para evitar que seja usada ou vendida para mais de um) e pagamento.

Com a tokenização de duplicatas, linha de negócios que está em estudo pela companhia, fica muito mais fácil para o comprador ter a confiança de que aquela informação é de boa ordem se as escrituradoras aceitarem o registro dos títulos em blockchain.

“O mercado financeiro já está se movimentando”, apontou.

Por fim, Magno Lima, CEO da SPC Grafeno, comentou que o desafio agora é democratizar esse mercado. “Em um universo de 20 milhões de empresas, 18 milhões são pequenas e médias, como democratizar isso para que os financiadores entendam essas oportunidades?”, questionou.

Os executivos falaram durante o evento “Duplicata Escritural: o que muda e quais os impactos no ecossistema financeiro”, realizado em São Paulo pela Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken).

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube  Tik Tok  

Acompanhe tudo sobre:TokenizaçãoCréditoEmpresas

Mais de Future of Money

ETF de Hyperliquid atrai US$ 1,2 mi em estreia sólida nos EUA

Doador para filme de Flávio Bolsonaro, Vorcaro já deu calote bilionário em empresa cripto

Democratas tentam emplacar emendas 'anti-Trump' em regulamentação de criptoativos

Executivo revela qual cripto lhe trouxe mais lucro